Temas mais buscados em janeiro de 2022: Dermatite atópica

Ryan Syrek

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14 de janeiro de 2022

Ao final de cada semana nós identificamos o tema mais buscado no site do Medscape, procuramos compreender o que motivou a tendência e então compartilhamos um breve resumo sobre o tema acompanhado de um infográfico. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato conosco pelo Twitter ou Facebook

Achados sobre o diagnóstico de dermatite atópica em pacientes com pele escura, estudos que abordaram associações com a covid-19 e outras doenças, entre outras pesquisas apresentadas na 3ª conferência anual do encontro Revolutionizing Atopic Dermatitis (RAD 2021), levaram ao tema clínico mais buscado da semana.

No congresso, o médico Dr. Andrew F. Alexis, professor de dermatologia clínica da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, abordou as especificidades da apresentação clínica da dermatite atópica na pele escura.

Como a pele pigmentada pode ocultar algum tipo de eritema e de alteração da coloração, o Dr. Andrew enfatizou a necessidade de os médicos colocarem a mão na massa. "É importante reconhecer esta apresentação clínica, olhar com atenção e avaliar o paciente – não apenas visualmente, mas também realizando a palpação e considerando os sintomas, para não cair na armadilha de confundir uma lesão de dermatite atópica com hiperpigmentação pós-inflamatória", disse o médico. A demora para iniciar o tratamento ou o tratamento inadequado podem contribuir para aumentar o risco de sequelas pigmentares e outras sequelas tardias nesta população. O Dr. Andrew destacou a necessidade de vigilância tanto em relação aos fatores a serem observados durante o atendimento ao paciente como em relação aos tratamentos específicos para a pele escura.

Dentre outras pesquisas apresentadas no congresso, um estudo tranquilizador constatou que pacientes com dermatite atópica parecem não ter risco mais elevado de infecção pelo SARS-CoV-2 ou de hospitalização por covid-19.

Os pesquisadores fizeram um estudo transverso com 13.162 pacientes dermatológicos atendidos no Reino Unido entre junho de 2018 e fevereiro de 2021. Dos 13.162 participantes, 624 (4,7%) tinham dermatite atópica. Os autores observaram que 4,8% dos pacientes sem história de infeção por covid-19 tinham dermatite atópica versus 3,4% com história de covid-19. O risco de covid-19 entre os pacientes com dermatite atópica foi semelhante ao dos controles (razão de chances, RC, ajustada de 0,67).

Autores de outro estudo transverso publicado em maio avaliaram os prontuários médicos de 269.299 pacientes testados para SARS-CoV-2 em centros médicos da University of California, nos EUA. Destes, 3,6% deram positivo para infecção por SARS-CoV-2. O índice de infeção entre os 5.387 pacientes com dermatite atópica foi de 2,9%; sendo menor do que entre os que não tinham dermatite atópica (3,7%; P = 0,0063). O número de hospitalizações e mortes não foi maior entre os pacientes com dermatite atópica.

Achados menos animadores indicam que a dermatite atópica é mais dura em idosos, e pode estar associada ao aumento do risco de comorbidades comuns na fase tardia da vida, como osteoporose, demência e doença cardiovascular. A gravidade dos transtornos do sono também é maior entre pacientes a partir de 65 anos de idade com a doença de pele do que entre pacientes mais jovens. Os pesquisadores identificaram que a idade avançada foi associada a aumento do número de noites de distúrbio do sono por causa da dermatite atópica na semana anterior (RC ajustada de 2,14: P > 0,0142), bem como aumento da fadiga nos sete dias anteriores (RC ajustada de 1,81; P = 0,0313), dificuldade de conciliar o sono nos sete dias anteriores (RC ajustada de 1,98; P = 0,0118), e dificuldade de manter o sono nos sete dias anteriores (RC ajustada de 2,26; P = 0,0030).

O acometimento da cabeça, do pescoço, da face e das mãos na dermatite atópica foi associado a um impacto significativamente maior na qualidade de vida relacionada com a saúde e pareceu estar ligado a quadros mais graves da doença em um grande estudo transversal, de acordo com um grande estudo transversal apresentado no congresso.

A dermatite atópica acometeu a cabeça, o pescoço, a face ou as mãos de 453 dos 533 participantes do estudo (85%), enquanto 80 (15%) tinham apenas outras regiões do corpo comprometidas. O primeiro grupo teve maior probabilidade de apresentar pontuação mais altas no Validated Investigator Global Assessment for Atopic Dermatitis (vIGA-AD) (28,5% versus 16,3%; P = 0,02) e maior mediana da área total da superfície corporal comprometida (15% vs. 10%; P ≤ 0,01).

"Esses achados destacam a importância da avaliação detalhada das regiões específicas acometidas pela dermatite atópica, no intuito de personalizar a conduta terapêutica às necessidades dos pacientes", afirmou o médico e autor do estudo, Dr. Lawrence F. Eichenfield, em uma sessão de late-breaking .

Estas e outras apresentações na 3ª conferência anual Revolutionizing Atopic Dermatitis (RAD 2021) ganharam a atenção dos médicos e médicas, gerando o tema clínico mais buscado da semana.

Leia mais sobre dermatite atópica.

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