Covid-19: Resumo da semana (2 a 8 de outubro)

Equipe Medscape Professional Network

8 de outubro de 2021

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2 .

Desde o início da pandemia, o Brasil soma 21.532.210 casos de infecção pelo SARS-CoV-2 e 599.865 óbitos por covid-19, segundo levantamento diário feito pelo consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde.  O consórcio é formado por EstadãoG1O GloboExtraFolha e UOL.

Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz desta quinta-feira (7/10) aponta a queda sucessiva no número de casos e óbitos e a estagnação na taxa de ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva (UTI) de covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS). A taxa atual está em patamares baixos na maioria dos estados brasileiros. Segundo os pesquisadores, essa é a melhor evidência do sucesso da vacinação na prevenção de formas graves e fatais da doença. Apesar das boas novas, deve-se insistir na necessidade de manter as medidas preventivas para bloquear a circulação do vírus. O país ainda não vem mostrando bons resultados nesse campo.

De acordo com especialistas do Observatório Covid-19 Fiocruz, o total de hospitalizados no país entre 12 e 25 de setembro caiu 27,7%, enquanto os óbitos caíram 42,6%. Em 25 estados, a taxa de ocupação em leitos de UTI é inferior a 60%, exceto no Distrito Federal e no Espírito Santo. Porém, a circulação de pessoas nas ruas e a positividade de testes permanecem altas. Desde meados de julho, o Índice de Permanência Domiciliar se encontra próximo de zero, ou seja, não há diferença na intensidade de circulação de pessoas nas ruas em comparação com o que era observado antes da pandemia. Ao longo da última semana, foi registrada uma média de 16.500 casos confirmados e 500 óbitos diários por covid-19, uma ligeira alta do número de casos (0,4 % ao dia).

E mais: o Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar a omissão do Conselho Federal de Medicina (CFM) frente ao uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, como a hidroxicloroquina e a cloroquina. O procedimento foi instaurado a partir da representação do cardiologista e professor da USP (Universidade de São Paulo), Dr. Bruno Caramelli.

A semana das vacinas

Até a manhã da sexta-feira (8), 45,57% da população (97.212.008 pessoas) foram completamente imunizados com duas doses ou dose única de uma vacina contra a covid-19. Outros 69,78%% da população (148.856.842 pessoas) tomaram a primeira dose e estão parcialmente imunizados. A dose de reforço foi aplicada em 0,92% da população (1.954.584 pessoas). Os dados são do consórcio de veículos de imprensa.

Na quinta-feira (7), São Paulo se tornou o primeiro estado a alcançar a marca de mais de 60% da população completamente vacinada. Na mesma data, Pfizer e BioNTech solicitaram autorização à agência reguladora norte-americana FDA para o uso da sua vacina ComiRNAty em crianças de 5 a 11 anos nos Estados Unidos. O pedido foi feito com base em dados iniciais enviados em 28 de setembro.

Desde a semana passada, quem fez intercambialidade na segunda dose enfrenta dificuldades para a emissão de certificado de vacinação pelo aplicativo oficial ConecteSUS. Em nota, o Ministério da Saúde informou que busca solução.

Riscos da vacinação incompleta

Estudos apontam que a maioria dos casos graves e mortes por covid-19 ocorrem em pessoas sem vacinação completa, ou seja, que não tomaram as duas doses ou uma dose única de vacina anticovídica. Em São Paulo, na quarta-feira (6), pesquisadores divulgaram os resultados de um estudo feito com pacientes do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. A pesquisa revelou que quase 9 entre 10 pacientes internados no local por complicações da covid-19 não haviam completado o esquema vacinal recomendado contra a doença. O levantamento acompanhou 1.172 indivíduos hospitalizados entre janeiro e a primeira quinzena de setembro de 2021. Segundo os pesquisadores, apenas 138 pacientes desse grupo tinham completado o esquema vacinal há mais de 14 dias.

Um outro estudo, feito por pesquisadores da Fiocruz do Mato Grosso do Sul, traçou o perfil de pacientes que não sobreviveram à covid-19 entre 1° e 26 de setembro. A pesquisa revelou que 85% dos mortos com idades até 59 anos não tinham completado o esquema vacinal e que apenas 12% haviam tomado duas doses ou dose única. Além disso, um levantamento recente da Universidade Federal de Minas Gerais indicou que 67% dos pacientes internados que morreram por covid-19 não estavam vacinados; 22% tomaram apenas uma dose ou haviam recebido a segunda dose a menos de 15 dias, e 11% apenas tinham o esquema vacinal completo.

Estoques para 2022

Em resposta à CPI da Covid, na quinta-feira (7), o Ministério da Saúde informou que pretende garantir entre 100 milhões e 150 milhões de unidades das vacinas de Pfizer/BioNTech e Oxford/Astrazeneca, as únicas com registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já incorporadas ao SUS. O Ministério afirmou que ainda calcula o custo da imunização para o próximo ano, mas estima que poderá precisar de mais R$ 6,8 bilhões para incluir novos grupos no plano de vacinação. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo , a pasta cita a perspectiva de imunizar crianças a partir de 3 anos em documentos internos. O projeto de orçamento de 2022 reserva R$ 3,9 bilhões para a compra de vacinas.

