Covid-19: Resumo da semana (1 a 7 de janeiro de 2022)

Equipe Medscape Professional Network

7 de janeiro de 2022

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso   Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2  .

Até a manhã da sexta-feira (7), o Brasil registrou 22.395.322 casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, causador da doença, e 619.730 óbitos por covid-19 desde o início da pandemia. Os dados foram gerados pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de levantamento junto às secretarias estaduais de saúde. O consórcio é formado por O Globo, Extra, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulog1 e UOL. 

Na noite do dia 6, o Brasil registrou 171 mortes por covid-19 em 24 horas. A média móvel nos últimos sete dias chegou a 101. Em comparação à média de 14 dias, a variação foi de -10%, indicando tendência de estabilidade nos óbitos decorrentes da doença. Quanto ao número de casos, no dia 6 o país notificou 45.717 casos em 24 horas – o maior registro desde 18 de setembro de 2021, segundo o consórcio que monitora a pandemia. A média móvel subiu para 17.102, um aumento de 477% em comparação há duas semanas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o número de casos globais aumentou 71% na última semana – e, nas Américas, subiu 100%. Noventa por cento dos casos graves em todo o mundo estão ocorrendo em pessoas não vacinadas. "Embora a Ômicron pareça ser menos grave em comparação com a delta, especialmente entre os vacinados, isso não significa que ela deva ser classificada como branda. Assim como as variantes anteriores, a Ômicron está hospitalizando e matando pessoas. Na verdade, o tsunami de casos é tão grande e rápido que está sobrecarregando os sistemas de saúde em todo o mundo”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

No dia 6, o Brasil confirmou por sequenciamento a primeira morte pela variante Ômicron. A vítima foi um homem de 68 anos que vivia em Aparecida de Goiânia, foi vacinado com três doses, mas que possuía graves comorbidades.

Na mesma data, o Instituto Todos pela Saúde (ITpS) divulgou em rede social informações sobre a expansão da Ômicron. Com dados dos laboratórios DB Molecular e Dasa, 32.946 amostras foram testadas para covid-19 de 1º de dezembro de 2021 a 1º de janeiro de 2022. Na última semana do período, 337 amostras foram positivas, sendo 312 casos prováveis de Ômicron (92,6%), detectadas em 80 municípios (9 UFss).

Casos de infecção simultânea pelo SARS-CoV-2 e pelo vírus Influenza H3N2 foram confirmados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará no início da semana. Os dois vírus são altamente transmissíveis e circulam ao mesmo tempo.

Observatório Covid-19 divulga boletim apenas com indicadores de leitos no SUS

Diante da falta dos dados utilizados para análise da evolução da pandemia, o boletim extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta sexta-feira (7), trouxe apenas o indicador envolvendo taxas de ocupação de leitos de UTI para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) destinados à covid-19. O momento atual, com a circulação e crescimento rápido de casos de uma nova variante, a Ômicron, logo após as festas de fim de ano e maior circulação de pessoas, desenha um novo cenário epidemiológico.

Em comparação aos registros obtidos em 20 de dezembro de 2021, os dados relativos a 5 de janeiro de 2022 mostram aumentos relevantes no número de pacientes internados nesses leitos. Entre os estados, destacam-se Tocantins (23% para 62%, com queda de 122 para 87 leitos), Piauí (47% para 52%, com aumento de 106 para 130 leitos). Nas capitais, chamam a atenção as taxas críticas observadas em Fortaleza (85%), Maceió (85%) e Goiânia (97%), e as taxas na zona de alerta intermediário observadas em Palmas (66%), Salvador (62%) e Belo Horizonte (73%).

Como informou a Agência Fiocruz de Notícias, os pesquisadores manifestaram “estranhamento” frente às taxas do estado do Rio de Janeiro e sua capital, que se mantêm relativamente estáveis e em níveis muito inferiores àqueles observados nas demais unidades federativas.

