Papel da vitamina D na prevenção do câncer de cólon pode ser crucial

Nancy A. Melville; Amy Reyes

Notificação

8 de novembro de 2021

Ao investigar a associação entre vitamina D e câncer colorretal, uma nova pesquisa mostrou que mulheres que consomem mais vitamina D, particularmente via alimentação, têm menos risco de câncer colorretal de início precoce.

Tais dados são provenientes de um estudo observacional publicado no periódico Gastroenterology. O estudo incluiu 94.205 mulheres (de 25 a 42 anos) que foram acompanhadas entre 1991 e 2015, período em que 111 casos incidentes de câncer colorretal de início precoce foram diagnosticados. Entre 29.186 mulheres submetidas a pelo menos uma colonoscopia de 1991 a 2011, foram diagnosticados 1.439 adenomas convencionais e 1.878 pólipos serrilhados.

As participantes que apresentaram a maior média de consumo total de vitamina D (450 UI por dia) demonstraram um risco de câncer colorretal de início precoce significativamente menor do que aquelas que consumiram < 300 UI de vitamina D por dia. O consumo de 400 UI por dia foi associado a um risco 54% menor de câncer colorretal de início precoce.

"Se confirmados, nossos achados têm o potencial de gerar recomendações para o aumento do consumo de vitamina D como um complemento barato e de baixo risco, além do rastreamento do câncer colorretal, como estratégia de prevenção para pessoas com menos de 50 anos", escreveram os autores do estudo, liderados pelo Dr. Edward L. Giovannucci, médico da Harvard School of Public Health, nos Estados Unidos.

Associações entre os níveis de vitamina D e a incidência de câncer colorretal vêm sendo documentadas em artigos de revisão ao longo dos anos. Esta associação é tema de 10 ensaios clínicos em andamento ou recém-concluídos. Poucos estudos focaram no câncer colorretal de início precoce e o consumo de vitamina D. Ao contrário do câncer colorretal avançado, a doença de início precoce não está tão associada aos fatores de risco tradicionais como história familiar, portanto, acredita-se haja uma associação mais forte com fatores como estilo de vida e alimentação – incluindo a suplementação de vitamina D.

Há evidências, mas estão incompletas

Além do novo estudo publicado no periódico Gastroenterology, outros estudos observacionais, bem como estudos laboratoriais e com modelos animais, sugerem que a vitamina D desempenha um papel na inibição da carcinogênese. A vitamina D, teorizam os pesquisadores, contém propriedades anti-inflamatórias, imunomoduladoras e sobre a angiogênese tumoral que podem retardar o crescimento dos tumores, mas as evidências são contraditórias.

Uma metanálise de 137.567 pacientes publicada em 2013 no periódico Preventive Medicine encontrou uma associação inversa entre a 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] e a mortalidade total por câncer em mulheres, mas não entre homens. Três metanálises publicadas em 2014 e 2019 identificaram que a suplementação de vitamina D não afeta a incidência de câncer, mas reduz significativamente a taxa de mortalidade total por câncer em 12% a 13%.

Em 2019, pesquisadores liderados pela nutricionista, Dra. Marjorie McCullough, diretora científica sênior de pesquisa epidemiológica da American Cancer Society, descreveram uma relação causal entre a vitamina D circulante e o risco de câncer colorretal em 17 coortes de uma análise agrupada. “Nosso estudo sugere que a concentração ideal de 25 (OH) D circulante para redução do risco de câncer colorretal é de 75 a 100 nmol/L, o que é maior que as recomendações atuais do Institute of Medicine para a saúde óssea", escreveram. Os achados foram publicados no periódico Journal of the National Cancer Institute.

O Vitamin D and Omega-3 Trial (VITAL), publicado em 2019 no periódico New England Journal of Medicine, não mostrou nenhum efeito significativo da suplementação de 2.000 UI/dia de vitamina D3 na redução do risco de câncer invasivo ou eventos cardiovasculares.

Apesar dos resultados mistos, os estudos oferecem informações valiosas sobre os riscos de câncer, disse o Dr. Scott Kopetz, Ph.D. médico e codiretor do programa Moonshot Research para pesquisa do câncer colorretal da University of Texas MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos.

O estudo publicado no periódico Gastroenterology é notável, porque se concentra no câncer colorretal de início precoce, disse ele.

"Os autores demonstraram pela primeira vez que há uma associação da ingesta de vitamina D com a incidência de câncer colorretal de início precoce, especialmente no lado esquerdo do cólon e reto, onde o aumento do câncer colorretal de início precoce se manifesta", disse Dr. Scott. “A análise sugere que pode ser necessário consumir vitamina D por tempo prolongado para obter o benefício, o que explicaria por que alguns estudos randomizados de curto prazo não demonstraram tal benefício.”

Em modelos animais, "estima-se que a vitamina D3 reduza a incidência de câncer colorretal em 50%", de acordo com a Dra. Lidija Klampfer, Ph.D., bióloga molecular e pesquisadora sênior do Southern Research Institute, nos Estados Unidos.

A Dra. Lidija, sócia fundadora da ProteXase Therapeutics, é autora de um artigo sobre vitamina D e câncer de cólon publicado em 2014 no periódico World Journal of Gastrointestinal Oncology.

"Os níveis de vitamina D3 parecem ser determinantes para o desenvolvimento e progressão do câncer de cólon e a suplementação de vitamina D3 é eficaz na supressão da carcinogênese intestinal em modelos animais", escreveu ela. "Estudos demonstraram que a 1,25 diidroxivitamina D3 pode inibir a inflamação que promove o tumor, levando ao desenvolvimento e à progressão do câncer de cólon."

Os perigos da deficiência de vitamina D

Deficiência grave de vitamina D está associada a comprometimento da saúde óssea e muscular, absorção de cálcio, imunidade, função cardíaca e pode afetar o humor. Outros estudos ligaram a deficiência de vitamina D ao câncer colorretal, neoplasias hematológicas e câncer do intestino.

A 25 (OH) D sérica é a principal forma circulante de vitamina D e é considerada o melhor marcador para avaliar o status da vitamina D, disse a Dra. Karin Amrein, endocrinologista da Medizinischen Universität Graz, na Áustria. Ela foi a autora principal de uma revisão sobre a deficiência de vitamina D publicada em janeiro de 2020 no periódico European Journal of Clinical Nutrition.

As Global Consensus Recommendations definem insuficiência de vitamina D como 12 a 20 ng/mL e deficiência como < 12 ng/mL. A deficiência em adultos é geralmente tratada com 50.000 UI de vitamina D2 ou D3 uma vez por semana durante oito semanas, seguida por doses diárias de manutenção de colecalciferol (vitamina D3) de 800 a 1.000 UI proveniente de alimentos e suplementos alimentares.

Recomenda-se rastreio de indivíduos que apresentam sintomas e condições associadas à deficiência de vitamina D, mas há pouco acordo sobre a concentração sérica recomendada, porque cada indivíduo é diferente, de acordo com a U.S. Preventive Services Task Force, que atualizou suas recomendações de vitamina D em abril pela primeira vez em sete anos.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.com – Medscape Professional Network.

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