Covid-19: Resumo da semana (13 a 19 de novembro)

Medscape Professional Network

19 de novembro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .


Na manhã da sexta-feira (19), o Brasil somou 21.989.459 diagnósticos confirmados para SARS-CoV-2 e 612.177 óbitos por covid-19 desde o início da pandemia. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa que monitora casos e óbitos – formado por G1O GloboExtraEstadãoFolha de S. Paulo e UOL – a partir de levantamento diário feito junto às secretarias estaduais de saúde.

A nova edição do Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgada no dia 17, informa que os dados registrados na Semana Epidemiológica (SE) 45, de 7 a 13 de novembro, mostram um ligeiro aumento dos valores de indicadores de transmissão da covid-19. Foi notificada uma média diária de 11,4 mil casos confirmados e 260 óbitos pela doença. Esses valores representam um pequeno aumento do número de casos registrados (1,9% ao dia) e do número de óbitos (1,2% ao dia) em relação à semana anterior (31 de outubro a 6 de novembro). A taxa de letalidade também vem caindo. Atualmente está na faixa de 2,3%. Segundo a análise, a tendência comprova a efetividade da campanha de vacinação, apesar de os números continuarem elevados. Quanto à ocupação dos leitos de terapia intensiva (UTI) por casos de covid-19, Rondônia é o único estado na zona de alerta intermediário. As outras 26 unidades da federação estão fora da zona de alerta.

O boletim reforça a preocupação com o aumento de casos e mortes na Europa (que vem sendo chamado de “pandemia dos não-vacinados”) e com a necessidade de medidas de controle não-farmacológicas e restritivas.

“Definitivamente, a vacinação, descolada de outras recomendações não-farmacológicas, não será suficiente para determinar o fim da pandemia", afirmam os pesquisadores responsáveis pelo documento.

Os especialistas chamam a atenção para o abandono das ações preventivas no Brasil, especialmente a liberação do uso das máscaras e o relaxamento das medidas de distanciamento físico.

O acompanhamento realizado pelo grupo de pesquisadores mostrou que, desde meados de julho, a população brasileira circula nas ruas de forma mais intensa do que antes da pandemia.

A semana das vacinas

Mais de 59,73% da população brasileira estão totalmente imunizados com duas doses ou dose única (127.422.765 pessoas). Enquanto isso, 73.82% tomaram ao menos a primeira dose (157.474.941 pessoas). A dose de reforço foi aplicada em 13.210.455 pessoas (6,19% da população). Os dados são do consórcio de veículos de imprensa.

O Ministério da Saúde (MS) anunciou na terça-feira (16) que a terceira dose da vacina contra covid-19 será dada a todos os brasileiros maiores de 18 anos. Antes, a terceira dose estava aprovada apenas para maiores de 60 anos, imunossuprimidos e profissionais de saúde. O intervalo da dose de reforço para todos os adultos foi reduzido de seis para cinco meses. Em nota, MS informou que a dose de reforço em todos os adultos deve ser, preferencialmente, da vacina da Pfizer. Segundo a pasta, a escolha pelo produto da Pfizer se deve ao fato dele ter sido desenvolvido com tecnologia de RNA mensageiro, método que, segundo a pasta, produz respostas imunológicas mais robustas.

Na quarta-feira (17), a AstraZeneca pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a inclusão na bula de sua vacina contra covid-19 a previsão de uma terceira dose para maiores de 18 anos.

E mais: as pessoas que tomaram o imunizante da Janssen, que seria em dose única, precisarão de uma segunda aplicação e, cinco meses depois, do reforço. 

Versão genérica do antiviral oral da Pfizer

Na terça-feira (16), a Pfizer autorizou 95 países de renda baixa e média a produzir genéricos do seu novo medicamento antiviral oral contra a covid-19. O acordo de licenciamento voluntário permitirá que o grupo, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), conceda sublicenças para fabricantes de genéricos qualificados produzirem suas próprias versões do PF-07321332 (Paxlovid). A Pfizer dispensará os direitos autorais nas vendas para países de renda baixa e outros países cobertos pelo acordo enquanto a covid-19 continuar sendo classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como emergência de saúde pública de relevância internacional. Até o momento, o Brasil não está incluído entre os participantes do acordo.