Cruzeiros e Carnaval de rua: suspensos

Após o surgimento de clusters de covid-19 nos navios, as operadoras de cruzeiros no Brasil suspenderam suas atividades até 21 de janeiro.

Até o momento, 13 capitais cancelaram o Carnaval de rua: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Recife, Salvador, Maceió, Campo Grande, Cuiabá, Teresina, Belém, Fortaleza, São Luís do Maranhão e Campo Grande.

A semana das vacinas

Até o dia 6, o número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose foi de 161.560.434, o equivalente a 75,74% da população total.

Entre os mais de 161 milhões de vacinados, 143,9 milhões receberam a segunda dose, o que representa 67,48% da população com a imunização completa contra o coronavírus.

Fiocruz recebe registro para produzir vacina anticovídica 100% nacional

Nesta sexta-feira (7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do insumo farmacêutico ativo (IFA) da vacina da AstraZeneca produzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com isso, a Fiocruz passará a produzir e distribuir uma vacina 100% nacional.

A vacinação das crianças de cinco a 11 anos

Na quarta-feira (5), a vacinação de crianças de cinco a 11 anos foi finalmente incluída no Plano Nacional de Imunizações (PNI). A inclusão ocorre quase um mês depois da aprovação do imunizante da Pfizer/BioNTech em dose pediátrica pela Anvisa, em 16 de dezembro. O Ministério da Saúde (MS) ainda indica que os pais procurem recomendação prévia de um médico antes da imunização, mas não exigirá prescrição médica.

A data de início da aplicação ainda não foi anunciada, mas o MS afirmou que será imediatamente após a chegada (e distribuição) do primeiro lote de vacinas, prevista para o dia 13. A estimativa é de que o lote de 20 milhões de doses pediátricas da Pfizer/BioNTech seja entregue no primeiro trimestre. O intervalo entre a primeira e segunda doses será de oito semanas, maior do que o período de três semanas recomendado na bula.  

Porém, serão necessárias mais doses para vacinar a população pediátrica no Brasil. Considerando que o país tem 20,5 milhões de habitantes na faixa de cinco a 11 anos (dados do IBGE), a quantidade necessária de imunizantes para vaciná-las com duas doses é de 41 milhões de doses. Até o momento não há informações oficiais sobre como o governo federal irá solucionar a defasagem para garantir que as crianças voltem às aulas completamente vacinadas.

E a CoronaVac?

A Anvisa analisa pedido do Instituto Butantan para uso da CoronaVac na faixa etária de três a 17 anos. No dia 6, foram apresentados à agência estudos de efetividade da CoronaVac feitos pela Fiocruz. Na sequência, os dados foram debatidos por especialistas convidados pela Anvisa, como representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), segundo informou a Agência Brasil.

Muitos países já usam a CoronaVac para crianças, com raríssimos casos de intercorrência. Desde maio, a China já vacinou 87 milhões de crianças com a CoronaVac. O Chile, onde foi feito um estudo publicado recentemente pelo periódico Lancet, usa a CoronaVac desde setembro em crianças de seis a 11 anos. O Equador já vacinou 65% das suas crianças de cinco a 11 anos desde outubro com a CoronaVac. E mais: estudos feitos na África do sul com bebês de seis meses a adolescentes de 17 anos apontam que essa vacina é eficiente e benéfica para proteger as crianças.

De acordo com informações divulgadas no final do ano passado, o Instituto Butantan tem mais de 15 milhões de doses disponíveis pelas quais o Ministério da Saúde não manifestou interesse.

Posicionamento da SBP sobre a imunização de crianças

O número de mortes de crianças em decorrência da covid-19 entre março de 2020 e novembro de 2021 foi de 308, de acordo com informações divulgadas pelo ministro da Saúde brasileiro em 23 de dezembro de 2021. Por essa razão – diante das críticas do presidente da República brasileiro em relação à inclusão da vacina anticovídica no PNI para crianças de cinco a 11 anos –, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu uma nota de repúdio.

