Covid-19: Resumo da semana (27 de novembro a 3 de dezembro)

Equipe Medscape Professional Network

3 de dezembro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2.

Na manhã da sexta-feira (3), o Brasil registrou 615.225 mortes e 22.117.364 casos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2 desde o início da pandemia. Os dados são do levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa em secretarias estaduais de saúde. O consórcio é formado por G1O GloboExtraFolha de S. Paulo, Estado de S. PauloUOL.

Até a noite de quinta-feira (2), o Brasil confirmou cinco casos de infecção pela nova cepa do vírus SARS-CoV-2. Os primeiros três casos foram detectados na cidade de São Paulo nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro. Os dois pacientes iniciais foram um casal de missionários brasileiros que vive na África do Sul e veio visitar os parentes na zona leste da cidade de São Paulo. O casal desembarcou dia 23 no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O terceiro caso foi um homem de 29 anos que veio da Etiópia e desembarcou no mesmo aeroporto no dia 27.

Mais dois casos foram confirmados no dia 2 em Brasília (DF). As duas pessoas estavam em um voo que veio da África do Sul, passou pela Etiópia e aterrissou em Guarulhos (SP), no dia 27 de novembro. Os dois passageiros voaram de Guarulhos para Brasília. Um apresentou sintomas e o outro permanece assintomático. A secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que monitora seis passageiros do mesmo voo SP-Brasília.

A variante Ômicron – também chamada B.1.1529 – foi reportada à Organização Mundial de Saúde (OMS) em 24 de novembro de 2021 pela África do Sul.  O primeiro caso confirmado foi de uma amostra coletada em 9 de novembro de 2021 no país. Na terça (30), autoridades sanitárias da Holanda afirmaram que a variante já estava presente no país em 19 de novembro. Portanto, antes da comunicação feita pela África que alertou o mundo e também uma semana antes do que se estimava sua chegada à Europa.

Os primeiros estudos genômicos revelaram que a variante tem pelo menos 50 alterações genéticas, sendo 32 delas na proteína da espícula (spike, em inglês) do SARS-CoV-2. No entanto, ainda pouco se sabe sobre a sua virulência e transmissibilidade.

Os cientistas perguntam se a variante Ômicron irá superar a Delta e em quanto tempo isso poderá ocorrer. Há suspeitas ainda não confirmadas de que a Ômicron é mais infecciosa e de que pode ser capaz de escapar da proteção vacinal ou imunidade conferida pela recuperação da covid-19.

Na sexta-feira (3), a cientista chefe da OMS, Dra. Soumya Swaminathan, disse que a variante Ômicron é muito transmissível. A cientista fez também alerta para evitar o pânico: "Até que ponto devemos ficar preocupados? Precisamos estar preparados e cautelosos, e não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás.” Na sexta (3), a OMS não havia registrado nenhuma morte pela nova variante.

Divulgada na quinta-feira (2), a nova edição do Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, aponta tendência de estabilização dos principais indicadores da transmissão da covid-19 no Brasil até o momento. Uma média diária de 9,2 mil casos confirmados e 230 óbitos por covid-19 foi notificada durante a Semana Epidemiológica 47 (21 a 27 de novembro). Isso representa um pequeno aumento do número de casos registrados (1,6% ao dia) e de óbitos (2,4% ao dia) em relação à semana anterior (14 a 20 de novembro).

O documento analisou ainda a disparidade de aplicação de vacinas no mundo. Se na Alemanha a cobertura vacinal completa alcança 67,9% da população, na Romênia e na Bulgária esse número despenca para, respectivamente, 38,8% e 25,6%. No continente africano esses indicadores são muito piores e a cobertura vacinal completa média é de 7,3%, sendo que em alguns países a campanha de vacinação ainda nem começou.

Os pesquisadores reforçam que “as iniquidades na distribuição e acesso às vacinas no nível global, combinadas com o limite das campanhas de vacinação em países com disponibilidade e acesso às vacinas, vêm contribuindo para o surgimento de variantes de preocupação (VOC, do inglês variant of concern). Não haverá proteção para alguns países e populações se não houver vacinas para todos, sendo que, no Brasil, o princípio da equidade é um pilar do SUS.”