Resultados positivos para o AZD7442

Na quarta-feira (17), a AstraZeneca anunciou que o seu coquetel de remédios em desenvolvimento para tratar a covid-19 apresentou 83% de proteção contra a doença em ensaios clínicos de fase 3 de prevenção e tratamento ambulatorial. O AZD7442 é uma combinação de dois anticorpos monoclonais – tixagevimabe (AZD8895) e cilgavimabe (AZD1061) – derivados de células B doadas por pacientes convalescentes após infecção pelo vírus SARS-CoV-2. Os ensaios foram feitos em voluntários com comorbidades e/ou maior vulnerabilidade à forma mais grave da doença. Nos ensaios PROVENT e TACKLE, o AZD7442 foi geralmente bem tolerado. Nenhum novo problema de segurança foi identificado na análise de seis meses do PROVENT.

Dissecando os primeiros casos em Wuhan

No dia 18, a revista científica Science publicou um estudo com mais informações sobre as investigações da origem da pandemia. O trabalho fornece evidências de que o vírus teve origem animal, segundo o virologista Michael Worobey, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da University of Arizona, nos Estados Unidos. O pesquisador compilou os casos conhecidos de covid-19 em Wuhan a partir de várias fontes, como notícias de jornais e informações disponíveis em dois hospitais, construindo uma linha do tempo. Ele sustenta que o primeiro caso na cidade ocorreu dias depois do que se acreditava.

Impacto de medidas de proteção pessoal

Uma análise global de estudos observacionais e de intervenção avaliou a eficácia de medidas de saúde pública na incidência da covid-19. A análise de seis estudos (envolvendo um total de 2.627 pessoas com covid-19 e 389.228 participantes) revelou um efeito de 53% na redução da incidência da covid-19 atribuído ao uso de máscara.

“Especificamente, um experimento natural em 200 países mostrou 45,7% menos mortalidade relacionada à covid-19 em países onde o uso de máscara era obrigatório”, descreveram os autores em trecho da publicação. Os pesquisadores observaram que os estudos são bastante heterogêneos.

Novo avanço da covid-19 no mundo

Em 19 de novembro, o planeta contabilizou 256.209.677 casos confirmados de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, agente causador da covid-19, e 5.135.227 mortes atribuídas à doença e suas complicações, segundo o  Coronavirus Resource Center , da Johns Hopkins University (EUA).

Na semana passada, quase 760.000 novos casos (uma redução de 5%) e 12.800 mortes relacionadas com a covid-19 foram relatados nas Américas (decréscimo de 17%). A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), anunciou que, na semana passada, a metade da população da América Latina e do Caribe foi totalmente vacinada contra a covid-19. No entanto, a desigualdade marca o continente em que diversos países apresentam baixa cobertura vacinal. Para se ter ideia, menos de 20% das pessoas foram totalmente vacinadas na GuatemalaJamaica, São Vicente e GranadinasNicarágua Haiti.

Na América do Sul, muitos países observam o declínio do número de casos, exceto a Bolívia, que apresenta crescimento no número de casos. Apesar da elevada cobertura vacinal, Uruguai e Chile também registram aumento de casos após a flexibilização das medidas de saúde pública.

Com a aproximação do Natal, os casos estão aumentando novamente nos Estados Unidos, com picos nos estados montanhosos do Oeste, no Meio-Oeste e no extremo Nordeste. A média de novos casos no país é de 88.000 por dia, um aumento de 25% em relação a duas semanas antes. Cerca de mil pessoas ainda morrem diariamente por causa do SARS-CoV-2, tornando a covid-19 uma das principais causas de morte no país pelo segundo ano consecutivo. A Pfizer pediu aos Estados Unidos que concedam autorização de emergência para doses de reforço a qualquer pessoa com mais de 18 anos. A aprovação é esperada para a próxima semana. A vacinação de crianças com 5 anos ou mais começou, mas progride lentamente. 

No México, o número de novos casos caiu 7% em relação à semana passada. A Opas estimou que é "altamente provável" que o país experimente uma nova onda de covid-19. A partir do dia 19 estará aberto o pré-registro para a vacinação de jovens de 15 a 17 anos sem comorbidades. Até o momento, apenas 41% da população estão completamente vacinados. Para especialistas, o país está um pouco mais atrasado a cada dia na vacinação contra a covid-19.