Leia a íntegra da nota lançada na noite de quinta-feira (6).

“Diante de comentários de autoridades sobre possíveis riscos decorrentes da imunização de crianças de cinco a 11 anos contra a covid-19, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vem a público reiterar aos pais e responsáveis os seguintes pontos:

1)   A população não deve temer a vacina, mas, sim, a doença que ela busca prevenir, bem como suas complicações, como a covid-19 longa e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, manifestações que consolidam a necessidade da imunização do público infantil.

2)   O acesso das crianças à vacina contra a covid-19 é um direito que deve ser assegurado, o qual conta com o apoio da maioria dos brasileiros, conforme expresso em consulta pública realizada sobre o tema pelo Ministério da Saúde.

3)   A vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da covid-19 nessa faixa etária, no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações.

4)   Até o momento, os estudos realizados apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica, a qual é fundamental no esforço para reduzir as formas graves da covid-19.

5)   A vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias. Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos, é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas.”

Dados pessoais de médicos vazados em redes sociais

Dados pessoais de médicos favoráveis à vacinação infantil que participaram de audiência pública no dia 4 de janeiro foram vazados e caíram nas redes sociais contrárias à vacinação de crianças. Os médicos relataram o recebimento de intimidações ainda durante a audiência pública. Na sexta-feira (7), a Associação Médica Brasileira divulgou uma nota de repúdio sobre o caso.

Médicos pedem abertura de processo ético contra o ministro da Saúde

Ex-presidentes do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS/SP) solicitaram ao Conselho Federal de Medicina (CFM) que abra um pedido de processo ético-profissional contra o ministro da Saúde brasileiro. Os profissionais alegam que ele cometeu “infrações éticas graves no exercício da medicina, em razão de suas atribuições e responsabilidades frente ao Ministério da Saúde do governo brasileiro”.

Estudo investiga risco de miocardite  

Primeiro grande estudo populacional a investigar a associação entre diferentes tipos de vacinas anticovídicas, efeitos cardíacos e eventos adversos mostra um pequeno aumento no risco de miocardite aguda com uso de dois imunizantes de ácido ribonucleico mensageiro (ARNm) e uma de adenovírus. Ao Medscape, Dra. Biykem Bozkurt, Ph.D., médica e professora de medicina do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, disse que o estudo confirma que “as complicações cardiovasculares são bem maiores com a infecção por covid-19 do que com as vacinas”.

Abordagem que une tecnologias contra o câncer e covid-19 reduz fibrose cardíaca em roedores

A revista Science divulgou que especialistas desenvolveram uma nova abordagem capaz de aliviar a fibrose (acúmulo de tecido cicatricial que pode ocorrer no fígado, coração e outros órgãos) no coração de camundongos com hipertensão. A equipe de Scott Friedman, especialista em doenças hepáticas da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, nos Estados Unidos, combinou tecnologias que estão por trás da imunoterapia contra o câncer e das vacinas de ARNm contra a covid-19.

A escassez de profissionais de enfermagem

Muitos profissionais de enfermagem sofreram burnout em função da pandemia de covid-19, e as taxas de "intenção de se desligar do trabalho" aumentaram em 20% a 30% em um ano, disse Howard Catton, diretor executivo do Internacional Council of Nurses (ICN), sediado em Genebra, que representa 27 milhões de profissionais de enfermagem em 130 associações nacionais. “Se os números seguirem a tendência observada, pode haver um êxodo".

Rivaroxabana após hospitalização por covid-19: estudo MICHELLE

O ensaio clínico aberto e randomizado mostra melhores resultados com uma dose baixa de anticoagulante oral de ação direta em pacientes com alto risco de TEV e baixo risco de sangramento.

A covid-19 mundo afora

O mundo registrou 300.451.850 diagnósticos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2 e 5.474.348  óbitos por covid-19 na manhã do dia 7 de janeiro, de acordo com os dados do Coronavírus Resource Center, da Johns Hopkins University (EUA).