O surgimento da variante Ômicron trouxe à tona o debate sobre a falta de equidade na distribuição das vacinas ao redor do mundo. Reportagem publicada pelo Estadão documentou essa realidade com dados e infográficos. Confira.

15 cidades brasileiras já exigem comprovante vacinal

As regras variam a cada município, mas até a sexta-feira (3), a apresentação obrigatória do comprovante de vacinação ou teste negativo de covid-19 passou a ser exigida em pelo menos 15 capitais brasileiras. Em Florianópolis (SC), por exemplo, o passaporte vacinal é exigido para acessar shows, feiras, congressos e jogos com público superior a 500 pessoas. Em São Paulo, a prefeitura exige o comprovante de vacinação para entrada em eventos com mais de 500 pessoas, mas não é preciso apresentar o documento em bares, restaurantes e shoppings. Ainda não há obrigatoriedade de apresentação do documento em Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Goiânia, Macapá, Maceió, Porto Alegre, São Luís e Vitória.

Prefeitos cancelam Revéllion

Até a sexta-feira (3), prefeituras de pelo menos 16 capitais haviam cancelado total ou parcialmente as festas de final de ano por causa da covid-19: Aracaju, Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Palmas, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo, São Luís e Vitória. Na quinta-feira (2), o prefeito de São Paulo anunciou o cancelamento das festividades de ano novo na Avenida Paulista.

Pelo menos 10 cidades no estado do Rio de Janeiro cancelaram o Revéllion, mas o governo ainda não anunciou uma medida definitiva sobre os eventos na capital. Em entrevista ao canal Globonews, a pneumologista Margareth Dalcolmo disse que as festas deveriam ter sido canceladas independentemente do surgimento da variante Ômicron.

A semana das vacinas

Mais de 63,36% da população brasileira recebeu duas doses ou dose única de uma vacina anticovídica e foram completamente imunizados (135.164.013 pessoas). Outros 74,7% receberam a primeira dose (159.343.702 pessoas). A dose de reforço alcançou até agora 7,9% da população.

Na quinta-feira (2), o governo de São Paulo anunciou a redução de 5 para 4 meses do intervalo para aplicação da dose adicional da vacina contra a Covid-19. Para o imunologista Gustavo Cabral, que desenvolve vacina anticovídica no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/USP), foi uma decisão política e sem base científica e afeta a equidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Teste com seis vacinas atesta impacto do reforço

Estudo publicado pelo periódico The Lancet na quinta-feira (2) comprovou que doses de reforço dadas com as vacinas contra a covid-19 Oxford-AstraZeneca, Pfizer-BioNTech, Moderna, Novavax, Janssen e CureVac são seguras e aumentam a resposta imunológica em pessoas anteriormente vacinadas com as duas doses de Pfizer/BioNTech ou da vacina AstraZeneca/Oxford.

Segundo o estudo, os níveis de anticorpos estimulados pela terceira dose aumentaram entre 1,8 e 32,3 vezes, de acordo com a vacina escolhida como reforço em pessoas imunizadas com AstraZeneca/Oxford, e de 1,3 a 11,5 vezes em pessoas previamente vacinadas com o imunizante da Pfizer. Reações foram sentidas principalmente pelos participantes mais jovens.

Vacina para desinformação

Para esclarecer aqueles que ainda nutrem alguma dúvidas sobre a relação entre as vacinas e o surgimento variantes, o site Vocativo publicou uma reportagem para desmistificar o boato.

Kit diagnóstico para Ômicron 

A farmacêutica Roche anunciou nesta sexta-feira (3) que desenvolveu com sua subsidiária, a TIB Molbiol, três kits de testes para uso em pesquisa com foco na detecção da variante Ômicron. Segundo os fabricantes, os kits utilizam a tecnologia qPCR (reação em cadeia da polimerase quantitativa) para detectar mutações exclusivas da Ômicron.

