Prevalência de aterosclerose coronariana silenciosa na meia-idade identificada por TC

Patrice Wendling

Notificação

13 de outubro de 2021

Quatro em cada 10 indivíduos de meia-idade sem história de doença cardíaca têm aterosclerose coronariana silenciosa e 1 em cada 20 tem estenose significativa na angiografia coronariana por tomografia computadorizada (TC), relatam pesquisadores suecos.

"O importante é que realmente examinamos a aterosclerose da parede do vaso com a angiografia e agora temos dados sobre a extensão e a gravidade da aterosclerose na população geral", disse o líder do estudo, Dr. Göran Bergström, Ph.D., médico da Göteborgs universitet, na Suécia.

Essas informações básicas da população geral são um pré-requisito para a criação de estratégias de rastreamento de sucesso para indivíduos de alto risco, disse ele. Diretrizes recém-publicadas nos Estados Unidos sugerem que uma pontuação de cálcio coronariano (CAC, do inglês Coronary Artery Calcium) pode ser usada para melhorar a classificação de adultos com risco intermediário a partir da equação de coorte agrupada (PCE, do inglês Pooled Cohort Equation); com CAC = 0 pontos indicando menor risco e não endossando a terapia com estatinas.

A verificação de CAC não fornece, no entanto, informações sobre o grau de estenose ou a presença de placas não calcificadas, observou ele. A aterosclerose significativa também é possível na ausência de CAC.

De fato, 5,5% dos 60% dos participantes com CAC = 0 pontos (4,3% das mulheres e 7,3% dos homens) tinham aterosclerose verificada por angiotomografia de coronárias, de acordo com o estudo publicado em 21 de setembro no periódico Circulation.

Definir a verdadeira prevalência da aterosclerose na população em geral é um primeiro passo essencial para orientar as futuras estratégias de prevenção, mas as estimativas anteriores foram baseadas em evidências post-mortem, em pequenas populações específicas ou na verificação do CAC, segundo o Dr. Kuan Ken Lee, University of Edinburgh, na Escócia, observou em um editorial que acompanha o estudo.

“É neste contexto que os achados do Swedish CArdioPulmonary bioImage Study (SCAPIS) são particularmente importantes”, escreveram os editorialistas.

O SCAPIS, um estudo nacional e multicêntrico, recrutou 30.154 adultos entre 50 e 64 anos de idade sem doença coronariana conhecida. Os participantes realizaram imagens de angiotomografia de coronárias e CAC com base em protocolos detalhados anteriormente entre 2013 e 2018.

A presente análise incluiu 25.182 participantes (50,6% mulheres). A mediana de idade foi 57,4; a mediana da dose de radiação efetiva foi de 0,34 mSv de CAC e 1,33 mSv de angiotomografia de coronárias; e a média de CAC foi de 35 pontos.

Ao todo, 42,1% dos participantes apresentaram algum nível de aterosclerose na angiotomografia; 5,2% apresentaram estenose significativa (≥ 50%); 1,9% apresentaram doença grave envolvendo a coronária esquerda, a artéria descendente anterior proximal ou lesão triarterial; e 8,3% tinham placas não calcificadas.

A aterosclerose foi mais comumente encontrada na artéria descendente anterior proximal e foi mais prevalente em indivíduos mais velhos. Conforme observado anteriormente, a deflagração da doença ocorreu em média aproximadamente 10 anos mais tarde nas mulheres do que nos homens, disse Dr. Göran.

Todos os participantes com de CAC > 400 pontos tinham aterosclerose verificada por angiotomografia de coronárias, quase metade (45,7%) tinha ≥ 50% de estenose e 20,3% tinham doença grave. "Portanto, houve uma associação muito forte entre altos escores de cálcio e doença obstrutiva na TC", disse ele.