Os Estados Unidos relataram um recorde de 1,08 milhão de infecções na segunda-feira (3). A média de sete dias de infecções diárias relatadas é 480.273, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Isso é quase o dobro do número de casos alcançado no ápice do pico do inverno passado. Diante da forte progressão da epidemia, há relatos de escassez de exames. O FDA e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) votaram a favor do reforço da vacina Pfizer/BioNTech contra covid-19 em jovens de 12 a 17 anos nos Estados Unidos pelo menos 5 meses após a vacinação primária.

No Canadá, o número de infecções está disparando devido à disseminação da variante Ômicron. Novos 36.250 casos foram notificados em 4 de janeiro contra 25.000 registrados em média diária durante a semana de 23 a 29 de dezembro. 

“Em apenas uma semana, o número de casos de covid-19 em hospitais dobrou”, enquanto “o número de funcionários ausentes mais que dobrou”, disse o premier de Quebec, François Legault, em 30 de dezembro. Quebec, portanto, anunciou o retorno do toque de recolher das 22h às 5h em toda a província a partir de 31 de dezembro. Os infratores correm o risco de uma multa que varia de $1.000 a $6.000 (R$4.500 a R$26.000). Os salões dos restaurantes também foram fechados e o início do ano letivo em escolas e universidades foi adiado para 17 de janeiro. Medidas para tentar conter a epidemia também foram tomadas em outras províncias do país.

O governo de Cuba exigirá que todos os turistas tenham um teste PCR negativo (no máximo 72 horas antes) e um certificado de vacinação. O número de novos casos aumentou (967 registrados na terça-feira, 5 de janeiro), mas o número de óbitos se manteve estável. Os dados mostram que 92% da população receberam a vacina contra a covid-19 (85% estão totalmente vacinados) e o governo anunciou que lançará uma campanha de reforço.

Em 5 de janeiro, o México registrou o maior número de casos confirmados de covid-19 em cinco meses: 20.626 casos e 94 mortes relatadas nas últimas 24 horas.

O ministério da saúde da Argentina confirmou 91.159 casos de covid-19 e 52 mortes em um único dia. No dia 1º de janeiro entrou em vigor o uso do passe de saúde que atesta o esquema vacinal completo e permite o atendimento a atividades de risco, como grandes eventos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a necessidade de cautela na interpretação da situação na África do Sul, um dos países na origem dessa variante. Depois do crescimento exponencial de contágios de covid-19 pela variante Ômicron, a África do Sul considera que superou o pico da onda e que os casos começaram a diminuir no país. A OMS destaca que o problema continua sendo o grupo de pessoas que ainda não foram vacinadas e insiste que é preciso que se vacinem, para se protegerem e para protegerem os outros.

No Reino Unido, a variante Ômicron continua se espalhando e o National Health Service (NHS) se considera em "pé de guerra" com a pandemia.
O número de casos continua a aumentar rapidamente a uma taxa de 1596,9 por 100.000 pessoas. Atualmente, o número de novos casos notificados diariamente excedeu 208.135 e as admissões hospitalares de pacientes aumentaram em 50,1%. Até o dia 5 de janeiro, 90,1% da população com 12 anos ou mais receberam a primeira dose, 82,6% receberam duas doses da vacina, enquanto 59,8% da população receberam a terceira dose.

O alto número de casos positivos e a consequente necessidade de isolamento estão também provocando a falta de profissionais da saúde em todo o sistema, com uma série de incidentes críticos. Novos ‘centros de emergência’ estão sendo montados pelo NHS nos terrenos dos hospitais como estruturas em prontidão para uma potencial onda de admissões em decorrência da variante Ômicron. Cada uma das estruturas temporárias terá capacidade para abrigar cerca de 100 pacientes que, embora não estejam em condições de receber alta, precisam de suporte e monitoramento mínimos enquanto se recuperam da doença.
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) autorizou o medicamento antiviral nirmatrelvir/ritonavir da Pfizer para o tratamento de pacientes com infecção leve a moderada por covid-19 que correm o risco de desenvolver doença mais grave.

