COMENTÁRIO

'A obesidade metabolicamente saudável não é saudável – e deve ser tratada'

Dr. Fabiano M. Serfaty

Notificação

21 de outubro de 2021

O maior estudo sobre pacientes com "obesidade metabolicamente saudável" já publicado foi apresentado na reunião virtual da European Association for the Study of Diabetes (EASD).

O estudo com quase três milhões de pacientes demonstrou que a "obesidade metabolicamente saudável" não é uma condição saudável e que mesmo os pacientes com peso normal podem ter anormalidades metabólicas que os coloca em um risco muito maior de desenvolver insuficiência cardíaca.

A obesidade tem relação direta com a piora de vários fatores de risco de doença cardiovascular, particularmente aqueles relacionados à síndrome metabólica como hipertensão, descontrole glicêmico e dislipidemia. No entanto, alguns pacientes com obesidade são menos propensos a apresentar anormalidades metabólicas, as estimativas sugerem que até um terço das pessoas obesas podem apresentar esse perfil metabólico.

No estudo apresentado no EASD 2021, os autores avaliaram prontuários médicos de pacientes internados em hospitais na França entre janeiro e dezembro de 2013 que apresentavam pelo menos cinco anos de dados completos de acompanhamento.

Cerca de 2,9 milhões de adultos, dos quais 272.838 (9,5%) tinham obesidade. Estes pacientes foram divididos em grupos por categoria de índice de massa corporal (IMC) e saúde metabólica (presença de três anormalidades metabólicas: hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes). Os pacientes que não tinham nenhuma dessas anormalidades foram classificados como tendo "obesidade metabolicamente saudável". Os pesquisadores ajustaram para vários fatores de confusão como idade, sexo e tabagismo.

Durante um acompanhamento médio de cinco anos, 510.439 novos eventos cardiovasculares foram registrados, incluindo 77.924 casos de infarto do miocárdio, 391.637 casos de insuficiência cardíaca e 84.042 casos de acidente vascular cerebral (AVC). Além de 257.287 casos fibrilação atrial.

A análise descobriu que pessoas com “obesidade metabolicamente saudável” apresentaram um risco 22% maior de ter um novo evento cardiovascular importante do que pessoas com peso normal sem anormalidades metabólicas. O primeiro grupo também teve um risco 34% maior de insuficiência cardíaca e 33% maior de fibrilação atrial.

É importante ressaltar que a análise também demonstrou que os homens enfrentam riscos mais elevados do que as mulheres. Quando comparados com homens com peso normal sem anormalidades metabólicas, os homens com “obesidade metabolicamente saudável” apresentaram um risco de eventos cardiovasculares 61% maior.

Este novo estudo é a melhor evidência disponível atual em nível populacional, que demonstra ser falsa a condição clínica denominada “obesidade metabolicamente saudável”. Devemos, portanto, incentivar que nossos pacientes com obesidade ou sobrepeso percam peso, independentemente da presença de alterações metabólicas.

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