A angiotomografia de coronárias detectou aterosclerose em 5,5% dos participantes com CAC = 0 pontos e em 89,1% com pontuação de CAC extremamente baixa (de 1 a 10). Estenose significativa estava presente em 0,4% e 2,0%, respectivamente, e doença grave em 0,2% e 0,5%, respectivamente.

No subconjunto com CAC = 0 pontos, a angiotomografia de coronárias detectou aterosclerose em 6,0% dos pacientes com importante história familiar de infarto do miocárdio, em 6,8% dos fumantes e em 8,1% daqueles com diabetes.

Houve uma boa correlação entre a prevalência de aterosclerose e as categorias de risco usando a PCE e a estimativa de risco coronariano sistêmico (SCORE, sigla do inglês Systemic Coronary Risk Estimation), com prevalência 2,9 e 2,1 vezes maior em participantes classificados como de alto vs. de baixo risco nos dois escores.

“Curiosamente, naqueles classificados como de baixo risco em ambas as pontuações, descobriu-se que até um a cada três homens e uma a cada quatro mulheres tinham aterosclerose coronariana”, apontaram Dr. Kuan e colegas. "Além disso, em mulheres a prevalência de aterosclerose coronariana foi semelhante, independentemente de o risco ter sido classificado como moderado ou alto pelo SCORE, sugerindo que a discriminação naquelas de maior risco também pode ser melhorada."

Notavelmente, 9,2% daqueles com CAC = 0 pontos e com risco intermediário no PCE tinham aterosclerose verificada por angiotomografia de coronárias e, portanto, o risco teria sido equivocadamente como sendo menor com base nas diretrizes atuais, observou o Dr. Göran. "No futuro, as diretrizes podem precisar levar em consideração a placa não calcificada."

Ele sugeriu que os resultados são generalizáveis para países ocidentais, incluindo os Estados Unidos. O estudo, no entanto, teve uma taxa de exclusão relativamente alta devido aos rigorosos protocolos de segurança, e a leitura dos dados de angiotomografia coronariana e de CAC não foi independente, visto que os avaliadores tinham acesso às imagens com e sem contraste.

"A alta prevalência de aterosclerose coronariana subclínica levanta a questão de se a angiotomografia coronariana pode ajudar a identificar mais precisamente quais pessoas se beneficiariam do início precoce de terapias preventivas para tratar a doença aterosclerótica e reduzir seu risco de eventos coronarianos ao longo da vida", Dr. Kuan e colegas escreveram.

A angiotomografia, no entanto, não está disponível de maneira uniforme e, mesmo onde os testes estão disponíveis, a capacidade teria que ser significativamente expandida para estabelecer programas de rastreamento de populações de alto risco, eles apontaram.

Novos marcadores de bioimagem podem ajudar a identificar pessoas com maior probabilidade de aterosclerose coronariana subclínica, mas, "em última análise, serão necessárias evidências de ensaios clínicos randomizados para determinar se o direcionamento da terapia preventiva usando angiotomografia de coronárias é superior à nossa prática atual de estimativa de risco usando escores de risco probabilísticos", os editorialistas sugerem.

Essa questão, eles observaram, está sendo abordada em indivíduos com um ou mais fatores de risco cardiovascular no estudo SCOT-HEART 2, que determinará se o rastreamento com angiotomografia de coronárias ou o escore ASSIGN é superior em relação a morte por causa cardíaca ou infarto do miocárdio em cinco anos. A data de conclusão principal está definida para outubro de 2023.

O estudo recebeu financiamento da Hjärt-Lungfonden, Knut och Aliece Wallembers Stiftelse, Vetenskapsrådet e Vinnova, Göteborgs universitet e Sahlgrenska University Hospital, Karolinska Institutet e conselho do condado de Estocolmo, Linkopings universitet e Lunds universitet e Skånes universitetssjukhus, Umea universitet e Uppsala universitetssjukhus. Elena e Alan informaram não ter conflitos de interesses.

Circulation. Publicado on-line em 20 de setembro de 2021. Texto completo, Editorial

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