Em teste preliminar, anticorpo combate mutações da Ômicron

Na quinta-feira (2), a farmacêutica Glaxosmithkline e a empresa de biotecnologia Vir anunciaram resultados positivos em testes preliminares (in vitro e in vivo) com os anticorpos monoclonais sotrovimabe (uso restrito a hospitais) e VIR-7832 contra a cepa Ômicron. Os dois anticorpos conseguiram neutralizar mutações presentes na nova variante. Os dados, ainda sem revisão de pares, foram compartilhados na plataforma bioRxiv .

Mais evidências sobre a ação dos ISRS contra a covid-19

Nova análise dá suporte a evidências sugerindo que os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) podem estar associados à redução de gravidade e mortalidade na covid-19. Uma grande análise de prontuários mostra que pacientes com covid-19 que utilizaram algum ISRS tiveram probabilidade significativamente menor de morrer de covid-19 do que um grupo de controle pareado.

Prioridade para o DNA das amostras de imunocomprometidos

Enquanto as autoridades aguardam mais informações sobre a virulência, transmissibilidade e potencial de evasão da vacina da variante Ômicron, é aconselhável dar prioridade ao sequenciamento genético de amostras de vírus positivas especialmente de pessoas imunocomprometidas. A recomendação foi feita por especialistas da Infectious Diseases Society of America (IDSA) em entrevista coletiva na quinta-feira (2).

“Parece ser um vírus que surgiu em um único paciente, provavelmente alguém que estava gravemente imunossuprimido e não conseguiu eliminar a infecção", disse Dr. Carlos Del Rio, presidente eleito do conselho diretor da IDSA e professor de saúde global e epidemiologia da Rollins School of Public Health of Emory University, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Covid aumenta risco de pré-eclâmpsia, aponta estudo

Estudo brasileiro indica que a prevalência de pré-eclâmpsia é maior em gestantes com infecção pelo SARS-CoV-2 do que na população geral. De acordo com os resultados, o quadro clínico das pacientes infectadas também foi mais grave e a taxa de indução do parto por deterioração do quadro materno, mais elevada. Os pesquisadores avaliaram uma série de casos de gestantes com infecção por SARS-CoV-2 grave atendidas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Doença autoimune neuropsiquiátrica em adolescentes?

Pesquisas recentes sugerem que pacientes pediátricos que desenvolvem sintomas neuropsiquiátricos devido à covid-19 podem ter anticorpos antineuronais SARS-CoV-2 intratecais. Especialistas acreditam que isso pode sugerir doença autoimune do sistema nervoso central (SNC) nesses pacientes.

Maior consumo de álcool entre mulheres jovens

Embora o uso de álcool tenha aumentado entre homens e mulheres, mais pesquisas indicam tendência crescente de consumo exacerbado de álcool por mulheres, especialmente as mais jovens. Confira os achados de um programa on-line de tratamento da dependência de álcool nos Estados Unidos.

O avanço da covid-19 no mundo

O planeta registrou, nesta sexta-feira (3), 264.438.500 diagnósticos de infecção pelo novo coronavírus e 5.238.702 mortes por covid-19 e complicações associadas à infecção, segundo o monitor Coronavírus Resource Center , da Johns Hopkins University (EUA). 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) exortou no domingo os países a não impor uma proibição de voos aos países da África Austral por causa de preocupações com a nova variante Ômicron. O Diretor Regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, estimulou os países a seguirem os regulamentos internacionais de ciência e saúde para evitar o recurso a restrições de viagens.

Na semana passada, 753.000 novos casos de covid-19 e mais de 13.000 mortes associadas à doença foram relatados no continente americano. De acordo com a Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa F. Etienne, 54% da população da América Latina e do Caribe estão totalmente vacinados. 

