Menopausa precoce e risco de doença cardiovascular: um sinal de alerta?

Richard Mark Kirkner

Notificação

4 de outubro de 2021

A menopausa precoce é reconhecidamente associada a doenças cardiovasculares, mas talvez não tenha tanto peso quanto os fatores de risco tradicionais na determinação do risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC) em 10 anos, de acordo com os resultados de um estudo de coorte que avaliou alguns efeitos da menopausa precoce.

A menopausa precoce pode servir como um "marcador ou sinal de alerta" para que os cardiologistas prestem mais atenção aos fatores de risco da doença cardiovascular aterosclerótica típica, disse a autora do estudo, Dra. Sadiya S. Khan.

"Ao observarmos o acréscimo da menopausa precoce à equação de predição de risco, não vimos melhora significativa na capacidade de predição do risco nas equações de coorte agrupadas para identificar quem desenvolveu doença cardiovascular", disse Dra. Sadiva, cardiologista da Northwestern University, nos Estados Unidos.

O estudo de coorte incluiu 5.466 mulheres negras e 10.584 mulheres brancas de sete coortes populacionais dos EUA, incluindo a Women's Health Initiative. Destas, 951 e 1.039, respectivamente, referiram menopausa precoce. Os pesquisadores observaram que as diretrizes para prevenção de doenças cardiovasculares de 2019 do American College of Cardiology e da American Heart Association (ACC/AHA) reconhecem a menopausa precoce como fator de aumento de risco na avaliação destas morbidades em mulheres com menos de 40 anos.

O estudo de coorte constatou que as mulheres negras tiveram quase o dobro da taxa de menopausa precoce do que as brancas: 17,4% e 9,8%, respectivamente. E também identificou uma associação significativa entre a menopausa e a doença cardiovascular aterosclerótica em ambas as populações, independentemente dos fatores de risco tradicionais – um risco 24% maior para mulheres negras e 28% maior para mulheres brancas.

Achado "surpreendente"

No entanto, quando a menopausa precoce foi adicionada às equações de coorte agrupadas pelas diretrizes de 2013 do ACC/AHA, os pesquisadores não encontraram nenhum benefício a mais, um achado que Dra. Sadiya disse ter sido "realmente surpreendente".

Ela acrescentou: "Se olharmos para as diferenças de características entre as mulheres que entraram na menopausa precocemente e as que não entraram, houve pequenas diferenças em termos de pressão arterial mais elevada, índice de massa corporal mais alto e glicose ligeiramente mais elevada. Então, talvez o que estamos vendo, e isso é mais especulativo, é que os fatores de risco estão ocorrendo após a menopausa precoce, e o foco deve ser no início da vida da paciente para tentar prevenir hipertensão, diabetes e obesidade."

A Dra. Sadiya enfatizou que os achados não invalidam o valor da menopausa precoce na avaliação do risco de doença cardiovascular aterosclerótica. "Ainda sabemos que este é um marcador importante para as mulheres e para o risco de doenças cardíacas. Deve ser um sinal de alerta para prestar muita atenção a esses outros fatores de risco e a quaisquer outras medidas preventivas que possam ser tomadas", disse ela.

O Dr. Christie Ballantyne disse que é importante notar que o estudo não descartou a relevância da menopausa precoce na tomada de decisão compartilhada para mulheres na pós-menopausa. "Certamente não significa que a menopausa precoce não seja um risco", disse o Dr. Christie.

"A menopausa precoce pode causar um agravamento dos fatores de risco de doenças cardiovasculares tradicionais, então essa é uma explicação possível para isso. A outra explicação possível é que mulheres com piores fatores de risco de doenças cardiovasculares (com sobrepeso, pressão arterial mais alta, diabetes e resistência à insulina) são mais propensas a entrar na menopausa mais cedo”.

O Dr. Christie é chefe de cardiologia do Baylor College of Medicine e diretor de prevenção de doenças cardiovasculares do Methodist DeBakey Heart Center, nos Estados Unidos.

“Você ainda deve observar com muito cuidado os fatores de risco da paciente, calcular as equações de coorte agrupadas e certificar-se de obter uma recomendação”, disse ele.

“Se os riscos forem altos, oriente sobre como melhorar a alimentação e os exercícios. Considere a necessidade de tratamento hipolipemiante ou anti-hipertensivo com mais do que dieta e exercícios, porque não há nada mágico sobre 7,5% de risco de evento cardiovascular em 10 anos”, disse o médico, em referência ao limite a partir do qual sugere-se instituição da terapia hipolipemiante na calculadora de risco cardiovascular (da ACC/AHA).

A Dra. Sadiya e coautores informaram receber bolsas dos National Institutes of Health e da American Heart Association. Um coautor informou relações financeiras com a HGM Biopharmaceuticals. O Dr. Christie é primeiro pesquisador do estudo Atherosclerosis Risk in Communities, uma das coortes de base populacional usadas no estudo de coorte. Ele não tem outros relacionamentos relevantes a divulgar.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDEdge.comMedscape Professional Network.

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