Covid-19 é associada a aumento do risco de diabetes em jovens

Miriam E. Tucker

Notificação

25 de janeiro de 2022

A infecção por SARS-CoV-2, ao contrário de outras infecções respiratórias agudas, foi associada a aumento do risco de diabetes entre jovens, segundo novos dados dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos.

Os resultados da análise de dois grandes bancos de dados de saúde dos EUA foram publicados em 07 de janeiro em uma versão preliminar no CDC's Morbidity and Mortality Weekly Report pela Dra. Catherine E. Barrett, Ph.D., e seus colaboradores do CDC's COVID-19 Emergency Response Team e da Division of Diabetes Translation.

Pacientes de até 18 anos de idade com história de infecção pelo SARS-CoV-2 devem ser monitorados para diabetes nos meses seguintes à resolução da infecção, aconselham os autores.

Os achados, que são endossados por estudos independentes realizados com adultos, “destacam a importância da prevenção contra a covid-19 em todas as faixas etárias, inclusive por meio da vacinação de todas as crianças e adolescentes elegíveis, além da prevenção e do tratamento de doenças crônicas”, disseram eles.

O tipo de diabetes não pôde ser identificado com segurança nos bancos de dados, o que é apontado como uma importante limitação do estudo.

"A infecção por SARS-CoV-2 pode levar ao diabetes tipo 1 ou 2 por meio de mecanismos complexos e diferentes", disseram eles.

Em meados de 2020, surgiram evidências de que a covid-19 poderia desencadear o aparecimento de diabetes em pessoas saudáveis, conforme relatado pelo Medscape. Um novo banco de dados global chamado CoviDiab registry foi então criado para coletar dados sobre pacientes com diabetes relacionado à covid-19.

Não está claro se o diabetes após a covid-19 é transitório ou permanente

A partir de um dos bancos de dados usados ​​no novo estudo, conhecido como IQVIA, 80.893 indivíduos com menos de 18 anos diagnosticados com covid-19 de março de 2020 a 26 de fevereiro de 2021 foram comparados a pessoas pareadas por idade e sexo que não tiveram covid-19 durante esse período e a grupos pré-pandêmicos com e sem diagnóstico de doença respiratória aguda no período de 1º de março de 2017 a 26 de fevereiro de 2018.

A partir do segundo banco de dados, HealthVerity, 439.439 jovens diagnosticados com covid-19 de 1º de março de 2020 a 28 de junho de 2021 foram comparados com jovens sem covid-19 pareados por idade e sexo. Aqui, não houve grupo de comparação pré-pandemia.

No grupo com covid-19, 0,08% dos pacientes foram diagnosticados com diabetes versus 0,03% dos indivíduos sem covid-19 no IQVIA e 0,25% versus 0,19% no HealthVerity.

Assim, novos diagnósticos de diabetes foram 166% e 31% mais propensos a ocorrer naqueles com covid-19 no IQVIA e no HealthVerity, respectivamente. Ainda, no IQVIA, pacientes com covid-19 eram 116% mais propensos a desenvolver diabetes do que indivíduos com doenças respiratórias agudas antes da pandemia. Todas as diferenças foram significativas, e as infecções respiratórias por outros agentes que não o SARS-CoV-2 não foram associadas à diabetes, dizem a Dra. Catherine e colaboradores.

Em ambos os bancos de dados, a cetoacidose diabética foi mais comum no início do diabetes entre aqueles com covid-19 versus sem covid-19: 48,5% versus 13,6% no IQVIA e 40,2% versus 29,7% no HealthVerity. No IQVIA, 22,0% com doença respiratória aguda no período pré-pandemia apresentaram a complicação.

Dra. Catherine e colaboradores oferecem várias possíveis explicações para a associação observada entre covid-19 e diabetes, incluindo um ataque direto às células betapancreáticas, que expressam os receptores da enzima conversora de angiotensina 2, ou um estresse hiperglicêmico resultante da tempestade de citocinas e de alterações no metabolismo da glicose.

Outra possibilidade é a evolução de pré-diabetes para diabetes; a primeira é uma condição presente em um a cada cinco adolescentes estadunidenses.

O tratamento com esteroides durante a hospitalização pode ter causado hiperglicemia transitória, mas apenas 1,5% a 2,2% dos registros eram de diabetes induzido por fármacos ou produtos químicos. A maioria era para o tipo 1 ou 2.

Alternativamente, o ganho de peso associado à pandemia também pode ter contribuído tanto para os riscos de covid-19 grave como de diabetes tipo 2.

"Embora este estudo possa fornecer informações sobre o risco de diabetes após a infecção por SARS-CoV-2, ainda são necessários mais dados para entender os mecanismos patogênicos subjacentes, sejam eles causados ​​pela própria infecção por SARS-CoV-2 ou resultantes de tratamentos, e se o diabetes associado à covid-19 é transitório ou leva a uma condição crônica", concluíram a Dra. Catherine e colegas.

MMWR Morb Mortal Wkly Rep. Publicado on-line em 07 de janeiro de 2022. Full text

Miriam E. Tucker é jornalista freelancer, mora na região de Washington, DC, nos EUA e é colaboradora regular do Medscape. Outros trabalhos seus foram publicados em Washington Post, NPR's Shots e Diabetes Forecast. Twitter: @MiriamETucker.

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