Na quarta-feira (1), os Estados Unidos confirmaram o primeiro caso da variante Ômicron no país, detectado na Califórnia, como informou a agência federal dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Segundo a agência, trata-se de um viajante que voltou da África do Sul em 22 de novembro. A pessoa apresentou sintomas leves e melhorou. Em resposta, o país emitiu novas proibições de viagens para a África do Sul e reforçou a recomendação de reforço vacinal para todos os adultos. Enquanto isso, a variante Delta continua causando estragos no Centro-Oeste e no Nordeste. Além disso, a maioria dos modelos prevê um novo aumento nos casos após os feriados de final de ano, um dos períodos mais intensos de viagem no mundo. Por enquanto, os casos de covid-19 nos Estados Unidos parecem estar estáveis, com média de 85.000 casos diários e 900 mortes, provavelmente devido a atrasos na notificação durante o feriado de Ação de Graças.

No México, o número estimado de casos aumentou 8% em relação à semana anterior. O secretário de Saúde não descarta uma quarta onda. De acordo com as autoridades sanitárias, 85% das pessoas vacinadas contra a Covid-19 estão totalmente vacinadas. O presidente mexicano garantiu que a terceira dose da vacina terá de ser aplicada, tendo como prioridade idosos e professores.

Na América Central, o número de casos e mortes caiu na semana passada em todos os países, exceto no Panamá. Na América do Sul, o número de casos vem aumentando continuamente por várias semanas. Na região andina, o número de casos está se estabilizando. No Caribe, os casos estão aumentando nas Ilhas Cayman e em Anguilla.

A Dra. Etienne também apelou ao cumprimento de medidas de barreira, como o uso de máscaras, distanciamento social e lavagem frequente das mãos, definindo-as como "as ações mais eficazes para reduzir a propagação do vírus SARS-CoV-2, reduzir hospitalizações e salvar vidas. É importante observar que essas medidas são eficazes contra todas as variantes, incluindo a Ômicron.

No continente africano, os novos casos diários quase dobraram na África do Sul. Na terça-feira (30), eram 4.373 os infectados em 24 horas. No dia seguinte, o número foi para 8.561, de acordo com as estatísticas oficiais. Segundo dados do National Institute for Communicable Diseases (NICD), os casos aumentaram mais de quatro vezes em duas semanas (330%) na província de Gauteng, a região onde a variante Ômicron foi detectada pela primeira vez, com uma das taxas de vacinação mais baixas do país (menos de 40% têm o esquema de imunização completo).

Na terça-feira, a empresa sul-africana Aspen Pharmacare  anunciou um acordo de licenciamento para embalar e vender a vacina covid-19 da Johnson & Johnson na África.

O CDC Africano tem assegurado que o sequenciamento retrospectivo de casos confirmados entre os viajantes para a Nigéria identificou a nova variante em amostras colhidas em outubro. O país está acelerando sua campanha de vacinação. Postos móveis dentro de shoppings e estações de transporte público já distribuem doses.

Em relação à vacinação no continente africano, apenas 7% da população estão totalmente vacinados. Além disso, autoridades de saúde da Nigéria relataram na quarta-feira (1) três casos da nova variante Ômicron em passageiros da África do Sul.

No Reino Unido, o número total de casos confirmados de infecções com a nova variante Ômicron do SARS-CoV-2 foi de 22 em 1º de dezembro. Na terça-feira, 30 de novembro, o governo adotou medidas para conter sua disseminação: uso obrigatório de máscaras em lojas e transportes públicos, além da prorrogação e intensificação do programa de vacinação.

As doses de reforço serão estendidas a todos os adultos com 18 anos ou mais. O governo também prometeu que todos os elegíveis receberão uma dose de reforço até o final de janeiro, o que envolverá a distribuição de cerca de 30 milhões de doses nos próximos dois meses. Crianças de 12 a 15 anos devem receber uma segunda dose de Pfizer/BioNTech em 3 meses após a primeira dose. Algumas pessoas gravemente imunocomprometidas também podem receber uma quarta dose.

Pelo menos 400 soldados serão mobilizados para participar do esforço de vacinação e os centros de vacinação temporários "crescerão como árvores de Natal", disse o primeiro-ministro Boris Johnson.

