Associação de anticorpos monoclonais contra a covid-19 em pacientes ambulatoriais: resultados de fase 3

Marcia Frellick

Notificação

13 de outubro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso  Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2  .

A associação dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe (REGEN-COV) reduziu significativamente o risco de hospitalização relacionada à covid-19 e de morte por todas as causas na fase 3 de um ensaio adaptativo com pacientes ambulatoriais.

Os pesquisadores, liderados pelo médico Dr. David Weinreich, vice-presidente executivo da empresa Regeneron, fabricante do esquema terapêutico, também descobriram no ensaio clínico randomizado que a associação resolveu os sintomas da doença e reduziu a carga viral do SARS-CoV-2 com mais agilidade do que o placebo.

Os achados foram publicados on-line em 30 de setembro no periódico New England Journal of Medicine.

Ocorreram 18 (1,3%) casos de hospitalização relacionadas à covid-19 ou morte por todas as causas entre os 1.355 pacientes no grupo que recebeu infusões de 2.400 mg do REGEN-COV em comparação com 62 (4,6%) de 1.341 no grupo de controle, indicando uma redução do risco relativo de 71,3%; P <0,001.

Dr. Sunil Joshi

O Dr. Sunil Joshi, médico imunologista nos Estados Unidos e presidente da Duval County Medical Society Foundation, disse ao Medscape que esses achados confirmam os benefícios do REGEN-COV e são uma ótima notícia para um grupo de pacientes, que inclui pessoas a partir de 65 anos de idade, com hipertensão, diabetes ou obesidade; e para as pessoas não vacinadas, que estão todas em alto risco de hospitalização ou morte caso peguem covid-19.

"As vacinas são extremamente importantes", disse ele, "mas se você se infectar e souber que há uma maneira de não ser hospitalizado, esta será uma notícia muito boa".

Os pesquisadores procuram doses mais baixas

Este estudo constatou que o efeito foi semelhante quando os pesquisadores cortaram as doses pela metade. Esses desfechos ocorreram em 7 (1%) de 736 pacientes que receberam 1.200 mg de REGEN-COV e em 24 (3,2%) de 748 no grupo de controle (redução do risco relativo de 70,4%; P = 0,002).

Os sintomas foram resolvidos em média quatro dias mais cedo entre os pacientes que receberam qualquer dose de REGEN-COV em comparação com os que receberam placebo (10 dias versus 14 dias; P < 0,001 para ambas as comparações).

O Dr. David disse ao Medscape que os ensaios clínicos seguirão em busca da menor dose eficaz contra todas as variantes em evolução.

Dr. David Weinreich

"Esta é uma daquelas situações em que você não quer usar uma subdose. Se tem uma tacada só", disse ele. “Adoraríamos fazer doses mais baixas. Seria mais conveniente e poderíamos tratar mais pacientes, mas se gerar mais falhas clínicas ou não funcionar contra certas variantes, você prestou um enorme desserviço ao mundo."

Outra novidade neste estudo é que os pesquisadores testaram não apenas pacientes soronegativos, mas pacientes com alto risco, independentemente do nível sérico de anticorpos, disse ele.

"É a primeira sugestão de dados de que se você está sem uma vacina e é de alto risco, o uso do esquema farmacológico é algo a ser fortemente considerado, porque mais vale receber o tratamento cedo do que tarde", disse o Dr. David.

Além da eficácia, o estudo de fase 3 demonstrou que o esquema tem um bom perfil de segurança. Os eventos adversos graves foram mais frequentes no grupo de controle (4%) do que nos grupos que receberam REGEN-COV, tanto metade da dose (1,1%) como a dose plena (1,3%). As reações à infusão (≥ 2 graus) ocorreram em < 0,3% dos pacientes em todos os grupos.

O Dr. William Fales, médico e diretor clínico estadual do Michigan Department of Health and Human Services, nos EUA, disse que os resultados confirmam a promessa do REGEN-COV de reduzir hospitalizações e mortes em uma publicação revisada por pares.

Covid-19: um alvo em movimento

No entanto, o Dr. William observou que a covid-19 é um alvo em movimento, com variantes emergentes. Os critérios para populações de alto risco também foram ampliados desde o início do estudo, disse ele.

“Um grande exemplo é que a gestação passou a ser fator de alto risco, e isso provavelmente teria sido uma contraindicação específica para as pacientes neste ensaio clínico”, disse ele.

O Dr. William disse que Michigan tem usado o REGEN-COV e a associação da farmacêutica Eli Lilly de bamlanivimabe e etesevimabe, que também tem autorização de uso emergencial pela Food and Drug Administration (FDA), com resultados positivos.

O REGEN-COV tem autorização de uso emergencial para tratar pessoas em alto risco de covid-19 grave, incluindo aqueles que já estão infectados (não hospitalizados) ou aqueles em determinados ambientes de profilaxia pós-exposição.

Dr. William Fales

"Estamos vendo taxas de hospitalização muito baixas e poucas mortes em um estado no qual a Delta predomina", disse o Dr. William. “Então, isso nos faz acreditar que estamos fazendo a coisa certa e apoiar os esforços atuais em todo o país para disponibilizar a terapia com anticorpos monoclonais para pacientes de alto risco.”

O Dr. Sunil observou que os resultados dos estudos têm sido positivos com outras associações de anticorpos monoclonais com diferentes grupos de pacientes com covid-19. No entanto, ele disse ao Medscape, "ainda temos de analisar o quão mais eficazes eles seriam, já que 71% de eficácia em manter as pessoas fora do hospital é um número muito bom para qualquer tratamento".

"São números excelentes, mas a vacinação em si impede que você contraia a doença em primeiro lugar e não apenas por um curto período. Este tratamento é apenas isso – um tratamento. Te ajuda a superar aquele evento, mas não significa que você não voltará a adoecer. Não há o desenvolvimento de uma resposta imunológica como ocorre com a vacina", disse ele.

O Dr. David concordou: “Este não é um substituto da vacina, exceto para o pequeno grupo que recebe a vacina e seus organismos não respondem em função de um imunocomprometimento significativo”.

Os resultados deste artigo "são uma parte de um grande programa de vários estudos de fase 3 que basicamente abrangem desde a profilaxia até a hospitalização e praticamente toda a gama funcionou. Todos esses estudos mostraram uma drástica melhora independentemente do desfecho regulatório", explicou o Dr. David.

Ele disse que está sendo debatida a a aprovação regulatória total nos Estados Unidos e a expansão da aprovação emergencial para outras populações, incluindo a profilaxia pré-exposição, "que a autoridade do Reino Unido já nos concedeu, mas a FDA não".

O estudo foi financiado pela Regeneron e pelo US Department of Health and Human Services. As declarações de conflitos de interesses dos autores contam no artigo completo. O Dr. David é vice-presidente da Regeneron. O Dr. Sunil informou não ter conflitos de interesses. O Dr. William possui ações da Eli Lilly.

Marcia Frellick é jornalista freelancer residente de Chicago. Ela já assinou artigos em Chicago Tribune, Science News e Nurse.com, e atuou como editora no Chicago Sun-Times, Cincinnati Enquirer e no St. Cloud Times. Acompanhe seu trabalho no Twitter: @mfrellick

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....