Vigilância genômica

Como e por quem é feito hoje o monitoramento e o sequenciamento do novo coronavírus no Brasil? Saiba o que falta para o país conseguir avançar nessa vital frente de combate à covid-19 e conheça o novo projeto que envolve o Instituto Todos pela Saúde.

Mudanças na epidemiologia da pandemia

O avanço da vacinação, a evolução dos testes diagnósticos e a disseminação das variantes foram alguns temas discutidos durante o 2° Congresso Virtual da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, realizado recentemente. A Dra. Annelise Lopes, patologista clínica, destacou as vantagens e as desvantagens dos testes de antígeno para a covid-19. Apesar da sensibilidade inferior ao padrão-ouro do teste de reação em cadeia da polimerase (PCR), o custo é menor, o resultado é rápido e a especificidade é elevada. Saiba mais.

Nobel de Medicina e Química

Na segunda-feira (4), foram anunciados os nomes dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2021. Os ganhadores são o norte-americano David Julius e o libanês-americano de ascendência armênia Ardem Patapoutian por suas pesquisas sobre receptores de temperatura e toque no corpo humano. Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, os cientistas identificaram elos essenciais à compreensão da interação entre os sentidos humanos e o meio ambiente. No dia 6, o prêmio de Química foi concedido ao alemão Benjamin List e ao britânico David MacMillan, pelo desenvolvimento de novas ferramentas para o desenho e construção de moléculas.

A covid-19 pelo mundo

Na quinta-feira (7), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciaram um plano para encerrar a fase aguda da pandemia. A meta é imunizar 40% da população mundial até o fim deste ano e 70% até junho de 2022. As organizações criticaram a concentração das doses em países ricos e afirmam que o mundo produz vacinas suficientes para cumprir essa meta, como reportou o colunista Jamil Chade, do UOL.

A Dra. Carissa F. Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), também anunciou a assinatura de acordos adicionais com as farmacêuticas AstraZenecaSinopharm e Sinovac para facilitar o acesso a doses de vacinas anticovídicas na América Latina e no Caribe. As vacinas serão disponibilizadas aos países neste ano e em 2022.

A variante Delta do vírus SARS-CoV-2 intriga os especialistas quanto às causas de seu impacto "mais benigno" em toda a América do Sul , em comparação com a situação verificada no resto do mundo. O Dr. Sylvain Aldighieri, Gerente de Incidentes da Covid-19 da Opas, afirmou ser “difícil explicar por que até agora ela não teve uma propagação mais explosiva na América do Sul, como ocorreu em outras regiões, embora seja provável que venha a se tornar dominante em mais países em poucas semanas”.

No México, até a segunda-feira (4), 65.479.465 pessoas foram vacinados com pelo menos uma dose contra a covid-19 . Na sexta-feira (1), foi iniciado o cadastramento de pessoas entre 12 e 17 anos com doenças que afetam negativamente o sistema imunológico, bem como grávidas, para que recebam a vacina.  

O Reino Unido eliminou nesta semana o requisito de quarentena para viajantes completamente vacinados, a menos que venham de países incluídos na lista vermelha. As mortes por covid no Reino Unido caíram 18,6% nos últimos sete dias e as internações hospitalares caíram 10,2%. Os testes positivos diminuíram ligeiramente (1%), mas ainda ultrapassam 30.000 por dia, a uma taxa de 352,7 por 100.000 habitantes. A co-criadora da vacina de Oxford/AstraZeneca, Dra. Sarah Gilbert, assinou uma carta publicada pela revista Science Translational Medicine apelando por uma ação urgente para combater a disparidade nas taxas de vacinação entre os países de alta e baixa renda.

A incidência em sete dias na Alemanha aumentou ligeiramente em relação à semana anterior e atualmente é de 62 novas infecções por 100.000 habitantes. Mais de 65% da população estão agora totalmente vacinados contra a covid-19. Além disso, pelo menos 68% de todos os habitantes tomaram pelo menos uma dose inicial. Entre crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, 35% estão totalmente vacinados. De olho no outono e no inverno, na quarta-feira (6) o presidente do Robert Koch Institute (RKI), Lothar Wieler, advertiu contra uma dupla carga de gripe e covid-19 no sistema de saúde. Ele pediu que a população aproveite a oferta de vacinação contra o vírus Influenza. Além disso, a abolição da obrigação da máscara nas escolas de alguns estados federais foi rejeitada por Wieler, sob o argumento de que crianças também estão sujeitas às complicações da covid prolongada. As medidas de proteção e recomendações vigentes para escolas, creches e lares de idosos não devem sofrer alteração até a primavera de 2022, no mínimo.

