ACC Latin America 2021 discute uso do fragmento NT-proBNP como marcador de risco de morte e eventos CV

Teresa Santos (colaborou Dra. Ilana Polistchuck)

Notificação

10 de novembro de 2021

Os biomarcadores cardíacos têm sido reconhecidos como ferramentas importantes no diagnóstico e no prognóstico de doenças cardiovasculares. Estudos demonstram que estes também são importantes aliados na predição do risco cardiovascular em indivíduos com diabetes.

Durante as sessões científicas do ACC Latin America 2021, promovidas pelo American College of Cardiology (ACC) e realizadas on-line no início de novembro, o Dr. Marcus Malachias, cardiologista, professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais/Fundação Educacional Lucas Machado e atual diretor do Brazil Chapter do ACC, abordou o poder do fragmento N-terminal do peptídeo natriurético tipo B (NT-proBNP, do inglês N-terminal pro-B-type Natriuretic Peptide) e da troponina de alta sensibilidade na estratificação de risco dos pacientes com diabetes tipo 2.

Segundo o médico, estudos apontam que, quando agregados a modelos usados tradicionalmente, o fragmento NT-proBNP e a troponina de alta sensibilidade melhoram a estratificação do risco de morte e de desfechos cardiovasculares, especialmente em pacientes com diabetes tipo 2. [1]

O NT-proBNP também tem se mostrado um marcador de risco de morte e eventos cardiovasculares independente, principalmente na prevenção secundária de pacientes com diabetes tipo 2. [2] Além de poder ser usado no acompanhamento dos pacientes com diabetes tipo 2, o Dr. Marcus chamou atenção para o fato de terem sido encontrados “melhores resultados em pacientes de alto risco, com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular ou renal” associados ao uso deste biomarcador.

De fato, o Dr. Marcus e sua equipe conduziram um estudo – publicado em 2020 no Journal of American Heart Association –, [3] no qual analisaram a capacidade de o NT-proBNP isolado predizer morte e eventos cardiovasculares em pacientes de alto risco com diabetes tipo 2. O grupo desenvolveu um modelo básico de predição com 19 variáveis de importância baseadas em dados individuais, fatores de risco, função renal, alterações no eletrocardiograma (ECG) e história de doença cardiovascular. A inclusão da troponina de alta sensibilidade aumentou a capacidade de predição do modelo. A inclusão de NT-proBNP aumentou ainda mais o poder da ferramenta. "Um achado interessante foi que o NT-proBNP, por si só, foi capaz de predizer morte tal como o modelo com 19 variáveis e o modelo basal + troponina”, destacou o cardiologista, lembrando que o achado foi similar também para o desfecho composto cardiovascular, definido como: morte cardiovascular, reanimação cardiorrespiratória, infarto não fatal, acidente vascular cerebral ou hospitalização por insuficiência cardíaca.

A capacidade de predição independente do NT-proBNP, principalmente em pacientes com diabetes e alto risco, foi demonstrada também por outros grupos científicos no mundo. [4,5] Segundo o Dr. Marcus, ele já avalia os níveis de NT-proBNP na prática clínica, especialmente em pacientes com diabetes tipo 2 com altíssimo risco de morte.

“Creio que com isso podemos melhorar os medicamentos e os tratamentos para prevenir este desfecho”, concluiu.

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