Adultos negros com dor torácica têm mais fatores de risco de DCV do que brancos – mas taxa de eventos é equivalente

Megan Brooks

Notificação

13 de janeiro de 2022

Adultos negros com dor torácica têm mais fatores de risco de doença cardiovascular do que adultos brancos, mas a incidência de eventos adversos cardiovasculares maiores (MACE, sigla do inglês Major Adverse Cardiovascular Events) em dois anos no primeiro grupo é semelhante à do segundo, sugerem novos dados do ensaio clínico PROMISE.

A incidência de morbidade e mortalidade da doença coronariana em longo prazo tende a ser maior entre adultos negros do que entre adultos brancos – uma diferença que pode ser resultado da maior carga de fatores de risco de doença cardiovascular, bem como de desigualdades socioeconômicas e acesso a assistência médica.

No entanto, não está claro como os fatores de risco de doença cardiovascular, doença coronariana epicárdica e eventos cardíacos diferem entre adultos negros e brancos submetidos a exames não invasivos para doença coronariana.

Para avaliar essa questão, os pesquisadores fizeram uma análise post-hoc de 1.071 adultos negros (média de idade: 59 anos; 60% mulheres) e 7.693 adultos brancos não hispânicos (média de idade: 61 anos; 52% mulheres) com dor torácica estável que realizaram angiografia coronariana por tomografia computadorizada para avaliação de suspeita de doença coronariana no ensaio clínico PROMISE, anteriormente relatado.

O estudo, da Dra. Lili Zhang, médica do Cardiovascular Imaging Research Center, nos Estados Unidos, e colaboradores, foi publicado on-line em 22 de dezembro no periódico JAMA Cardiology.

Adultos negros tiveram uma carga de risco cardiovascular mais elevada do que adultos brancos, incluindo índice de massa corporal significativamente mais alto (32,3 versus 30,4 kg/m2; P < 0,001), mais hipertensão (82,6% vs. 62,6%; P < 0,001), diabetes (32,2% vs.18,4%; P < 0,001), risco de doença coronariana equivalente (36,2% vs. 22,4%; P < 0,001), síndrome metabólica (43,5% vs. 36,4%; P < 0,001) e sedentarismo (58,4% vs. 47,5%; P < 0,001).

A média de fatores de risco cardiovascular relatados pelos pacientes foi significativamente maior entre os pacientes negros do que entre os brancos (2,47 vs. 2,35; P < 0,001).

No entanto, apesar da carga de risco cardiovascular significativamente maior, a taxa de MACE ao longo de um acompanhamento mediano de 24,4 meses foi “similarmente baixa” nos dois grupos (3,0% vs. 3,2%; P = 0,84), relataram a Dra. Lili e colaboradores.

As análises de sensibilidade foram restritas a 79,8% dos participantes com angiotomografia computadorizada coronariana não invasiva inocente ou discretamente alterada e a 54,3% dos participantes que não estavam em uso de estatinas, e tiveram resultados semelhantes.

Estenose coronária significativa e placa de alto risco foram associadas a MACE nos dois grupos.

No entanto, com relação à carga de doença coronariana epicárdica, os pacientes negros tiveram menor prevalência de escore de cálcio na artéria coronária > 0 (45,1% vs. 63,2%; P < 0,001), estenose coronária ≥ 50% (8,7% vs. 14,6%; P = 001) e placa de alto risco (37,6% vs. 52,4%; P <0,001).

O achado de que os indivíduos negros apresentaram mais fatores de risco cardiovascular, mas menos placa coronariana na angiotomografia computadorizada coronariana e MACE semelhante em dois anos “ressalta as limitações da nossa compreensão sobre a relação entre fatores de risco e placa em pessoas negras e brancas", escreveram Dra. Lili e colaboradores.

Os pesquisadores alertaram que, embora o ensaio PROMISE inclua um grupo diversificado de pacientes com suspeita de doença coronariana, talvez não reflita a população mais ampla, na qual não há suspeita de doença coronariana.

Além disso, o número de participantes negros foi modesto e o acompanhamento foi limitado a 24 meses, portanto, os resultados devem ser interpretados no contexto de MACE em dois anos e não talvez não identifiquem diferenças que surgiriam em 10 anos, disse a equipe do estudo.

Por fim, eles afirmaram que o estudo pode ser insuficiente para detectar as diferenças de MACE entre adultos negros e brancos devido à baixa incidência de eventos dessa natureza.

O estudo PROMISE foi financiado pelo National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI) dos EUA. A Dra. Lili informou não ter conflitos de interesses. A íntegra da declaração de conflitos de interesses dos demais autores consta no artigo original.

JAMA Cardiol. Publicado on-line em 22 de dezembro de 2021.  Abstract

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