Temas mais buscados em novembro de 2021: Vitamina D

Ryan Syrek

Notificação

12 de novembro de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no  Twitter ou no  Facebook !

De novos estudos sobre câncer colorretal e morte por todas as causas (ver infográfico abaixo) a questões sobre o papel da vitamina D no combate à covid-19, diversos achados significativos resultaram no tema clínico mais buscado da semana.

Um recente estudo observacional descobriu que mulheres que consomem níveis mais altos de vitamina D, particularmente via alimentação, têm menos risco de câncer colorretal de início precoce. O trabalho incluiu 94.205 mulheres de 25 a 42 anos de idade, que foram acompanhadas entre 1991 e 2015. As participantes com a maior média de consumo total de vitamina D (450 UI por dia) apresentaram um risco significativamente menor de câncer colorretal em comparação às que ingeriram < 300 UI por dia. As associações entre os níveis de vitamina D e a incidência de câncer colorretal vêm sendo documentadas ao longo dos anos, e são o tema de 10 ensaios clínicos em andamento ou recém-finalizados. Poucos estudos, entretanto, compararam a incidência de câncer colorretal precoce e a ingestão de vitamina D.

A deficiência grave de vitamina D foi relacionada a comprometimento da saúde óssea e muscular, da absorção de cálcio, da imunidade e da função cardíaca, bem como a ocorrência de câncer de cólon, de intestino e neoplasias hematológicas. Isso está alinhado a um recente estudo populacional prospectivo, feito com uma população de homens, que associou concentrações mais baixas de vitamina D ao aumento do número de mortes por todas as causas. A pesquisa concluiu que a avaliação da 25-hidroxivitamina D livre agrega pouco benefício à atual dosagem da 25(OH)D total, principal forma circulante da vitamina D, pois as deficiências de cada tipo estão associadas a um risco semelhante. Os homens tinham entre 40 e 79 anos de idade e fizeram um acompanhamento médio de 12,3 anos. Durante esse tempo, cerca de um quarto dos participantes morreu (23,5%). Após o ajuste pelos principais fatores de confusão, como índice de massa corporal, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, função renal, número de comorbidades ao início do estudo e outros fatores, os homens com nível total de 25(OH)D < 20 µg/L tiveram risco significativamente maior de morte do que os que apresentavam níveis normais de vitamina D, definidos como > 30 µg/L (razão de risco de 2,03; P < 0,001).

Tendo em conta os potenciais benefícios da vitamina D, surgiram questões sobre se os pacientes com covid-19 devem receber suplementação. No início do ano, os achados de um estudo randomizado controlado mostraram que o tratamento com altas doses de vitamina D não teve efeito significativo sobre o número de mortes ou outras métricas importantes para os pacientes com covid-19 moderada ou grave. Por enquanto, os especialistas recomendam a incorporação regular desses suplementos para saúde e bem-estar geral durante a pandemia, mas deixaram de indicar o uso generalizado do tratamento com vitamina D nos casos de doença aguda causada pelo SARS-CoV-2.

Os suplementos de vitamina D também podem ser recomendados para pessoas de ascendência afro-caribenha vivendo em latitudes mais altas, com menor exposição à luz do sol. Foi feita a metanálise de uma revisão sistemática de 19 artigos publicados entre 2005 e 2019 com 5.670 participantes afro-caribenhos provenientes de seis países. Os estudos mostraram que os níveis médios de 25(OH)D total foram de 67,8 nmol/L, com níveis > 50 nmol/L considerados suficientes. No entanto, as populações que residem em altas latitudes, como nos Estados Unidos ou no Reino Unido, apresentaram concentrações médias insuficientes, de 40,9 nmol/L, sugerindo potencial necessidade de suplementação.

Em relação à vitamina D sintetizada por exposição à luz do sol, um novo estudo com mais de 3.000 homens e mulheres constatou que o uso de protetor solar não diminui a densidade mineral óssea global nem aumenta as fraturas por osteoporose. O estudo vai mais longe do que a pesquisa anterior, que constatou que o uso de protetor solar não compromete a síntese da vitamina D e exerce pouco efeito nos níveis da 25-hidroxivitamina D circulante. No novo estudo, os pesquisadores analisaram três formas de proteção contra os raios solares: uso de protetor solar, permanecer na sombra e uso de mangas compridas. Os pesquisadores constataram que as três atitudes não foram associadas a pontuação z total mais baixa em determinados sítios, nem foram relacionadas com aumento do risco de fraturas por osteoporose.

Dos estudos avaliando as associações com câncer e mortes aos achados sobre o uso de suplementos e a proteção contra raios solares, um aumento do interesse na vitamina D gerou o tema clínico mais buscado desta semana.

Leia mais informações clínicas sobre a definiência de vitamina D.

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