Além disso, todos os viajantes que chegarem ao Reino Unido deverão realizar um teste de PCR em dois dias e se isolar até que o teste seja negativo.

Para todo o Reino Unido, a taxa de incidência está em 439,4 novos casos por 100.000 habitantes. O número de óbitos caiu 14,9% e o número de internações hospitalares caiu 7,1%. Até o momento, 80,6% dos maiores de 12 anos receberam duas doses e 31,7% receberam uma terceira dose da vacina ou reforço.

Na sexta-feira (3), foram confirmados os nove primeiros casos de infecção pela variante Ômicron na França. A maioria das pessoas voltou da África. A França tornou mais rígidas as suas condições de entrada para os não-europeus. O porta-voz do governo, Gabriel Attal, anunciou a obrigatoriedade de um teste negativo feito em menos de 48 horas para viajantes não-europeus que desejam retornar à França.

A variante preocupa os especialistas, pois a quinta onda continua avançando fortemente no país. Na quarta-feira (1), o número de pacientes hospitalares foi de 10.558, quantidade que se aproxima do pico da quarta onda neste verão, com mais de 11.200 pacientes com covid-19 registrados no hospital em 30 de agosto.

Desde a recomendação da dose de reforço para todos os maiores de 18 anos, os postos de vacinação estão saturados e as consultas praticamente impossíveis de fazer. A Haute Autorité de Santé (HAS) recomendou “a vacinação contra o coronavírus para crianças de 5 a 11 anos em risco de desenvolver uma forma grave da doença”, e aguarda novas informações para uma possível extensão a todas as crianças.  

Na Alemanha, a incidência de infecções por 100.000 habitantes no dia 1º de dezembro pela manhã foi de 442,9 (semana anterior: 404,5; mês anterior: 118,0). A taxa de transmissão em 7 dias atualmente é de 0,89, e está abaixo de 1,01 há uma semana. Ao menos 3 casos da variante Ômicron foram confirmados no país. Mais de 57 milhões de pessoas já estão totalmente vacinadas contra a covid-19. Isso representa 68,6% da população total. 

O chanceler indicado Olaf Scholz (SPD) e a chanceler Angela Merkel (CDU) concordaram na terça-feira (30) com os chefes das províncias federais que novas ações seriam decididas nos próximos dias. A meta dos governos federal e estadual de fornecer até 30 milhões de primeiras e segundas doses de vacinas e reforços até o Natal não seria alcançável com a taxa atual de vacinação. A uma taxa de cerca de 800 mil vacinações por dia, um total de apenas cerca de 20 milhões seria alcançado até o Natal.

No momento, há restrições de contato para pessoas não vacinadas, requisitos mais rígidos durante grandes eventos e acesso reservado para pessoas vacinadas ou recuperadas da covid-19 para outros setores, como varejo. Também está prevista a introdução de uma obrigatoriedade de vacinação universal, que deve começar na primavera de 2022.

Após confirmar 14 casos de infecção pela variante Ômicron, Portugal entrou em estado de calamidade em 1º de dezembro. Isso implica em maiores controles de fronteira e aeroportos, com exigência de testes negativos de covid-19. Os certificados digitais e de vacinação passaram a ser obrigatórios para o acesso a restaurantes – exceto os de varanda e terraços –, pontos turísticos, eventos com assento marcado, academias, cassinos, bingos, entre outros.

O governo definiu, na semana passada, medidas restritivas para as comemorações de fim de ano. A contenção parcial será colocada em prática após o período de Natal e Ano Novo, na semana de 2 a 9 de janeiro. As escolas só retomarão as atividades no dia 10 de janeiro. Bares e clubes também estarão fechados na primeira semana do ano e o teletrabalho será obrigatório. Além de outras medidas, o governo recomendou que testes regulares sejam realizados antes das reuniões familiares de final de ano.

