Efeito da suplementação de vitamina D no primeiro episódio psicótico: ensaio clínico randomizado DFEND

Megan Brooks

Notificação

14 de janeiro de 2022

Baixos níveis de vitamina D são comuns em pacientes que apresentam um primeiro episódio psicótico, mas a suplementação aparentemente não melhora os sintomas físicos ou mentais, mostram novos dados.

"Trabalhos anteriores, nossos e de outros grupos, mostraram que pessoas com psicose, mesmo logo após o primeiro diagnóstico, têm hipovitaminose D, mas não se sabia se a suplementação após o episódio inicial melhoraria os desfechos relacionados à saúde", afirmou ao Medscape a pesquisadora do estudo DFEND, Fiona Gaughran, médica do Institute of Psychiatry, Psychology & Neuroscience, do King's College London, Reino Unido.

"Apesar de não termos demonstrado um benefício associado à suplementação ao longo de seis meses, essas taxas muito altas de deficiência e insuficiência vitamínica podem ter impactos negativos na saúde em longo prazo, que nós não avaliamos; portanto, aumentar a conscientização sobre a necessidade de otimizar a vitamina D em pessoas com psicose é importante", disse a Dra. Fiona.

Os resultados do ensaio clínico randomizado foram publicados on-line em 28 de dezembro no periódico JAMA Network Open.

Abordagem cuidadosa, resultado negativo

O estudo avaliou 149 adultos até três anos após a primeira apresentação de um transtorno psicótico funcional. A média de idade da coorte foi de 28 anos; 60% eram homens, 44% eram negros ou pertenciam a outra minoria étnico-racial; e 56% eram brancos.

Setenta e cinco participantes foram randomizados para receber suplementação de 120.000 UI de colecalciferol e 74 para o grupo placebo. As doses foram mensalmente administradas pelos pesquisadores, via seringa oral.

"Escolhemos uma dose de 120.000 UI por mês (equivalente a 4.000 UI por dia), que deveria aumentar os níveis de vitamina D com segurança. A posologia foi discutida com especialistas com experiência clínica e levou em consideração que uma dose diária acrescentaria uma sobrecarga de medicações que as pessoas com psicose usualmente já têm", disse a Dra. Fiona.

A suplementação de vitamina D administrada neste estudo foi segura e levou a um aumento significativo nas concentrações de 25-hidroxivitamina D.

No entanto, não houve diferença significativa entre a vitamina D e o placebo para o desfecho primário, a pontuação total da Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS) em seis meses (diferença média de 3,57 pontos; intervalo de confiança, IC, de 95% de -1,11 a 8,25; P = 0,13).

Também não houve benefício aparente associado à suplementação de vitamina D em nenhum desfecho secundário, incluindo as pontuações PANSS de função global e depressão, ou fatores de risco cardiometabólicos.

“Com relação à prática clínica, ainda não podemos recomendar tratamentos mensais com 120.000 UI de colecalciferol após um primeiro episódio psicótico”, observaram os pesquisadores.

A prevalência de insuficiência e deficiência de vitamina D foi alta na população: 74,6% no total e 93,4% entre as minorias étnicas.

"Assim, a amostra era adequada para a identificação de quaisquer possíveis benefícios relacionados com essa correção. No entanto, mesmo neste subgrupo, não houve evidências para apoiar a hipótese" de que a suplementação de vitamina D melhoraria os desfechos de pacientes com psicose inicial, observam os pesquisadores.

Os autores sugerem que os próximos estudos examinem a associação entre a vitamina D e os desfechos neurológicos e psiquiátricos a partir de tratamentos com duração superior a seis meses e doses administradas diariamente, em vez de infusão em bolus.

"Futuras estratégias de saúde pública devem reconhecer a alta prevalência de insuficiência e deficiência de vitamina D em pessoas com psicose, e considerar quaisquer ajustes razoáveis ​​que possam ser necessários para lidar com isso – além da orientação da população em geral", disse a Dra. Fiona.

O estudo foi financiado pelo Stanley Medical Research Institute e recebeu apoio do National Institute for Health Research (NIHR) Maudsley Biomedical Research Centre, do King's College London e do NIHR Applied Research Collaboration (ARC) South London. A Dra. Fiona recebeu honorários como palestrante da Otsuka Lundbeck, sem relação com o estudo. Uma lista completa dos potenciais conflitos de interesses declarados pelos autores está disponível no artigo original.

Biological Psychiatry. Publicado on-line em 28 de dezembro de 2021. Texto completo

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