Temas mais buscados em novembro de 2021: HPV

Ryan Syrek

Notificação

19 de novembro de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no  Twitter  ou no  Facebook !

Apesar de um novo estudo mostrar um grande benefício da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), dados recentes mostram que há cada vez mais dúvidas e preocupações com a segurança da vacina. Esses achados conflitantes, divulgados muito próximos um do outro, geraram um interesse substancial e se tornaram o tema clínico mais buscado da semana.

Vendo pelo lado positivo, novos dados da Inglaterra demonstram o sucesso de um programa nacional de vacinação de meninas contra o HPV (ver infográfico abaixo).

Os novos dados são provenientes de um registro de câncer populacional que mostra a incidência de câncer cervical e carcinoma cervical não invasivo (NIC3) na Inglaterra entre janeiro de 2006 e junho de 2019. O programa nacional de vacinação contra o HPV na Inglaterra começou em 2008. Inicialmente, foi utilizada a vacina bivalente Cervarix contra o HPV tipo 16 e 18. Em 2012, o programa mudou para a vacina quadrivalente (Gardasil), que também é eficaz contra dois outros tipos de HPV, o 6 e o 11. Estes tipos causam verrugas genitais. O estudo tem sete coortes de mulheres com idade 20 e 64 anos no final de 2019. Três dessas coortes compunham a população vacinada. Essas coortes apresentaram cerca de 450 casos a menos de câncer do colo do útero e 17.200 a menos de NIC3 do que o esperado em uma população não vacinada.

Nos Estados Unidos, a hesitação vacinal para o HPV permanece elevada. Novos resultados foram apresentados na Conferência sobre a Ciência do Câncer Disparidades de Saúde em Minorias Raciais/ Étnicas e os Medicamente Carentes (Conference on the Science of Cancer Health Disparities in Racial/Ethnic Minorities and the Medically Underserved), da American Association for Cancer Research. Quase dois terços dos pais americanos estão em cima do muro sobre a vacinação de suas filhas contra o HPV. Em geral, a hesitação vacinal caiu de 69% em 2010 para 63% em 2019. Em termos anuais, a hesitação vacinal diminuiu 6% de 2010 a 2012 e, a seguir, aumentou discretamente (0,6%) de 2012 a 2019. Entre as mães mais jovens (35 a 44 anos), a média de hesitação vacinal caiu 5,88% de 2010 a 2012 e permaneceu estável a partir de então. Entre as mães com 45 anos ou mais, a média de hesitação vacinal caiu 3,92% de 2010 a 2013 e permaneceu estável.

Talvez alimentando a hesitação, novas pesquisas encontraram um aumento drástico das preocupações sobre a segurança da vacina contra o HPV. Apesar da diminuição dos eventos adversos relatados, as preocupações com a segurança da vacina aumentaram 80% entre 2015 e 2018 entre os pais de adolescentes não vacinados. Desde sua aprovação em 2006 pela Food and Drug Administration dos EUA, a adoção da vacina contra o HPV tem ficado sempre atrás de outras vacinações de rotina. De acordo com os dados mais recentes dos Centers for Disease Control and Prevention, divulgados em 03 de setembro, 58,6% dos adolescentes foram considerados com a vacinação atualizada contra o HPV em 2020. Os cinco principais motivos citados para evitar a vacina contra o HPV foram:

  • Não é necessária

  • Questões de segurança

  • Não é recomendada

  • Falta de conhecimento

  • Não tem vida sexual ativa

Dessas, as preocupações com a segurança foram o único fator que aumentou durante o período do estudo. Passaram de 13% em 2015 para 23,4% em 2018.

As vantagens da prevenção da infecção pelo HPV continuam a aumentar, pois um novo estudo mostrou que a persistência do HPV 16 e do HPV 18 durante a gestação pode estar associada a aumento do risco de parto prematuro. Os pesquisadores descobriram que 15,9% das gestantes que tiveram infecção persistente por HPV 16 ou 18 durante o primeiro e o terceiro trimestres da gestação deram à luz prematuramente, em comparação com 5,6% das que não tiveram infecção por HPV. O estudo constatou que as infecções por HPV foram frequentes na gestação, mesmo entre populações "consideradas de baixo risco pelas características sociodemográficas e pela história sexual". Os autores esperam que estes resultados reforcem o apoio à vacinação contra o papilomavírus humano. A divisão entre as evidências a favor da vacina contra o HPV e a resistência à vacinação gerou o tema mais buscado da semana.

Leia mais informações clínicas sobre o papilomavírus humano.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....