Novo entendimento sobre a influência dos genes nas tentativas de suicídio

Megan Brooks

Notificação

12 de janeiro de 2022

Pesquisadores identificaram um locus de risco no cromossomo 7 com variações de DNA que aumentam o risco de tentativa de suicídio, mesmo na ausência de distúrbio psiquiátrico.

Este achado sugere que os fundamentos genéticos das tentativas de suicídio são parcialmente compartilhados e parcialmente independentes dos transtornos psiquiátricos associados, observaram os pesquisadores.

"Este estudo nos aproxima da compreensão sobre a neurobiologia do suicídio, com o objetivo final de desenvolver novos tratamentos e estratégias de prevenção", disse ao Medscape a Dra. Niamh Mullins, Ph.D., do Departamento de Psiquiatria, Departamento de Genética e Ciências Genômicas, Icahn School of Medicine at Mount Sinai, New York, nos Estados Unidos.

O estudo foi publicado on-line em 30 de novembro no periódico Biological Psychiatry.

Maior estudo até o momento

Na maior pesquisa de associação genética sobre tentativas de suicídio publicada até o momento, os pesquisadores conduziram um estudo de associação de todo o genoma (GWAS, sigla do inglês Genome-Wide Association Study) com 29.782 casos de tentativa de suicídio e 519.961 controles no International Suicide Genetics Consortium (ISGC).

No genoma inteiro, dois loci alcançaram significância para tentativa de suicídio: o complexo principal de histocompatibilidade e um locus intergênico no cromossomo 7, sendo que este último permaneceu associado à tentativa de suicídio após ajuste para transtornos psiquiátricos, e foi replicado em uma coorte independente de mais de 14.000 veteranos no Million Veteran Program.

“Este é o primeiro locus genético replicado que contribui mais para a tentativa de suicídio do que os distúrbios psiquiátricos relacionados", disse a Dra. Niamh ao Medscape.

"O estudo identificou uma sobreposição na base genética da tentativa de suicídio e de transtornos psiquiátricos associados, particularmente transtorno depressivo maior, mas também de fatores de risco não psiquiátricos, como tabagismo, dor, comportamento de risco, distúrbios do sono e estado geral de saúde deteriorado", relatou a Dra. Niamh.

“Essas relações genéticas entre tentativa de suicídio e fatores de risco não psiquiátricos não foram um subproduto da comorbidade psiquiátrica, sugerindo que há alguma base biológica compartilhada entre tentativa de suicídio e fatores de risco não psiquiátricos”, acrescentou ela.

A Dra. Niamh alertou que os achados não têm impacto imediato no atendimento ao paciente.

“O objetivo desta pesquisa é adquirir percepções sobre as vias biológicas subjacentes envolvidas na ideação suicida ou nas tentativas de suicídio, fornecendo possíveis caminhos para tratamentos e estratégias de prevenção”, disse ela ao Medscape.

"Os resultados também apontam para a importância de estudar as possíveis vias diretas causais entre esses fatores de risco e tentativa de suicídio em pacientes com e sem doença psiquiátrica", acrescentou o Dr. Douglas Ruderfer, Ph.D., cofundador e codiretor do ISGC e autor do artigo da Vanderbilt University Medical Center, EUA, em um comunicado à imprensa.

Biological Psychiatry. Publicado em 30 de novembro de 2021. Full text

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