Mais de 261.000 pessoas testaram positivo para SARS-CoV-2 na França na quinta-feira (6), contra pouco mais de 200.000 na semana anterior (incidência 2.000/100.000).

Diante da explosão de casos covid-19 na França e para não paralisar o sistema, as autoridades decidiram permitir que cuidadores positivos com covid-19 e assintomáticos continuem atuando nas suas estações de trabalho. Além disso, as condições de isolamento de situações de contato ou pessoas que testaram positivo passou a ser de sete dias.  Por fim, as condições de vacinação foram revisadas para acelerar a campanha e os protocolos de testes foram simplificados, principalmente nas escolas.

O projeto de lei sobre a substituição do passe de saúde pelo passe de vacinação foi aprovado pela Assembleia Nacional esta semana. Em breve será examinado pelo Senado. A posse de passe falso deve agora ser punida com cinco anos de prisão e multa de 75 mil euros. A apresentação do passe de outra pessoa ou sua utilização fraudulenta será punida com multa fixa de 1.000 euros, contra 135 euros hoje. Os portadores de passes falsos não serão penalizados se receberem a primeira dose da vacina dentro de 30 dias após a prática do crime.

Na Alemanha, o número de casos confirmados e prováveis  de  Ômicron relatados ao Instituto Robert Koch (RKI) quase triplicou em uma semana. Em números absolutos, em 4 de janeiro havia 35.529 casos atribuíveis à nova variante, contra 10.443 casos há uma semana. O RKI relatou novamente um aumento na incidência nacional em sete dias: na manhã de quarta-feira (5), ocorreram 259 novas infecções por 100.000 pessoas. O número aumenta dia a dia desde o final de dezembro, embora o RKI continue a assumir que as novas infecções são subnotificadas devido à diminuição do número de exames e à transmissão dos resultados durante as férias. Em comparação, o dia anterior foi 239,9/100.000 e o número da semana anterior foi de 205,5 /100.000 (mês anterior: 439,2). Na Alemanha, as discussões estão em andamento sobre a possibilidade de encurtar o período de quarentena.

Na Itália, a incidência de infecções mais do que triplicou em apenas duas semanas, subindo de 240 casos por 100.000 habitantes de 6 a 12 de dezembro para 783 por 100.000 habitantes de 20 a 26 de dezembro. Em grandes cidades do norte da Itália, como Milão, longas filas são observadas em frente a centros de exames e farmácias, a fim de obter um teste para entrar ou sair da quarentena.

A taxa de ocupação de leitos e vagas em terapia intensiva também está em constante aumento, com uma média de 15,4% e 12,4% respectivamente, com mais de 10.000 pacientes de covid-19 internados, incluindo mil em terapia intensiva. Esta semana, 14 das 21 regiões estão na zona amarela, onde o uso de máscara nas áreas externas também é obrigatório. Cerca de 10% da população com mais de 12 anos que não é vacinada não tem mais acesso a bares, restaurantes e cinemas desde 5 de janeiro.

Quase 86% da população com mais de 12 anos completou o ciclo de vacinação, enquanto quase 20 milhões de italianos (63% dos titulares) já receberam a dose extra ou o reforço.

Pessoas totalmente vacinadas (bem como aquelas que foram vacinadas ou se recuperaram há menos de 120 dias), desde que sejam assintomáticas, não devem ser colocadas em quarentena após o contato. Em substituição, foi introduzido o automonitoramento e as máscaras PFF2 tornaram-se obrigatórias.

O teste é recomendado apenas em caso de sintomas. Esta indicação tem sido objeto de acalorado debate entre  especialistas, pois é interpretada como uma decisão de abandonar a estratégia de limitar a propagação do vírus.