Na Rússia, o número de casos está diminuindo um pouco, mas no dia 16 o país bateu um novo recorde diário de mortes: 1.247, segundo dados do Centro Operacional Federal de Luta contra a Covid-19. O número total de mortes agora é de 259.084 (o quarto no mundo depois de Estados Unidos, Brasil, Índia e México). No dia 12, o governo apresentou um projeto-de-lei federal para introduzir o passe de saúde no país.

RomêniaBulgáriaHungriaSérvia e Moldávia ainda experimentam uma mortalidade alarmante com índices muito elevados de contaminação.

Diante do aumento de casos no Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson incitou a população acima de 40 anos a se vacinar, de acordo com a recomendação do Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI). O governo está disponibilizando uma segunda injeção para todos os jovens com 16 e 17 anos no intervalo de 12 semanas após a primeira dose. Os casos de covid-19  permanecem altos, em cerca de 38.000 por dia, com taxa de incidência de 376 por 100.000 habitantes. Em comparação com a semana anterior, as mortes diminuíram 10,8% e houve redução de 4,3% nas admissões hospitalares. Até o dia 17, 80,1% dos maiores de 12 anos estavam totalmente vacinados e 22,9% receberam uma terceira dose de vacina ou reforço.

O primeiro-ministro também homenageou os serviços de emergência do Liverpool Women's Hospital, que foi vítima de um ataque terrorista no domingo, 14 de novembro. Desde o ataque, tem havido pressão para que o National Health Service (NHS) reveja seus procedimentos de segurança.

Na França, o governo já fala em uma quinta onda de covid. Na terça-feira (16), foram registrados 19.778 casos, um patamar que não era alcançado desde agosto. A taxa de incidência foi de 105 casos por 100.000 habitantes. Na data, 7.535 pacientes estavam hospitalizados por covid-19 (+174 em comparação com 15/11), enquanto 1.277 pessoas estavam em terapia intensiva (+20). Sobre as medidas a serem tomadas, "não há confinamento planejado para hoje, nem perto nem longe", disse o porta-voz do governo Gabriel Attal na terça-feira (16) ao programa de entrevistas  France  Inter . No entanto, ele pediu que sejam reforçadas as medidas de barreira. Mais de 75% da população total foram totalmente vacinados e a campanha de reforço está se acelerando, com 5 milhões de doses administradas até o dia 18 em 9 milhões de pessoas elegíveis. Isso coloca o país à frente de Alemanha, Itália e Espanha nas injeções de reforço. O país encomendou um estoque inicial de 50.000 comprimidos de molnupiravir (Lagevrio, da farmacêutica Merck). O tratamento deve estar disponível na França em dezembro.

No dia 18, o número de infecções diárias na Alemanha bateu novo recorde e superou os 65 mil casos em 24 horas. O chefe do Robert Koch Institute (RKI), Lothar Wieler, afirmou que os casos estão subindo de forma rasante e que o número real deve ser o dobro ou até o triplo do que é registrado oficialmente, de acordo com a agência de notícias Deutsche Welle. A incidência de novos casos escalou para 336,9 casos por 100.000 habitantes, a maior até o momento. Apenas 67,7% da população da Alemanha estarem totalmente vacinados contra a covid-19. Algumas regiões têm taxas de vacinação completas de 57,6%. O Comitê Permanente de Vacinação (STIKO) recomendou que a dose de reforço contra o coronavírus seja dada a todas as pessoas com 18 anos ou mais.

Cada vez mais estados federais estão restringindo a vida pública para pessoas não vacinadas. Muitos estados federais atualmente têm uma regra: cinemas, restaurantes, teatros, galerias, museus, feiras de negócios, festivais públicos, festas de clubes e muitas outras áreas públicas são vedadas aos não vacinados.