O país tem mais de 87% da população totalmente vacinada. A incidência nacional em 3 de dezembro foi de 374 casos por 100.00 habitantes. Na semana passada, estava em 325,9 por 100.000 habitantes. A taxa de transmissão nacional está em 1,13. Na semana passada, estava em 1,17.

Na Itália, os primeiros casos ligados à variante Ômicron foram relatados em uma família cujo pai havia viajado para Moçambique e África do Sul. O número de casos de infecções por variantes Delta segue aumentando. Na semana passada, foi ultrapassado o limiar de 100 novos casos por 100 mil habitantes, chegando a 112: o vírus está circulando no mesmo nível da primavera passada. A taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva também está em alta (de 5,3% para 6,2%). Entrou em vigor um novo decreto governamental que estende a vacinação obrigatória a professores, militares e policiais e restringe o acesso a centros comerciais, cinemas, teatros, em restaurantes e academias apenas a pessoas vacinadas ou recuperadas da covid. 

Até o momento, quase 85% das pessoas com mais de 12 anos foram vacinadas. Somando quem recebeu ao menos uma dose e aqueles que se recuperaram da infecção natural há menos de 6 meses, 9 em cada 10 italianos com mais de 12 anos agora se beneficiam de alguma forma de proteção, segundo o Ministério da Saúde. Máscaras ao ar livre tornaram-se novamente obrigatórias em algumas cidades.

Na Espanha, dados de 30 novembro indicam que a incidência em 14 dias atingiu 208,5 casos por 100.000 habitantes, números não vistos desde o início de setembro. O Ministério da Saúde espanhol recomendou limitar a quantidade de pessoas em eventos públicos e sociais, “em particular durante as férias de Natal”. Na quarta-feira (1), dois casos pela variante Ômicron foram confirmados na Espanha. Os pacientes estiveram na África do Sul e foram totalmente vacinados.

A pasta aprovou na  terça-feira (30) medidas excepcionais para conter a propagação da variante B.1.1.529 (Ômicron), ao limitar os voos entre a África do Sul, Botswana, Essuatini, Lesoto, Moçambique, Namíbia e Zimbábue e os aeroportos da Espanha. Na população em geral, o progresso da imunização quase não avançou: 79,3% têm o esquema vacinal completo e 80,8% receberam pelo menos uma dose.

Na semana passada, Israel registrou quatro casos confirmados de variante Ômicron e 34 suspeitos. O governo decidiu fechar as fronteiras por 14 dias para a maioria dos países africanos. Diz-se que um dos infectados com a variante Ômicron é um cardiologista que voltou de um congresso profissional em Londres.

Na Austrália, as autoridades estão em alerta após a confirmação de cinco casos pela variante Ômicron. Todos os casos foram colocados em quarentena e permanecem assintomáticos ou levemente sintomáticos. Em resposta à ameaça representada por esta nova variante, o país adiou por pelo menos duas semanas seu plano para aliviar as restrições de fronteira.

Nova Zelândia decidiu ir em frente com seu projeto de flexibilizar as restrições em Auckland, apesar da ameaça da variante Ômicron. Bares, restaurantes e academias foram reabertos. No entanto, viagens para a Nova Zelândia foram restritas para 9 países da África Austral.

Japão relatou dois casos confirmados de Ômicron. O primeiro caso foi um jovem diplomata que viajou para a Namíbia e o segundo foi um homem com cerca de 20 anos que estava hospedado no Peru. Os dois casos não estão relacionados. Em 29 de novembro, o Japão anunciou a proibição de entrada de todos os estrangeiros para conter a propagação da variante Ômicron.

Coreia do Sul relatou um aumento no registro do número de infecções diárias de covid-19, com 5.123 novos casos relatados em 1º de dezembro. No mesmo dia, o país notificou os primeiros 5 casos confirmados de infecção pela variante Ômicron.

A China se ofereceu para fornecer um bilhão de doses da vacina covid-19 à África em uma recente cúpula China-África no Senegal. A China expressou preocupação de que a variante Ômicron, de rápida disseminação, possa criar sérios problemas para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 em Pequim.

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