Em Portugal, entre 20 de dezembro de 2021 e 3 de janeiro de 2022, foram diagnosticados 178.569 novos casos de covid-19. No ano anterior, foram registrados 55.467 novos casos no mesmo período. O aumento é superior a 220%. De 20 de dezembro de 2021 a 3 de janeiro de 2022, o número médio de internações foi de 959 e o número médio de pessoas em terapia intensiva foi de 149,2. São valores menores em relação ao mesmo período de 2021. O declínio na curva de mortalidade atribuída à covid-19 é ainda maior. Entre 20 de dezembro de 2021 e 3 de janeiro deste ano, a média diária de óbitos foi de 14,8, 79,2% menor que a média de 71,4 óbitos diários no mesmo período do ano passado.

O retorno às aulas está previsto para segunda-feira, dia 10 de janeiro. De 6 a 9 de janeiro, os centros de vacinação estão abertos apenas para imunizar crianças e professores. O governo pede que os alunos sejam vacinados em massa. Até o momento, 30% das crianças receberam a primeira dose da vacina covid-19.

Na Espanha, o ministério da saúde disse que 88,6% das pessoas com mais de 60 anos já receberam uma dose de reforço. Ao mesmo tempo, 31,5% das crianças de cinco a 11 anos já receberam a primeira dose da vacina anticovídica.

Na quarta-feira, 5 de janeiro, foram registrados 137.180 novos casos de 148 mortes. O Superior Tribunal de Justiça da Catalunha autorizou uma prorrogação de 14 dias do toque de recolher (entre 1h e 6h) e a proibição de reuniões com mais de 10 pessoas.

Vários países do  Golfo  estão relatando um aumento nos casos, com o número de infecções diárias chegando a mais de 2.500 na Arábia Saudita e ultrapassando a marca de 1.000 no Catar e no Kuwait.

Israel anunciou a administração de uma quarta dose da vacina anticovídica para profissionais de saúde e pessoas com 60 anos ou mais. Resultados preliminares de um estudo israelense sugerem que uma quarta dose pode aumentar os níveis de anticorpos em cinco vezes. Imunologistas dizem que o excesso vacinal pode provocar alterações imunológicas.

Em 5 de janeiro, Hong Kong anunciou a proibição  de  voos de entrada de oito países, incluindo Austrália, Canadá, França, Índia, Paquistão, Filipinas, Reino Unido e Estados Unidos.

A Índia relatou um aumento acentuado nos casos diários, indicando o início da terceira onda no país. Foram notificados 58.097 novos casos em 5 de janeiro. Em 3 de janeiro, o país estendeu seu  programa de  vacinação para adolescentes de 15 a 18 anos. Cerca de quatro milhões de adolescentes foram vacinados no primeiro dia.

Em 4 de janeiro, o governo da Austrália relatou 47.799 novas infecções. Diante desse surto, o país enfrenta uma escassez de testes antigênicos. O mundo aplaudiu a Austrália por barrar a entrada no país do tenista sérvio Novak Djokovic para participar do torneio de tênis Australia Open 2022. Contrário à vacina, ele quis entrar no país apresentando uma autorização de exceção, mas as autoridades do Aeroporto de Melbourne não aceitaram e invalidaram o visto de entrada do tenista, que foi enviado a um hotel para ficar em quarentena até decisão judicial.

A China colocou em lockdown a cidade de Yuzhou, na província de Henan, após a descoberta de três casos assintomáticos. 

Com a decisão, quase 1,2 milhão de habitantes de Yuzhou, a cerca de 800 quilômetros ao sul de Pequim, deverão ficar em casa, com o objetivo de limitar a propagação do vírus. O país vem reforçando a estratégia de “covid-19 zero” antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, no início de fevereiro. Os novos surtos causaram demissões de autoridades locais. Zhengzhou, capital de Henan, também anunciou o confinamento parcial de alguns bairros após registrar dois casos nas últimas 24 horas. As duas cidades se unem a Xi’an, na província de Shaanxi, onde 13 milhões de pessoas estão há duas semanas sob um dos confinamentos mais severos já adotados pela China desde o início da pandemia.

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