Portugal impõe medidas mais restritivas para frear a avanço da Ómicron

Giuliana Miranda

6 de dezembro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

Lisboa — Apesar de ter uma das melhores taxas de vacinação contra a covid-19 do mundo, com 87,7% da população totalmente imunizada, em 1º de dezembro Portugal passou a adotar medidas mais rigorosas contra a disseminação da mais nova variante do SARS-CoV-2.

A apresentação de testes negativos para infecção pelo novo coronavírus passou a ser obrigatória em várias situações: casas de repouso e serviços de saúde em geral, bares, discotecas e grandes eventos, por exemplo, jogos em estádios de futebol.

A exigência de apresentação de certificado de vacinação (ou de recuperação da covid-19 há menos de seis meses) também foi alargada. O documento passa a ser obrigatório para frequentar hotéis, restaurantes (áreas internas), bingos, ginásios e eventos em geral. Nestes estabelecimentos, a apresentação de testes negativos à covid-19 pode substituir a apresentação do certificado de vacinação ou de recuperação.

Os testes negativos também passaram a ser exigidos àqueles que viajam ao país, mesmo se forem completamente vacinados e portadores do certificado digital da União Europeia.

A exigência mais frequente de testes negativos fez a demanda pelas análises disparar no primeiro fim de semana com as medidas em vigor. Em Lisboa, no Porto e em várias outras cidades, farmácias e laboratórios tiveram longas filas. Muitos portugueses declaram não ter conseguido aceder ao rastreamento.

O Ministério da Saúde de Portugal afirmou que haverá reforço no sistema de testes. Farmácias também prometem ampliar a oferta, inclusive com a montagem de estruturas provisórias para testagem.

A decisão de ampliar as medidas de controle acontece em um momento de agravamento da situação da pandemia na Europa, de aumento do número de casos no país e da preocupação com a variante ómicron, que já foi identificada em território português.

Classificada como variante de preocupação (VOC, do inglês variant of concern) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a presença da variante, identificada primeiro na África do Sul, em Portugal foi confirmada em 29 de novembro. Por enquanto, todos os 19 casos de infecção pela ómicron estão ligados a um surto em um time de futebol envolvendo tanto jogadores como trabalhadores da área técnica.

Um profissional de saúde infetato neste surto acabou por provocar o isolamento de parte da equipa de pediatria do hospital Garcia de Orta, em Almada, onde também presta serviço. A situação levou à determinação de isolamento profilático de 28 profissionais do hospital, além de 28 crianças que estiveram no local. A urgência de pediatria foi encerrada por um período de 14 dias.

Ainda contra a variante ómicron, Portugal determinou também a suspensão de voos com origem ou destino em Moçambique, ex-colónia portuguesa que é vizinha à África do Sul. Viajantes destes e de outros países do sul do continente africano também passam a estar sujeitos a uma quarentena após a chegada a Portugal.

Mesmo antes da identificação da presença da cepa, os casos de covid-19 vinham em alta no país. No dia 03 de dezembro 12, o país registou 21 mortes pela doença: o valor mais elevado desde março. O número de casos também teve um dia de pico nesta semana: 4.670 – o maior número desde fevereiro.

Embora as hospitalizações também tenham aumentado, a quantidade de internados ainda não é considerada motivo de preocupação pelas autoridades. Dados de 03 de dezembro indicavam 972 internamentos por covid-19, sendo 129 em unidades de cuidados intensivos (UCI). Na mesma data de 2020, havia 3.338 pessoas internadas, 525 em UCI.

Em janeiro de 2021, Portugal viu a pandemia sair de controle, com um grande aumento no número de infeções e mortes. Com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) próximo do limite, autoridades chegaram a pedir auxílio de outros países europeus. A implementação de um confinamento bastante restritivo ajudou a derrubar os números já em fevereiro.

O primeiro-ministro do país, António Costa, afirmou que é necessário “estar sempre atento” à evolução da pandemia, e não afasta a implementação de medidas restritivas adicionais caso haja deterioração da situação sanitária. 

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