Na França, a incidência caiu abaixo do limite de 50 casos por 100.000 habitantes. Por outro lado, o número de casos está aumentando em 15 departamentos, exigindo vigilância. Desde a segunda-feira (4), o uso de máscara não é mais obrigatório para os alunos do ensino primário (6 a 10 anos) em 46 departamentos onde a incidência de casos é inferior ao limite de 50 por 100.000. Até terça-feira (5), 75% da população total foram totalmente vacinados. Um relatório sobre reclamações em 2020 revelou que, durante a crise epidêmica, as queixas contra os médicos foram menos numerosas. Porém, as decisões judiciais foram mais diversas e severas.

Desde o início de outubro, praticamente todas as medidas de proteção e prevenção adotadas contra a covid-19 foram suspensas em Portugal. Certificados ou testes negativos não são mais exigidos para entrar em bares ou clubes, e os estabelecimentos não precisam mais cumprir o horário de fechamento obrigatório. O uso de máscara também não é mais necessário na maioria dos espaços, mas ainda é obrigatório em locais como asilos, hospitais e lojas com mais de 400 metros quadrados. A taxa de incidência nacional em 7 de outubro foi de 90,5 casos de infecção por SARS-CoV-2 por 100.000 habitantes. No continente, ficou em 90,9 por 100.000 pessoas. O R (t) nacional é 0,91, com 0,90 no continente. E mais: brasileiros vacinados com CoronaVac têm relatado dificuldade em certificar a imunização ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) português, como relata reportagem publicada nesta semana pelo jornal O Globo.

Na Espanha, a Comissão de Saúde Pública concordou em administrar, a partir de 25 de outubro, uma terceira dose da vacina anticovídica àqueles com mais de 70 anos de idade que receberam a última dose há pelo menos seis meses. Essa campanha será feita em conjunto com a vacinação contra a gripe. Até o momento, 80% da população espanhola receberam ao menos uma dose de vacina contra o SARS-CoV-2 e 76% receberam as duas doses. Na quarta-feira (6), a Espanha registrou 1.801 novos casos em comparação com 2.290 há sete dias, o que indica tendência de queda na evolução da pandemia. A incidência em 14 dias permanece abaixo de 50 por 100.000 habitantes. A maioria dos governos regionais já removeu todas as restrições, exceto o uso de máscaras.

Nos Estados Unidos, durante a semana que passou, o número de casos, hospitalizações e mortes registradas pela variante Delta continuou caindo. No entanto, o surto deixou algumas cicatrizes profundas. Os Estados Unidos contabilizam oficialmente mais de 705.000 mortes, fazendo da covid-19 a pandemia mais mortal já registrada. Mesmo com 65% da população total totalmente vacinada e 76% da população elegível totalmente vacinados, a transmissão na comunidade continua alta, levando alguns especialistas a falar na possibilidade de outro pico durante o inverno. Cerca de 6 milhões de pessoas, ou 3% das que foram totalmente vacinadas, receberam uma dose de reforço. O país continua a lutar com bolsões significativos de hesitação vacinal, ainda que muitos empregadores tenham passado a exigir a vacinação. Hospitais começaram a demitir ou suspender profissionais de saúde que se recusam a tomar a vacina. Essas posturas duras estão ocorrendo apesar de uma escassez significativa de mão-de-obra e ressaltam a séria ameaça que o vírus SARS-CoV-2 continua a representar para o país e sua recuperação econômica.

A Malásia aprovou emergencialmente a vacina contra covid-19 fabricada pela farmacêutica chinesa Sinovac para uso em jovens de 12 a 17 anos.

Escolas em torno da cidade de Mumbai, na Índia, foram reabertas para crianças mais velhas na segunda-feira (4), depois de permanecerem fechadas por quase 18 meses. As escolas foram solicitadas a cumprir estritamente os protocolos de segurança contra a covid-19 e a garantir a vacinação obrigatória de professores e funcionários.

Na África, o número de novos casos diminuiu 43%. Apenas cinco países africanos vacinaram 10% de sua população, em comparação com 7% em todo o continente. O Egito está reportando o maior número de novas infecções desde junho. O número médio de novas infecções relatadas a cada dia em Gana diminuiu 30% em relação ao pico anterior. O número médio de novas infecções na Tunísia vem diminuindo há 10 dias consecutivos.

Na terça-feira (6), Singapura assinou acordo com a farmacêutica MSD para obter acesso ao antiviral oral molnupiravir, que está sendo testado contra a covid-19.

As gestantes da Coreia do Sul poderão se se inscrever para a vacinação contra a covid-19 a partir desta sexta-feira (8). O objetivo do país é 80% de todos os adultos até o final deste mês.

No Japão, as medidas de emergência vigentes há mais de seis meses para mais da metade do país, incluindo Tóquio, foram suspensas no final de setembro. O uso de máscaras permanece obrigatório no transporte público.

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