Aprovações da Anvisa: Huntington, DPOC e câncer esofágico

Equipe Medscape Professional Network

22 de novembro de 2021

Deutetrabenazina para a doença de Huntington

A deutetrabenazina foi aprovada em outubro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da discinesia tardia e da coreia associadas à doença de Huntington.

Já aprovado nos Estados Unidos, o medicamento foi desenvolvido com o intuito de suprir as limitações da tetrabenazina oral, um inibidor da proteína VMAT2 (transportador vesicular de monoamina 2) com ação central. Aprovada no Reino Unido há mais de 35 anos, a tetrabenazina também é usada nos EUA, na União Europeia, no Canadá, na Austrália, na Coreia do Sul, no Japão e no Taiwan.

Ao inibir a VMAT2 no sistema nervoso central, a tetrabenazina esgota as monoaminas pré-sinápticas, inclusive a dopamina, e diminuindo a coreia. Embora tenha demonstrado eficácia, o rápido metabolismo dos metabólitos ativos circulantes (α- e β-di-hidrotetrabenazina total [(α + β) -HTBZ]) resulta em grandes flutuações plasmáticas e na necessidade de doses frequentes.

Na justificativa da aprovação da deutetrabenazina, a Anvisa explica que a tetrabenazina tem baixa tolerabilidade e um perfil de efeitos colaterais fraco devido a sua rápida absorção e metabolismo, e curta meia-vida de metabólitos ativos alfa-dihidro-tetrabenazina (α-HTBZ) e beta-dihidrotetrabenazina (β-HTBZ). No caso da deutetrabenazina, o aumento da força das ligações carbono-deutério atenua o metabolismo mediado pela enzima CYP2D6, resultando em meias-vidas mais longas dos metabólitos ativos circulantes ([α + β] -HTBZ) e variabilidade metabólica reduzida. O metabolismo atenuado de CYP2D6 também reduz as interações medicamentosas e permite menos frequências de administração, o que pode aumentar ainda mais a segurança.

O benefício associado ao uso da deutetrabenazina por pacientes com doença de Huntington foi demonstrado no estudo de fase 3 C-15 (Primeiro-DH), no qual observou-se uma redução robusta, clinicamente relevante e estatisticamente significativa no Escore Máximo de Coreia Total (TMC). Resultados do estudo de longo prazo (Estudo C-16) demonstraram persistência da melhora no TMC com o uso de deutetrabenazina por pacientes com doença de Huntington. O medicamento está disponível em comprimidos revestidos, nas concentrações de 6 mg, 9 mg e 12 mg. As bulas do paciente e do profissional ainda não se encontravam disponíveis no site da Anvisa em 10 de novembro.

 

Propionato de fluticasona para DPOC

Em julho, a Anvisa aprovou o uso do propionato de fluticasona (500 µg duas vezes ao dia) para o tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) em combinação com broncodilatadores de longa duração como, por exemplo, os beta-agonistas de ação prolongada (LABA).

O propionato de fluticasona, da classe dos corticosteroides, já era indicado para a profilaxia da DPOC em pacientes com asma leve, moderada ou grave em adultos e crianças a partir de um ano de idade que necessitam de medicação para prevenção, incluindo pacientes não controlados com a medicação profilática disponível no mercado atualmente.

Inalado nas doses recomendadas, o fármaco apresenta uma potente ação anti-inflamatória glicocorticosteroide sobre os pulmões, o que resulta na redução dos sintomas e no controle da asma. Há também redução significativa dos sintomas da DPOC e melhora da função pulmonar independentemente de idade, sexo, função pulmonar basal, presença de tabagismo e estado atópico. Esses benefícios proporcionam melhora significativa da qualidade de vida. No tratamento da asma, o início do efeito terapêutico do medicamento é de quatro a sete dias após o início do tratamento, embora alguns benefícios possam ser vistos já nas primeiras 24 horas em pacientes que não tenham recebido corticoides inalatórios a anteriormente.

O tratamento regular com propionato de fluticasona na DPOC mostrou melhora da qualidade de vida e redução significativa dos sintomas e exacerbações. O estudo TORCH, que avaliou a tendência de mortalidade entre pacientes tratados com propionato de fluticasona isolado, associação de propionato de fluticasona + salmeterol ou placebo, concluiu que o último grupo foi mais eficaz do que os demais na melhora do VEF1. A redução na taxa de exacerbação na DPOC e um benefício na qualidade de vida também foram avaliados pelo St. George's Respiratory Questionnaire (SGRQ), comparando fluticasona e placebo. A taxa de declínio do FEV1 foi mais lenta no grupo fluticasona.

O ensaio ISOLDE comparou fluticasona versus placebo em participantes com DPOC moderada a grave, mostrando que, em comparação com o placebo, o uso de 500 µg de fluticasona duas vezes ao dia não afetou a taxa de declínio do VEF1, mas produziu um pequeno aumento no VEF1 e resultou em menos exacerbações e uma deterioração mais lenta do estado clínico. A fluticasona isolada não modifica o declínio do VEF1 ou a mortalidade em pacientes com DPOC, no entanto, uma associação de corticosteroide inalatório + LABA é mais eficaz do que os componentes individuais.

O produto está disponível em diversas apresentações, como: solução com propelente (aerossol) 250 µg e 50 µg e suspensão para nebulização (0,25 mg/mL e 1 mg/mL).

Pembrolizumabe para câncer esofágico

Em outubro, a Anvisa passou a indicar o medicamento biológico pembrolizumabe para o tratamento de primeira linha de pacientes com carcinoma esofágico ou da junção gastroesofágica irressecável localmente avançado e recorrente ou metastático cujos tumores expressam ligante 1 da morte celular programada (PD-L1, sigla do inglês Programmed Death-Ligand 1) com pontuação positiva combinada (PPC) = 10, conforme determinado por exame validado, e que tenham recebido uma ou mais linhas anteriores de terapia sistêmica.

O produto já estava aprovado para o tratamento de segunda linha de pacientes com câncer esofágico localmente avançado recorrente ou metastático, cujos tumores expressam PD-L1 com PPC = 10. Em bula, está indicado para outros tipos de câncer (como melanoma, câncer de pulmão de células não pequenas, carcinoma urotelial, linfoma de Hodgkin clássico, carcinoma de células renais e de cabeça e pescoço).

O câncer de esôfago metastático é uma doença letal, com taxa de sobrevida global de cinco anos de 3,4%. O tratamento padrão para câncer de esôfago metastático é a quimioterapia citotóxica de combinação.

A aprovação foi embasada nos resultados do estudo KEYNOTE-180, que demonstrou que o pembrolizumabe prolongou significativamente a sobrevida global em comparação com o tratamento padrão em pacientes em 3L+ de tratamento, com manutenção do perfil de segurança já caracterizado do produto.

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