Jovem de 17 anos com alucinações sobre marcianos e paranoia

Raheel I. Shaikh; Neal T. Patel; Alexander Martinek; Dr. Imran Shaikh

Notificação

7 de dezembro de 2021

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Os pais de um jovem de 17 anos explicam que ele tem apresentado alucinações, delírios e paranoia há mais de seis meses, e que é muito excitável. O rapaz diz estar sendo perseguido por marcianos, e suspeita que sua irmã mais nova rouba suas coisas.

Sua história médica, social e psiquiátrica revela um episódio depressivo agudo há três anos. Sua história familiar revela avó paterna com transtorno bipolar. A história patológica pregressa de seus pais não tem nada digno de nota.

O paciente informa não usar bebidas alcoólicas nem alucinógenos. A mãe diz que ele começou a fumar cigarros há um ano, aproximadamente um maço por semana. O paciente também refere uso de maconha há sete meses e diz que acredita ter fumado cerca de 1 g.

Exame físico e propedêutica

O paciente pesa 65,8 kg e mede 177,8 cm. Sua temperatura é 36,6 °C. Pressão arterial de 146 × 94 mmHg, frequência cardíaca regular de 96 batimentos por minuto (bpm); 22 incursões respiratórias por minuto (irpm), com respiração rápida e superficial. Estado mental excitável e paranoico.

Durante a consulta mantém-se indiferente e desconfiado. Afeto embotado ao descrever seus encontros com marcianos. Também se queixa de que sua irmã rouba suas coisas. Seu discurso é coerente, está orientado auto e alopsiquicamente. Nega pensamentos destrutivos para com outrem ou consigo mesmo. Boa memória (imediata, recente e distante).

A avaliação laboratorial consiste em várias análises para confirmar ou descartar possíveis causas de psicose. Para detectar psicose metabólica e induzida por drogas, é feito toxicológico na urina com especificidade para maconha, heroína, anfetaminas e cocaína. Os resultados são negativos para o uso de todas essas drogas.

O hemograma completo, a dosagem da vitamina B12 e as provas de função renal e hepática mostram todos os valores dentro dos intervalos normais. Provas de função tireoidiana são solicitadas para excluir psicose por hipertireoidismo; o nível do hormônio estimulante da tireoide (TSH, do inglês Thyroid-Stimulating Hormone) do paciente está dentro da faixa normal, 2,2 mUI/L (referência de 0,358 a 3,74 mUI/L). Níveis de triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) também estão normais. É solicitada dosagem de cobre para verificar a psicose induzida pela doença de Wilson; no entanto, os níveis de cobre estão normais.

É feita uma tomografia computadorizada de crânio (TC) para descartar massa ou aumento da pressão intracraniana por traumatismo. Nenhuma lesão ou indício de trauma são observados no exame. A figura abaixo mostra achados semelhantes no exame de outro paciente.

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