Diabetes mellitus tipo 2 é associado a risco de doença de Parkinson

Erik Greb

Notificação

21 de dezembro de 2021

Nova pesquisa sugere que a presença de diabetes mellitus aumenta o risco de doença de Parkinson, além de causar sintomas mais graves e progressão mais rápida da doença neurológica. 

Em uma revisão sistemática, os pacientes com diabetes mellitus tipo 2 tiveram probabilidade 34% maior de desenvolver doença de Parkinson do que aqueles sem diabetes. Além disso, os pacientes com as duas doenças tiveram escores significativamente piores na Unified Parkinson's Disease Rating Scale (UPDRS) e pior desempenho cognitivo. 

Juntos, os resultados sugerem que "o diabetes pode ser um fator facilitador da neurodegeneração", escreveram os pesquisadores liderados pelo médico Dr. Gennaro Pagano, Ph.D., diretor médico especialista da Roche Pharma Research and Early Development, na Suíça. 

Os achados foram publicados em uma edição recente do periódico Journal of Parkinson's Disease

Questões em aberto 

Pesquisadores há muito propõem a possibilidade de haver uma relação entre o diabetes e a doença de Parkinson, no entanto, estudos de caso-controle produziram resultados conflitantes sobre essa relação, e revisões sistemáticas anteriores não conseguiram esclarecer a questão. 

Na revisão sistemática e metanálise em tela, os pesquisadores identificaram estudos relevantes em bancos de dados como MEDLINE/PubMedCochrane CENTRAL e Scopus

Os estudos elegíveis descreveram a prevalência do diabetes em pacientes com doença de Parkinson e analisaram o fenótipo e a incidência da doença neurológica em pessoas com e sem diabetes. 

Na busca inicial, os pesquisadores identificaram 3.829 artigos, então avaliaram 90 artigos detalhadamente e incluíram 43 estudos na análise. A qualidade dos trabalhos incluídos na análise era considerada moderada ou boa e sem viés de publicação significativo. 

Vinte e um estudos, somando 11.396 pacientes, foram examinados para determinar a prevalência do diabetes em pacientes com doença de Parkinson, que foi estimada em 10,02% — semelhante à prevalência global, de 9,3%, relatada em 2019. 

Os pesquisadores também analisaram 12 estudos de coorte, que somaram 17.797.221 pacientes, para calcular o risco de doença de Parkinson em pacientes com diabetes. A razão de chances (RC) para doença de Parkinson incidente entre pacientes com diabetes tipo 2 foi de 1,34. 

A avaliação do efeito do diabetes na gravidade da doença de Parkinson foi baseada em 10 estudos, que somaram 603 pacientes com ambas as doenças. Como nem todos os estudos continham dados sobre sintomas motores, os pesquisadores consideraram o estágio de Hoehn e Yahr, a pontuação UPDRS e o comprometimento cognitivo. 

Os pacientes com as duas doenças apresentaram pior estágio de Hoehn e Yahr (diferença média padronizada, SMD, 0,36; P < 0,001) e maior pontuação UPDRS (SMD de 0,60; P < 0,001). Em sete dos 10 estudos, a presença de diabetes em pacientes com doença de Parkinson foi associada a pior desempenho cognitivo. 

Mecanismos incertos 

Os mecanismos do efeito do diabetes sobre o risco e a gravidade da doença de Parkinson são incertos, mas os pesquisadores levantaram hipóteses. 

"Mecanismos de sobreposição entre resistência à insulina, disfunção mitocondrial, estresse oxidativo e expressão de alfa-sinucleína podem influenciar o desenvolvimento do processo de neurodegeneração", escreveram eles. 

Como a análise em tela demonstrou tendência de declínio cognitivo mais pronunciado em pacientes com as comorbidades, os médicos devem prestar especial atenção à progressão dos sintomas motores e cognitivos em pacientes com essas doenças, observaram os pesquisadores. 

“São necessários mais estudos para melhor definir o fenótipo clínico dos pacientes com doença de Parkinson e diabetes, e explorar o papel dos antidiabéticos na progressão da doença de Parkinson”, escreveram eles. 

Os autores acrescentaram que os próximos estudos também devem avaliar se os antidiabéticos podem reduzir o risco de doença de Parkinson nesses pacientes. 

Os pesquisadores pontuaram várias limitações da pesquisa; por exemplo, em muitos dos estudos analisados os critérios diagnósticos de diabetes tipo 2 e doença de Parkinson foram baseados apenas em prontuários médicos ou em questionários respondidos pelos pacientes. Os diagnósticos raramente foram confirmados. 

Além disso, nem todos os estudos afirmaram claramente que suas populações apresentavam diabetes tipo 2. Finalmente, os pacientes com diabetes podem ter um risco aumentado de morte cardiovascular, o que pode afetar o acompanhamento relacionado ao desenvolvimento de doença de Parkinson, observam os pesquisadores. 

O Dr. Gennaro Pagano é funcionário da F. Hoffmann-La Roche. 

J Parkinsons Dis. 2021;11:1585-1596.  Abstract  

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