Temas mais buscados em outubro de 2021: Antiviral anticovídico

Ryan Syrek

Notificação

15 de outubro de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no  Twitter  ou  Facebook  !

Resultados interinos promissores para um antiviral oral anticovídico, junto com notícias sobre outros tratamentos, utilizados atualmente e em desenvolvimento, resultaram no tema clínico mais buscado da semana.

Em um ensaio clínico de fase 3, o medicamento experimental da Merck & Co, molnupiravir, foi eficaz contra todas as variantes conhecidas do SARS-CoV-2, inclusive a Delta. Uma análise interina dos dados de 775 pacientes constatou que 7,3% dos que receberam o medicamento foram internados ou morreram nos primeiros 29 dias do tratamento, em comparação com 14,1% dos pacientes que receberam placebo. Não foram registrados óbitos no grupo do molnupiravir, mas houve oito óbitos no grupo do placebo (veja o infográfico abaixo).

Os monitores independentes recomendaram que o ensaio clínico fosse suspenso precocemente em virtude dos resultados positivos. A Merck e sua parceira Ridgeback Biotherapeutics planeiam solicitar a autorização de uso emergencial à US Food and Drug Administration (FDA) assim que possível, como também pretendem submeter esta solicitação às agências reguladoras em todo o mundo.

Contrariamente a todas as vacinas anticovídicas disponíveis atualmente, o molnupiravir não tem como alvo a proteína da espícula do vírus. Em vez disso, age na polimerase viral, enzima necessária para que o vírus produza suas cópias. O medicamento introduz erros no código genético do vírus. Os pesquisadores dizem que isso permite que o molnupiravir seja igualmente eficaz contra as variantes atuais e futuras. Os dados mostram que o medicamento é mais eficaz quando administrado logo no início da infeção.

A Pfizer Inc iniciou um ensaio clínico com seu próprio antiviral experimental para a prevenção da covid-19 entre pessoas expostas ao vírus. A Pfizer vai avaliar o inibidor da protease PF-07321332 em até 2.660 participantes adultos saudáveis que vivem no mesmo domicílio de alguém com infecção sintomática confirmada pelo SARS-CoV-2. A empresa irá testar o medicamento comparado uma dose baixa de ritonavir, um medicamento mais antigo amplamente utilizado nos esquemas terapêuticos para tratar a infecção pelo HIV.

Especialistas acreditam que um comprimido diário para tratara covid-19 pode estar apenas a meses de distância, com molnupiravir sendo o candidato mais óbvio. Além do inibidor da protease da Pfizer, um antiviral produzido pela Roche e pela Atea Pharmaceuticals, o AT-527, também está potencialmente no horizonte. A necessidade de criar medicamentos antivirais como estes, apesar da disponibilidade das vacinas, continua sendo muito importante, segundo cientistas que trabalham em um tratamento anticovídico que não será patenteado. Como os laboratórios farmacêuticos mantêm a propriedade intelectual exclusiva dos seus produtos e, pelos desafios de infraestrutura, a maioria dos países pobres não será vacinada em larga escala durante mais três anos.

Em relação aos medicamentos usados atualmente para tratar a covid-19, um estudo de fase 3 constatou que o remdesivir reduziu 87% o risco de hospitalização ou morte por qualquer causa de alguns pacientes. O ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou a eficácia e a segurança da administração intravenosa do remdesivir por três dias em uma análise com 562 pacientes não hospitalizados, com alto risco de progressão da doença. Os pesquisadores também encontraram uma redução de 81% do risco do desfecho secundário composto: consultas médicas por covid-19 ou morte por todas as causas no 28º dia. O remdesivir é o único medicamento atualmente aprovado pela FDA para pacientes hospitalizados com covid-19, com 12 anos de idade ou mais. No entanto, um grande ensaio clínico com mais de 11.000 pessoas em 30 países, patrocinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), não mostrou nenhum benefício do medicamento na redução das mortes por covid-19. A OMS contraindicou com condições o uso do remdesivir nos pacientes hospitalizados, independentemente da gravidade da doença.

À medida que a pandemia e as estratégias de prevenção avançam, notícias sobre novos antivirais anticovídicos são ansiosamente aguardadas, o que explica o tema mais buscado desta semana.

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