Relatos de casos destacam risco de edema cerebral fulminante agudo em crianças com covid-19

Randy Dotinga

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21 de outubro de 2021

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Uma menina de oito anos que foi infectada pelo SARS-CoV-2, morreu após evoluir com um quadro extremamente raro, conhecido como edema cerebral fulminante agudo, de acordo com neurologistas pediátricos instando que seus colegas atentem para casos semelhantes.

Pelo menos uma outra criança morreu nos Estados Unidos após se infectar com o vírus e apresentar edema cerebral. "O curso clínico rápido e devastador em ambos os casos destaca a necessidade de reconhecimento precoce de um edema cerebral e do edema cerebral fulminante agudo como potenciais complicações da covid-19 em pacientes pediátricos", escreveram os neurologistas.

O caso foi destacado em um pôster apresentado na reunião anual da Child Neurology Society e em um relatório publicado em junho deste ano no periódico Child Neurology Open .

De acordo com o neurologista pediátrico, Dr. Timothy Gershon, Ph.D., médico da University of North Carolina, nos EUA, a criança deu entrada na clínica em julho de 2020. Ela era previamente saudável, mas apresentava febre há um dia, atividade semelhante a convulsões (convulsões generalizadas e sialorreia), anorexia e letargia.

A menina, que foi posteriormente diagnosticada com covid-19, piorou no hospital. "Ela recebeu dexametasona intravenosa (IV) numa tentativa de reduzir o edema cerebral", escreveram os neurologistas. "Em relação à terapia imunomoduladora, ela recebeu imunoglobulina intravenosa (2 g/kg), anakinra e hidrocortisona; apesar da aprovação do remdesivir e do plasma convalescente para covid-19, estes tratamentos foram suspensos devido ao mau prognóstico."

Os exames foram consistentes com morte encefálica 24 e 48 horas após a parada cardíaca, relataram eles.

Os neurologistas acreditam que a paciente teve edema cerebral fulminante agudo, "uma entidade clínica pediátrica frequentemente letal, que consiste em febre, encefalopatia e novos crises convulsivas, seguidos de edema cerebral rápido, difuso e refratário ao tratamento clínico". Eles acrescentaram que "o edema cerebral fulminante agudo ocorre como uma complicação rara de uma variedade de infecções pediátricas comuns, e um patógeno do sistema nervoso central é identificado em apenas na minoria dos casos, sugerindo um mecanismo parainfeccioso de edema".

Em julho, neurologistas fizeram uma definição de caso do "recém-reconhecido" edema cerebral fulminante agudo.

"Esta foi uma rápida progressão para edema cerebral extremamente rara. Acredito que estava relacionada com a infecção por covid-19 da paciente, mas ainda não se sabe por que esta paciente evoluiu assim e outros não", disse o Dr. Timoty em uma entrevista. "O espectro completo de complicações neurológicas da covid-19 ainda não era conhecido na época. Não sabíamos, e ainda não sabemos, quais são as ligações causais entre a covid-19 e o desenvolvimento de convulsões e edema cerebral súbitos".

Ele disse que hoje em dia trataria um paciente com quadro semelhante de forma diferente, administrando dexametasona mais cedo, embora "não haja dados indicando se qualquer terapia teria revertido isso". Mais especificamente, ele disse, "eu daria dexametasona ao primeiro sinal de envolvimento do cérebro, usando a dose recomendada para edema cerebral, e tentaria fazer a ressonância magnética mais cedo".

Dr. Timoty e colaboradores referiram outro caso de edema cerebral letal em uma criança, um menino de sete anos tratado no estado de Nova York. Esse caso "mostra que o edema cerebral letal pode complicar a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica", escreveram eles.

Não foi informado financiamento do estudo. Os autores informaram não ter conflitos de interesses.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.com Medscape Professional Network.

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