Dormir mal pode comprometer o controle glicêmico na manhã seguinte, mostra estudo

Pam Harrison

Notificação

8 de dezembro de 2021

Deitar-se mais tarde do que o normal e/ou ter uma má noite de sono estão ambos associados ao comprometimento da resposta glicêmica após o desjejum na manhã seguinte em adultos saudáveis, de acordo com um estudo de exposição a múltiplas refeições-teste, conduzido ao longo de 14 dias.

"Nossos dados sugerem que a duração, a eficiência e o ponto médio do sono são importantes fatores para o controle glicêmico pós-prandial em nível populacional", segundo o Dr. Neil Tsereteli, médico, Centro de Diabetes da Lund universitet, na Suécia, e seus colaboradores observaram no artigo publicado on-line em 30 de novembro no periódico Diabetologia.

E os resultados “sugerem que as recomendações genéricas para o sono não são satisfatórias, particularmente no contexto do controle glicêmico pós-prandial, um dos principais componentes da prevenção do diabetes", acrescentaram.

Pesquisas anteriores sobre qualidade do sono e descompensação glicêmica

Alimentação, exercício e sono são elementos fundamentais para um estilo de vida saudável; no entanto, o papel do sono no controle glicêmico em pessoas de modo geral saudáveis foi pouco estudado até agora, explicaram os pesquisadores.

Os distúrbios do sono podem funcionar como um parâmetro da saúde global, visto que costumam ocorrer junto com outros problemas de saúde. A qualidade do sono também tem um efeito causal direto em muitas patologias, como na doença cardiovascular, na obesidade e no diabetes tipo 2. E o sono perturbado causado por quadros como de apneia obstrutiva do sono está associado a prevalência de diabetes tipo 2 e risco de complicações associadas.

Esta e outras evidências sugerem uma forte ligação entre a regulação da glicose e a qualidade e a duração do sono.

Dr. Neil et al. decidiram examinar o tema mais a fundo no Personalized Responses to Dietary Composition Trial 1 (PREDICT 1), que contou com 953 adultos saudáveis que fizeram refeições padronizadas durante duas semanas no contexto hospitalar e em casa.

"As refeições eram consumidas no café da manhã ou no almoço em uma ordem de refeição aleatória e consistia em oito refeições padronizadas diferentes", explicaram os pesquisadores.

A atividade e o sono foram monitorados por meio de um dispositivo vestível com acelerômetro. A glicemia pós-prandial foi verificada por meio do monitoramento contínuo da glicose.

As variáveis do sono, incluindo qualidade, duração e tempo, bem como o impacto na resposta glicêmica ao desjejum na manhã seguinte, foram comparados entre os participantes e em cada indivíduo.

Melhor eficiência do sono, melhor controle da glicose

O estudo constatou que, embora não tenha havido associação significativa entre a duração do sono e a resposta glicêmica pós-prandial, houve uma interação significativa quando o conteúdo nutricional da refeição matinal também foi considerado.

Mais tempo de sono foi associado a glicemia mais baixa após desjejum com alto teor de carboidrato e gordura, indicando melhor controle glicêmico.

Além disso, os pesquisadores observaram um efeito na pessoa em que um participante do estudo que dormiu por mais tempo do que o normal tinha maior probabilidade de ter reduzido a glicemia pós-prandial após um café da manhã com alto teor de carboidrato ou gordura no dia seguinte.

Os autores também encontraram uma ligação significativa entre a eficiência do sono (proporção do tempo efetivo de sono em relação à duração total do período de sono) e o controle glicêmico. Quando um participante dormia com mais eficiência do que o normal, sua glicose pós-prandial também tendia a ser mais baixa do que o normal.

"Esse efeito foi em grande parte impulsionado pelo início do sono (ir para a cama mais tarde), em vez de um período de sono interrompido (acordar mais tarde)", observaram Dr. Neil e colaboradores.

Dormir, um pilar fundamental da saúde

Questionado se esses efeitos específicos do sono podem ser exacerbados em pacientes com diabetes, o autor sênior Dr. Paul Franks, médico, também do Centro de Diabetes da Lund universitet, sentiu que não poderia extrapolar significativamente os resultados para pessoas com diabetes, visto que muitos tomam hipoglicemiantes.

"No entanto, é provável que esses resultados sejam semelhantes ou exacerbados em pessoas com pré-diabetes, já que as flutuações da glicose neste subgrupo de pacientes geralmente são maiores do que em pessoas normoglicêmicas", observou ele.

"O sono é um pilar fundamental da saúde, e focar tanto no sono quanto na alimentação é fundamental para o controle glicêmico saudável", acrescentou.

"Compensar uma noite mal dormida tomando um café da manhã muito açucarado ou bebidas energéticas tem chances de ser especialmente deletério para o controle glicêmico", enfatizou o Dr. Paul.

O estudo foi financiado pela Lund universitet. Os Drs. Neil e Paul informaram não ter conflitos de interesses relevantes ao tema.

Diabetologia. Publicado on-line em 30 de novembro de 2021. Texto completo

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