ECT, covid-19 na esquizofrenia e suicídios: resumos do mês

Dr. Sivan Mauer

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11 de outubro de 2021

Neste artigo

Dr. Sivan Mauer

Nesta seção o psiquiatra Dr. Sivan Mauer seleciona e comenta estudos relevantes no campo da psiquiatria. O Dr. Mauer é especialista em transtornos do humor. Tem residência em psiquiatria da infância e adolescência e tem experiência em psicogeriatria. É mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine e doutor em psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além da prática privada exercida em São Paulo e Curitiba, o Dr. Mauer é clinical assistant professor na Tufts University School of Medicine, Boston (EUA).

1. Recaída após tratamento da depressão maior com eletroconvulsoterapia bitemporal ou alta dose unilateral

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento de neuromodulação bem estabelecido, cuja eficácia contra a depressão excede as outras técnicas de estimulação cerebrais e medicações antidepressivas disponíveis, mas normalmente é reservado para casos refratários, de ideação suicida aguda e depressão psicótica.

Estudos randomizados com técnicas de ECT de pulso breve bitemporal e alta dose unilateral direta (as técnicas mais usadas na clínica contemporânea) demonstram remissão em mais de 50% dos pacientes com depressão maior. A manutenção da remissão é um desafio e, em uma metanálise a taxa de recaída chegou a 40%, apesar da farmacoterapia ou manutenção da ECT.

Pacientes idosos e psicóticos parecem ter as melhores taxas de resposta e menores taxas de recaída. A combinação de ECT e farmacoterapia parece diminuir a probabilidade de recaída, sendo comparável apenas à farmacoterapia. Existem evidências de que o uso de lítio seja especialmente eficaz na prevenção de recaída.

O estudo em tela buscou identificar dados demográficos e clínicos de linha de base associados ao estabelecimento de remissão sustentável após a ECT, e determinar se a terapia de manutenção de lítio tem uma probabilidade de se manter estável por meio de um acompanhamento naturalístico mimetizando a rotina da prática clínica.

Foram incluídos 61 pacientes que chegaram à remissão no estudo EFFECT-Dep, no qual foram aleatoriamente designados a receber ECT de pulso breve bitemporal ou alta dose unilateral direita duas vezes por semana. Os participantes, que continuaram realizando as respectivas farmacoterapias, foram monitorados por 12 meses.

Cinquenta e nove por cento dos participantes ficaram bem por um ano. Entre os que apresentaram recaída, a maioria ocorreu seis meses após a intervenção. Os pacientes com idade mais avançada e que tinham sintomas psicóticos pareceram ter um prognóstico mais favorável em longo prazo. Após ajuste para covariantes, pacientes em uso de lítio recaíram menos do que aqueles que não usaram lítio. Não houve diferenças entre as técnicas de ECT.

Para lembrar:

Este estudo reforça o quanto o uso da ECT é importante e seguro, esclarecendo quanto à eficácia das duas técnicas utilizadas. A conclusão mais importante foi em relação à importância do uso de lítio na manutenção, ou seja, na profilaxia de recaídas. A taxa de pacientes em uso de lítio que se mantiveram bem após 12 meses foi de 74,1%, em comparação com 50,0% dos que não usaram lítio. Isso nos faz entender ainda mais que a ECT tem indicação de uso agudo, e não como manutenção.

Referência:
Jelovac, A., Kolshus, E. & McLoughlin, D. M. Relapse following bitemporal and high-dose right unilateral electroconvulsive therapy for major depression. Acta Psychiatr. Scand. 144, 218–229 (2021).

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