Quase 82% dos paulistanos têm anticorpos contra a covid-19

Mônica Tarantino

Notificação

12 de novembro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

Mais de oito em dez adultos na cidade de São Paulo desenvolveram imunidade contra o SARS-CoV-2. Divulgados em 09 de novembro, os dados da 7ª fase do projeto SoroEPi MSP (inquéritos soroepidemiológicos seriados para monitorar a prevalência da infecção por SARS-CoV-2 no município de São Paulo) revelaram que 81,8% da população adulta do município têm anticorpos neutralizantes contra a doença. O estudo também apontou que 52,8% da população têm anticorpos contra a nucleoproteína do vírus causador da covid-19. Estima-se que essas taxas sejam ainda maiores, já que as 1.055 amostras analisadas nesta fase da pesquisa foram coletadas entre 9 e 20 de setembro.

“Acreditamos que com 81,8% da população adulta apresentando anticorpos neutralizantes, e contando que a vacinação continue no ritmo atual, incluindo a vacinação com doses de reforço, é provável que a pandemia na cidade de São Paulo continue sua trajetória descendente. Com a queda violenta dos sintomas graves, das internações e das mortes, tudo isso sugere que se não tivermos novas variantes, a pandemia está chegando ao fim”, disse um dos pesquisadores principais do projeto, o biólogo Dr. Fernando Reinach. O SoroEPi MSP, uma ação de cientistas e médicos, conta com o apoio do Grupo Fleury, Instituto Semeia, Instituto Todos pela Saúde (ITpS) e Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec).

Foi a primeira vez que os pesquisadores investigaram a fração da população adulta que possui anticorpos neutralizantes. Nas etapas anteriores, os testes foram feitos para identificar somente os anticorpos contra a nucleoproteína do vírus. Os anticorpos neutralizantes são desenvolvidos por quem foi infectado pelo SARS-CoV-2 ou imunizado com as vacinas anticovídicas da AstraZeneca (vetor viral não replicante), da Pfizer ou da Janssen (RNA mensageiro). Já os anticorpos contra nucleoproteínas são encontrados em pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 e também em uma fração ainda desconhecida de indivíduos que receberam a vacina anticovídica CoronaVac, única vacina feita com o vírus inativado utilizada no Brasil. As outras vacinas aprovadas no país não contêm a nucleoproteína do SARS-CoV-2 entre seus componentes e não induzem anticorpos contra ela. “Dizemos que a fração é desconhecida, porque nem todas as pessoas que tomaram a CoronaVac produziram esses anticorpos”, explicou o Dr. Fernando.

Surpreendidos pelos resultados, os pesquisadores decidiram aplicar o teste específico, que revela a presença dos anticorpos neutralizantes no material recolhido em abril deste ano para a 6ª fase da pesquisa. A comparação mostrou que, nos 140 dias transcorridos entre as etapas, os anticorpos neutralizantes saltaram de 33,3% para 81,8%. Já os anticorpos contra nucleoproteína passaram de 41,6% para 52,8%, com menor soroprevalência nas áreas mais ricas (43,1%) e maior nas regiões mais pobres (62,2%).

O estudo também salientou que a presença de anticorpos neutralizantes foi equivalente entre a população mais pobre (823%) e mais rica da cidade (81,3%). “Ficamos satisfeitos em saber que a presença de anticorpos neutralizantes tem sido homogênea entre os extratos mais ricos e mais pobres da população. Fica ainda mais clara a importância da vacinação. Aliás, isso está quantificado agora”, observou o Dr. Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, que liderou o projeto.

“A vacinação começou atrasada, mas quando expandiu, foi para todo mundo. Enquanto isso não acontecia, as pessoas da periferia estavam sendo mais infectadas e sofrendo mais. Quando a vacina chegou, ficaram tão protegidas quanto as que residem nas áreas mais ricas e que foram menos impactadas”, ressaltou a pesquisadora do Ipec, Márcia Cavallari.

A fração de 52,8% de pessoas que desenvolveram anticorpos contra a nucleoproteína do vírus encontrada no município paulista corresponde a mais de 4,8 milhões de indivíduos infectados, considerando uma população de 9,2 milhões de habitantes com 18 anos ou mais. Esse número é 3,3 vezes maior do que o reportado pelo município, de em torno de 1.538 milhão de casos confirmados. Segundo os pesquisadores, a diferença de duas a cinco vezes mais casos encontrados pelo projeto SoroEPi MSP em relação aos dados da Prefeitura de São Paulo vem se repetindo ao longo do monitoramento. “O município detectou um terço desses casos. Não é uma falha, é a maneira como o município detecta os casos. Você só faz o teste se tiver sintomas, for a um posto de saúde ou se for testado em um lugar que entre no banco de dados.”

“Esperamos que esses dados possam ser utilizados pelas autoridades públicas como uma colaboração desse grupo para mitigar o sofrimento tão grande que a nossa população passou”, disse o Dr. Celso.

Os resultados das etapas anteriores e outras informações sobre o projeto SoroEpi MSP podem ser encontrados no site , nas versões português e inglês.

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