Cirurgia para perda ponderal é o 'melhor tratamento' para doença hepática gordurosa, diz estudo

Pam Harrison

Notificação

7 de dezembro de 2021

Em pacientes com doença gordurosa hepática não alcoólica (DGHNA) comprovada por biópsia, a cirurgia bariátrica reduz significativamente o risco de eventos adversos maiores tanto hepáticos como cardiovasculares, em comparação com pacientes com características semelhantes, mas que não fizeram a cirurgia, mostra nova pesquisa.

“Este é o primeiro estudo na área médica a relatar uma modalidade de tratamento associada à diminuição do risco de eventos adversos maiores em pacientes com DGHNA comprovada por biópsia”, disse o autor sênior Dr. Steven Nissen, médico do Heart, Vascular and Thoracic Institute, Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, em um comunicado do hospital.

“O estudo SPLENDOR mostra que, em pacientes com obesidade e DGHNA, a perda ponderal substancial e sustentada obtida com a cirurgia bariátrica pode ao mesmo tempo proteger o coração e diminuir o risco de progressão para doença hepática em estágio terminal”, enfatizou.

O estudo foi publicado on-line em 11 de novembro no periódico JAMA.

Estudo SPLENDOR

O estudo Surgical Procedures and Long-Term Effectiveness in NASH Disease and Obesity Risk (SPLENDOR) incluiu 1.158 pacientes com DGHNA comprovada por biópsia sem cirrose; 650 fizeram cirurgia bariátrica e 508 integraram o grupo de controle. A idade mediana dos participantes era de 49,8 anos; a mediana do índice de massa corporal (IMC) era de 44,1 kg/m2; e quase 64% eram mulheres.

Os procedimentos bariátricos consistiram em bypass gástrico em Y de Roux (realizado em 83% dos pacientes) e gastrectomia vertical (realizada em 17% dos pacientes).

Os desfechos primários pré-especificados foram a incidência de eventos adversos hepáticos e cardiovasculares importantes, observou o primeiro autor do estudo, Dr. Ali Aminian, médico e diretor do Bariatric & Metabolic Institute, Cleveland Clinic, nos EUA. Os principais eventos adversos hepáticos foram progressão para cirrose clínica ou histológica, desenvolvimento de carcinoma hepatocelular, necessidade de transplante de fígado ou morte relacionada ao fígado.

Os eventos adversos cardiovasculares foram um composto de eventos coronarianos, eventos cerebrovasculares, insuficiência cardíaca ou morte cardiovascular.

Em um acompanhamento médio de sete anos, cinco pacientes no grupo da cirurgia bariátrica versus 40 controles apresentaram um evento adverso hepático importante.

No 10º ano de acompanhamento, a incidência cumulativa de eventos adversos hepáticos importantes era 88% menor no grupo da cirurgia bariátrica, tendo ocorrido em 2,3% dos pacientes neste grupo, em comparação com 9,6% dos incluídos no grupo de controle (razão de risco, RR, de 0,12; P = 0,01), relataram os pesquisadores.

Ao final do estudo, 39 pacientes no grupo da cirurgia haviam apresentado algum evento adverso cardiovascular maior versus 60 pacientes no grupo de controle. Após 10 anos, a incidência cumulativa desses eventos foi 70% menor no grupo da cirurgia bariátrica (8,5%) do que no grupo de controle (15,7%) (RR de 0,30; P = 0,007).

No 10º ano de acompanhamento, a cirurgia bariátrica também havia reduzido o peso corporal médio em 22,4% em comparação com a perda ponderal, em média, de 4,6% entre os controles (P < 0,001), e entre os pacientes com diabetes, a bariátrica também levou a uma redução significativa da hemoglobina glicada.

No entanto, o risco de eventos adversos maiores nos 30 primeiros dias após a cirurgia bariátrica foi relativamente alto, de 9,5%, observaram os autores. Mas no primeiro ano após a realização do procedimento, apenas quatro pacientes (0,6%) morreram de complicações cirúrgicas, incluindo dois pacientes com fístula gastrointestinal.

O principal tratamento contra a DGHNA é a perda ponderal

Como os autores apontaram, a obesidade é o principal fator fisiopatológico da DGHNA, e a perda ponderal, quando alcançada, é o principal tratamento contra a DGHNA.

“No entanto, a cirurgia bariátrica é a terapia mais eficaz disponível contra a obesidade”, enfatizaram.

O Dr. Shanu Kothari, médico e presidente da American Society for Metabolic & Bariatric Surgery, concordou, dizendo em uma declaração: “Nenhum tratamento além da cirurgia bariátrica demonstrou um efeito tão significativo na redução do risco de desfechos graves ou morte em pacientes com DGHNA”.

“A cirurgia bariátrica deve ser considerada como tratamento de primeira linha para esses pacientes”, enfatizou.

E, como apontado pelo Dr. Ali, não há nenhum medicamento aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento de esteatose hepática.

“Os impressionantes achados deste estudo fornecem fortes evidências de que a cirurgia bariátrica deve ser considerada uma opção terapêutica eficaz para pacientes com esteatose hepática avançada e obesidade”, acrescentou ele no comunicado.

O Dr. Ali informou receber apoio para pesquisa e honorários para palestras da Medtronic. O Dr. Steven informou receber apoio para pesquisa da Medtronic e Ethicon.

JAMA. Publicado on-line em 11 de novembro de 2021.  Abstract


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