COMENTÁRIO

Como avaliar um prontuário eletrônico: um checklist com os itens mais importantes para o médico

Dra. Samanta Dall’Agnese; Nélio Borrozzino

14 de outubro de 2021

Normalmente, quando falamos em evolução tecnológica, atrelamos essas conquistas à engenharia e à tecnologia, mas, assim como essas áreas, a ciência médica também é afetada pelas novas ferramentas que chegam com esse avanço.

O prontuário eletrônico está cada vez mais se consolidando como uma ferramenta na qual o médico registra os dados dos seus atendimentos, substituindo o prontuário em papel, que tem alguns inconvenientes. O maior deles é o fato de ser necessário guardá-los em ambiente físico.

Em algumas instituições universitárias esse processo permitiu uma maior agilidade e confiança na coleta de informações, bem como na publicação de estudos científicos. Além de manter os registros de saúde organizados, o prontuário eletrônico auxilia em várias tarefas fora do atendimento, como agendamento e disparo de mensagens de lembrete da consulta, gestão financeira e de relacionamento com o cliente, graças ao CRM (Customer Relationship Management). Com isso, a vida do médico e do seu consultório passa a ser mais bem organizadas e eficiente, liberando o médico para atividades clínicas.

Nesse caminho, com tantas funcionalidades e opções no mercado, parece cada vez mais difícil avaliar o que é mais importante para a escolha de um bom e funcional prontuário eletrônico. Por isso, desenvolvemos um checklist com os itens mais relevantes na escolha de uma plataforma. Ele pode ser usado tanto pelo médico que está escolhendo um prontuário eletrônico pela primeira vez quanto por aquele que deseja avaliar o produto que já utiliza.

Visão geral de um prontuário

O prontuário deve conter seções básicas que agilizem seu preenchimento sem interferir no contato com o paciente ou aumentar o tempo de consulta. Dessa forma, a plataforma deve contar com áreas para a realização de uma boa anamnese, registro das queixas, da hipótese diagnóstica (usando terminologias como CID-10, por exemplo) e dos medicamentos em uso, ferramentas de prescrição digital e anotação de exames complementares.

Além disso, por uma questão de segurança e governabilidade dos dados de saúde, o prontuário deve oferecer perfis de acesso para o médico e seu auxiliar, visando o sigilo dos dados clínicos dos pacientes – o que, inclusive, é previso na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O mercado hoje em dia

Atualmente, o mercado oferece diversos tipos e modelos de prontuários eletrônicos, e o médico deve se sentir confortável e seguro para escolher a ferramenta que melhor se adeque às suas demandas.

Podemos dizer que os modelos mais modernos se preocupam com a usabilidade e experiência do usuário, e disponibilizam um ambiente em nuvem, o que possibilita atualizações constantes e acesso em qualquer lugar com internet. Também podem existir integrações com outros serviços de prescrição digital e faturamento/pagamento, o que agiliza processos administrativos inerentes à prática médica.

Além disso, existem certificações como HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act) e SBIS (Sociedade Brasileira de Informática para Saúde) que indicam se o prontuário tem uma acreditação mediada por organizações competentes.

Cinco pontos essenciais na avaliação de um prontuário eletrônico

1. Segurança dos dados: o que é e como saber se um prontuário eletrônico atende aos requisitos mínimos?

Primeiramente, o sigilo médico e a segurança dos dados de saúde do paciente devem ser preservados, assim como já acontecia no prontuário físico. A segurança da informação médica é primordial para a mudança para o ambiente eletrônico.

Atualmente, o tema é relevante inclusive do ponto de vista governamental – e não apenas para informações da saúde no Brasil. A proteção aos dados pessoais, incluindo as informações clínicas dos pacientes, deve ser garantida de acordo com a LGPD.

2. Ferramentas integradas que facilitam o dia a dia: quais são as mais úteis?

O prontuário eletrônico pode agilizar processos médicos como prescrever um medicamento específico ou realizar um atendimento por videochamada em um só clique. Usando sistemas que tenham essas tecnologias, o médico pode acessar princípios ativos e posologias sem sair do prontuário para prescrevê-lo – ganhando um tempo precioso com o paciente no consultório e, além disso, podendo usufruir de sistemas de prescrição eletrônica com assinatura digital, por exemplo.

A integração com laboratórios para atualizar os resultados dos exames de pacientes diretamente no prontuário e com farmácias, que informam o preço e disponibilidade de um determinado medicamento, são de grande utilidade no cotidiano do médico.

3. Tecnologia do prontuário: como definir se é moderno ou está ultrapassado?

Como falado anteriormente, a tecnologia dos prontuários eletrônicos pode diferir, tornando uns mais modernos do que outros. Mas como saber se uma plataforma é moderna o suficiente?

Existem algumas características que tornam o prontuário mais aderente às necessidades contemporâneas, que são:

  • estar em ambiente de nuvem (e não um software que precisa ser instalado no computador), pois isso permite que a plataforma seja mais facilmente atualizada;

  • poder ser acessado tanto pelo computador quanto pelo celular (ter um aplicativo); e

  • ser adaptado à realidade do médico, ou seja, ser fácil de usar e de configurar.

4. Interoperabilidade: se eu quiser trocar este prontuário no futuro, como saber se poderei levar os dados dos meus pacientes?

Este é um problema com o qual você precisa se preocupar no momento em que escolhe o prontuário. Você pode precisar trocar de plataforma no futuro (por diferentes motivos), e esse processo deve ser claro e oferecido por ambas as empresas, tanto a que fornece o prontuário em uso, quanto a que fornece o sistema para o qual se deseja fazer a migração. Um prontuário interoperável deve estar padronizado em terminologias usuais do mercado, como CID-10 e TUSS, por exemplo, e deve ter um plano de migração caso você precise retirar os dados de seus pacientes dali e importar para outro sistema.

5. Testando o prontuário eletrônico: como avaliar se o prontuário é fácil de usar no dia a dia?

Após essas recomendações, caso você escolha um prontuário que tenha estas funcionalidades, podemos dizer que sua escolha acompanha a evolução tecnológica da área, mas isso pode não ser suficiente. Além das informações técnicas, garanta um período de testes com o sistema escolhido para avaliar como ele irá se comportar em seu dia a dia. Um bom prontuário eletrônico vai além de aspectos técnicos e se preocupa com a usabilidade do médico para suas tarefas diárias, e isso deve ocorrer da forma mais natural e intuitiva possível.

Evite plataformas que demandam muitas explicações, treinamentos e manuais para o seu manuseio. Lembre-se: um bom prontuário deve ser fácil e prático para que você, como médico, possa voltar sua atenção ao que realmente importa na sua prática, o paciente.

Graduada em medicina pela UFPR, Dra. Samanta é VP de Inteligência Clínica na Prontmed. Mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP, Nélio é Clinical Intelligence Scientist Senior na Prontmed.

Este conteúdo é parte da parceria editorial entre o Medscape e a Prontmed.

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