COMENTÁRIO

Obesidade ou psoríase: o que vem primeiro?

Dr. Fabiano M. Serfaty

Notificação

25 de outubro de 2021

A psoríase é uma doença inflamatória crônica poligênica da pele. [1] Uma grande proporção (20% a 30%) dos pacientes com psoríase sofre de envolvimento articular adicional, que afeta principalmente as extremidades distais, mas também acomete as articulações maiores. [1]

A psoríase em placa, variante mais comum da doença (observada em cerca 85% dos casos), costuma ser manifestar em placas vermelho-opacas, eritematosas e escamosas, particularmente nas superfícies extensoras dos cotovelos, joelhos e couro cabeludo. Os subtipos de psoríase menos comuns incluem psoríase pustulosa, gutata, inversa, eritrodérmica e palmoplantar.

Dentro do contexto atual da pandemia de covid-19, cabe ressaltar que, embora o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos ainda não inclua pacientes com psoríase ou outras doenças autoimunes entre aquelas de alto risco de covid-19, muitos pacientes com psoríase apresentam comorbidades associadas como como obesidade e diabetes, o que os coloca em maior risco de morte por covid-19.

Doenças inflamatórias crônicas como psoríase, obesidade, diabetes, doenças cardíacas, câncer, acidente vascular cerebral (AVC), esteatose hepática e síndrome de ovários policísticos, aumentam a mortalidade e reduzem a qualidade de vida dos pacientes.

A estreita relação entre a psoríase e a obesidade vem se tornando cada vez mais evidente na prática clínica diária de consultório. As evidências científicas são claras no que tange a relação bidirecional entre a obesidade e a psoríase: o sobrepeso e a obesidade estão associados a maior incidência de psoríase, e pacientes com psoríase podem ser propensos a engordar. [1,2,3]

As células adiposas do paciente com obesidade e sobrepeso liberam citocinas inflamatórias que desempenham um papel na piora sintomas da psoríase. [1] Altos níveis de resistina e leptina foram encontrados em pacientes obesos com psoríase. [1,3]

A incidência de psoríase entre adultos quase dobrou entre 1970 e 2000. [1]

Visto que a base genética não deveria ter mudado significativamente, fatores ambientais como estilo de vida e dieta podem ter desempenhado um papel no aumento desta prevalência. [1] Os hábitos alimentares nas nações industrializadas geralmente incluem alto teor de carboidratos, resultando em obesidade e síndrome metabólica. [1]

Um grande estudo norueguês feito com 35.000 indivíduos descreveu uma associação entre a síndrome metabólica o aumento do risco de psoríase. [1] A análise dos fatores metabólicos indicou que a adiposidade é um fator central nessa associação. [1] Achados semelhantes foram relatados em outros estudos. [2,3] É difícil demonstrar o que vem primeiro, a psoríase ou a obesidade. Isolamento social pronunciado, hábitos alimentares inadequados, depressão, aumento do consumo de álcool e diminuição da atividade física em pacientes com psoríase podem explicar em parte o fato de a psoríase poder levar à obesidade. [1,3]

Além disso, estudos epidemiológicos fornecem fortes evidências de que a obesidade predispõe os pacientes à psoríase e amplifica a inflamação psoriática. [1] Um recente estudo prospectivo indicou que a obesidade e o aumento da gordura abdominal dobraram o risco de psoríase. [1]

Todos os estudos sugerem que a prevenção do ganho de peso, a manutenção de um peso corporal normal e a redução da gordura corporal podem reduzir a incidência de psoríase. Na verdade, vários estudos mostraram um impacto positivo da perda de peso na gravidade da psoríase. [1]

O tratamento da psoríase e de todas as doenças crônicas precisa ser individualizado e multifatorial. Precisamos orientar nossos pacientes com psoríase a perder peso, praticar exercícios físicos e controlar suas comorbidades.

Perder peso reduz a inflamação crônica, por isso a perda de peso pode reduzir as lesões e a gravidade da psoríase. [2,3] Além disso, a perda de peso pode melhorar o efeito dos medicamentos para o tratamento da psoríase. [1,2,3] Perder peso para se manter com um peso saudável beneficia a saúde de todos, principalmente dos pacientes que possuem doenças inflamatórias crônicas como a psoríase.

É importante lembrar que a tendência atual é que a prevalência de todas as doenças crônicas (p. ex., obesidade, câncer, doenças cardíacas e diabetes) continue a crescer em todo o mundo, o que aumenta e aumentará a mortalidade tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, portanto, todas as medidas que possam auxiliar no combate a estas doenças crônicas vão ter implicações positivas em todo o mundo.

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