Portugal é o sexto país da União Europeia com menor número de óbitos e novos casos diários de infecção pelo SARS-CoV-2 por milhão de habitantes, de acordo com o monitor Our World in Data. O país registrou tendência de alta no último mês, com média de 140 casos novos por dia. Na terça-feira (16), em carta aberta, a Federação Portuguesa do Pulmão conclamou a volta da obrigatoriedade de uso de máscaras em todos os espaços públicos fechados e do trabalho remoto para inverter a tendência de crescimento de novos casos de covid-19 em Portugal. O aumento do número de infecções, com mais internações, pressiona os hospitais. Atualmente, a incidência nacional é de 191,2 casos por 100.000 habitantes. Na semana passada, estava em 156,6 casos por 100.000. A taxa de transmissão nacional está em 1,17, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

E mais: Portugal aprovou um pacote de leis na sexta-feira (12) para promover o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal na era do trabalho remoto em expansão, favorecido pela pandemia. As novas regras proíbem os chefes de telefonar ou mandar mensagens para funcionários fora do expediente, salvo em casos especiais, como relata reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. As empresas devem pagar despesas como energia e serviço de internet para os empregados. E pais de crianças menores de oito anos podem optar por trabalhar de casa.

A situação epidemiológica na Itália está piorando, mas não tanto como em outros países europeus. A incidência nacional é de 62 casos por 100.000 habitantes e a taxa de transmissão aumentou para 1,21. A ocupação das unidades de terapia intensiva por pacientes com covid-19 aumentou para 4,6%, enquanto a das enfermarias médicas atingiu 6% (dados do Ministério da Saúde). Todas as regiões ainda permanecem na “zona branca” (o nível mais brando de emergência e restrições).

O governo italiano está preocupado com as conexões entre o movimento antivax e certos movimentos de extrema direita. O Serviço Nacional de Inteligência disse que fatores de risco social podem levar ao surgimento de terrorismo doméstico. 
O governo pretende reforçar as limitações da vida social para os cidadãos não vacinados e discute a redução da validade do Passe Verde (de nove para seis meses após a última dose). Mais de 84% da população (45,5 milhões de cidadãos com mais de 12 anos) estão totalmente vacinados com duas doses, mas apenas 3 milhões receberam a dose de reforço. O Ministério da Saúde planeja dar a terceira dose a toda a população vacinada há mais de seis meses a partir de janeiro de 2022.

Na Espanha, a incidência em 14 dias subiu para 88,65 casos por 100.000 habitantes, o que representa um aumento de 6,6 pontos em relação ao último relatório. As internações também subiram, porém, a taxa de ocupação dos leitos de UTI não preocupa (4,68%). Na quarta-feira 17, a contagem oficial na Espanha foi de 87.745 mortes e 5.061.045 casos desde o início da pandemia.

O andamento da vacinação estagnou, com 79% da população completamente vacinados e 80,4% com ao menos uma dose. A campanha de vacinação continua com a administração da terceira dose a pessoas com mais de 70 anos, grupos vulneráveis e residentes em centros de cuidados a idosos.

Na África, houve pelo menos 8.644.000 infecções relatadas e 221.000 mortes causadas por covid-19 desde o início da pandemiaEgito (930) e Líbia (589) são os países que relataram mais novas infecções a cada dia. Egito (64) e África do Sul (17) são os países que registraram mais mortes por dia. 

De acordo com dados dos Centers for Disease and Control (CDC) da África, a campanha de vacinação ainda é muito lenta: 9,2 % da população do continente estão parcialmente vacinados e 6,06% têm o calendário completo. Alguns países como Burundi e Sudão do Sul têm menos de 3% de sua população vacinados.

Maior cidade da Nova Zelândia, Auckland abrirá suas fronteiras nacionais a partir de 15 de dezembro para indivíduos totalmente vacinados e para aqueles com resultados negativos no PCR para SARS-CoV-2.

Em 15 de novembro, a Índia reabriu suas fronteiras para viajantes vacinados de 99 países. O acesso ficou interrompido por quase dois anos. Na mesma data, o Camboja abandonou sua política de quarentena obrigatória para viajantes totalmente vacinados. No entanto, eles ainda precisarão apresentar resultados negativos de um PCR pouco antes da viagem. Os viajantes não vacinados devem fazer quarentena por 14 dias.

O Ministério da Saúde de Israel anunciou, no dia 14, que crianças de 5 a 11 anos serão elegíveis para a vacinação. Na Austrália, a vacinação para crianças menores de 12 anos  provavelmente começará em janeiro de 2022.

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