Tratamento da esclerose múltipla aumenta risco de psoríase?

Randy Dotinga

Notificação

10 de novembro de 2021

Novo estudo mostra que pacientes com esclerose múltipla podem ter maior risco de desenvolver psoríase se utilizarem determinadas terapias de depleção de células B; no entanto, as taxas globais relatadas de doença são muito baixas e a relação não foi confirmada.

“Pacientes com esclerose múltipla e psoríase concomitantes – ou com alto risco de psoríase reconhecido – podem se beneficiar de uma avaliação cuidadosa da terapia modificadora da doença, especificamente quando as terapias de depleção de células B são consideradas”, disse em uma entrevista o coautor do estudo Dr. Ahmed Obeidat, Ph.D., neurologista do Medical College of Wisconsin nos Estados Unidos. Os resultados foram apresentados na reunião anual de 2021 do Consortium of Multiple Sclerosis Centers (CMSC).

Dr. Ahmed e colaboradores começaram o estudo depois de observarem a deflagração de casos de psoríase de meses a anos após os pacientes iniciarem o uso de ocrelizumabe, uma terapia de depleção de células B.

“Nós consultamos a literatura publicada e encontramos apenas relatos muito escassos de uso de terapia de depleção de células B, psoríase e esclerose múltipla”, disse ele. “Portanto, decidimos prosseguir com uma pesquisa em um grande banco de dados (da Food and Drug Administration – FDA) dos EUA para avaliar possíveis relatos de psoríase acima do esperado em pacientes com esclerose múltipla recebendo terapia de depleção de células B.”

Os pesquisadores buscaram relatos de casos de psoríase em pacientes com esclerose múltipla recebendo terapias modificadoras da doença de 2009 a 2020 por meio do Sistema de Notificação de Eventos Adversos da FDA. Eles encontraram 517 relatos de psoríase entre 45.547 notificações de doenças cutâneas. Os relatos estavam associados a:

O total de casos é baixo, mas isso pode refletir a subnotificação devido à presunção de que “autoimunidade gera autoimunidade” e, portanto, os casos de psoríase na esclerose múltipla não são alarmantes, disse em entrevista o primeiro autor do estudo Mokshal H. Porwal, que é estudante de medicina.

A média de idade dos pacientes (48 a 51 anos) foi semelhante para todos os medicamentos, exceto para o alentuzumabe (média de idade: 41), que teve pouquíssimos casos. A porcentagem de casos entre mulheres foi de 71% a 77% para a maioria dos medicamentos, com algumas exceções: rituximabe (60%), ocrelizumabe (63%) e alentuzumabe (33%).

Outros medicamentos (cladribina, siponimode e ozanimode) tiveram uma, uma e zero notificações, respectivamente, e não foram incluídos nas análises por idade e sexo.

Os pesquisadores também constataram que a psoríase representa aproximadamente 65% de todas as notificações adversas cutâneas para o rituximabe, o maior número entre os medicamentos modificadores de doença. Em comparação, esse número era de cerca de 30% para o ocrelizumabe e < 1% para o fumarato de dimetila e o alentuzumabe.

As associações entre psoríase e esclerose múltipla são nebulosas, disse o Dr. Ahmed. “Alguns estudos consideram a presença de psoríase como um possível indicador de aumento do risco de esclerose múltipla no futuro, mas não há associação clara entre as duas doenças”, explicou.

Quanto aos medicamentos modificadores de doença, “foram publicados alguns relatos de casos de psoríase em associação com interferon beta e relatos de casos raros de associação com ocrelizumabe. No entanto, a possível associação entre determinados medicamentos modificadores de doença e a psoríase permanece nebulosa”, destacou.

No futuro, “aconselhamos que os pacientes com psoríase em uso de agentes para depleção de células B sejam monitorados mais de perto”, orientou o Dr. Ahmed. “Se a psoríase piorar, pode ser benéfico considerar terapias alternativas”.

Não foi relatado financiamento ao estudo. O Dr. Ahmed informou diversos conflitos. Os demais autores informaram não ter conflitos de interesses.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.com Medscape Professional Network.

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