Tanezumabe pode controlar dor da metástase óssea intratável

Liam Davenport

Notificação

23 de setembro de 2021

O anticorpo monoclonal tanezumabe parece reduzir a dor associada a metástases ósseas em pacientes oncológicos em terapia com opioides, sugerem os resultados de um estudo de fase 3.

A professora Marie Fallon, do Cancer Research UK Edinburgh Centre, University of Edinburgh, no Reino Unido, e seus colegas randomizaram 145 pacientes oncológicos com queixa de dor contínua para receber tanezumabe (que mira no fator de crescimento dos nervos) ou placebo.

Em comparação com o placebo, o anticorpo monoclonal reduziu significativamente a dor no local primário da dor por metástase óssea entre a primeira e a oitava semana do estudo.

No entanto, os resultados, apresentados na reunião anual de 2021 da European Society for Medical Oncology (ESMO) em 17 de setembro, sugerem que a redução não permaneceu significativa para além da oitava semana, apesar da continuidade do tratamento, e dois pacientes em uso de tanezumabe apresentaram fraturas patológicas.

A eficácia analgésica do tanezumabe foi superior à do placebo em pacientes que já recebiam opioides otimizados de base, disse Marie, e de modo geral o perfil de segurança foi consistente com os eventos adversos esperados.

“No geral, esses dados demonstram o potencial de um inibidor do fator de crescimento do nervo, como o tanezumabe, para reduzir a dor causada por metástases ósseas.”

Anúncio da EMA

Os resultados foram uma boa notícia para os fabricantes do tanezumabe, surgindo um dia depois de a European Medicines Agency (EMA) ter recomendado a recusa da autorização de introdução no mercado para o tratamento da dor da osteoartrite.

A agência disse que a terapia ofereceu apenas pequenos benefícios em relação ao placebo, e nenhuma melhora no alívio da dor ou funcionamento físico em comparação com os anti-inflamatórios não esteroides, enquanto aumenta o risco de efeitos colaterais, como osteoartrite progressiva rápida e substituição articular.

O anúncio veio seis meses depois de um painel da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA votar por 19 a 1 que, embora o tanezumabe possa oferecer benefícios clínicos, o risco associado de destruição articular ou osteoartrite rapidamente progressiva era muito grande, apesar de uma estratégia de mitigação de risco proposta pelo fabricante.

Comparações

Discutindo os achados, o Dr. Florian Scotté, oncologista clínico do Gustave Roussy Cancer Campus, na França, perguntou se o estudo incluía a comparação do tanezumabe com bisfosfonatos.

Marie respondeu que não, dizendo que os pacientes "precisavam estar sob analgesia estável de qualquer tipo antes de entrar no estudo", o que poderia incluir bisfosfonatos, "mas não houve esta comparação".

No Twitter, a Dra. Snezana Bosnjak, professora e pesquisadora do Instituto de Oncologia e Radiologia da Sérvia, comentou que os resultados indicam que o tanezumabe tem o "potencial" de reduzir a dor óssea não controlada no câncer. No entanto, ela destacou que as fraturas patológicas ocorreram apenas com o anticorpo monoclonal, além de sublinhar a falta de dados sobre o tratamento com bisfosfonatos.

https://twitter.com/bosnjaksupport/status/1438917689125244939?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1438917689125244939%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=http%3A%2F%2Fwww.medscape.com%2Fviewarticle%2F959045

Marie observou que o osso está "entre os locais mais comuns de metástase do câncer e é a causa mais comum de dor relacionada ao câncer".

Na verdade, estima-se que 25% dos pacientes com câncer e metástases ósseas dolorosas sofram de dor descontrolada, apesar da série de opções de tratamento disponíveis.

A equipe, portanto, conduziu um estudo de fase 3, randomizado, duplo-cego para examinar a eficácia e segurança do tanezumabe, um anticorpo monoclonal antifator de crescimento nervoso, na dor oncológica.

Detalhes do estudo

Os pacientes eram incluídos se tivessem câncer com metástase óssea ou mieloma múltiplo, uma média de intensidade da dor ≥ 5 pontos em uma escala de 1 a 10 no local índice da dor oncológica metástase óssea e já estivessem recebendo terapia com opioide.

Cento e quarenta e cinco pacientes foram randomizados para receber tanezumabe subcutâneo ou placebo a cada oito semanas por 24 semanas (total de três doses) sem interromper a terapia com opioide otimizada.

Após o período de tratamento, os pacientes foram acompanhados por mais 24 semanas para avaliar a segurança da intervenção.

Marie mostrou que as características iniciais dos pacientes nos braços do tanezumabe e do placebo eram "em sua maioria semelhantes", embora a proporção de homens para mulheres tenha sido maior no grupo do tanezumabe.

Ela acrescentou que a população de pacientes era "predominantemente branca, com carcinoma de mama, próstata e pulmão sendo os tipos de câncer primário mais comuns".

O ensaio atingiu seu desfecho primário, com tanezumabe mostrando uma melhora significativamente maior na intensidade média da dor em relação ao placebo no local índice da dor oncológica por metástase óssea índice na oitava semana.

A alteração média mínima na dor na oitava semana foi de -2,03 para o tanezumabe versus -1,25 para o placebo (P ≤ 0,05), e também foi significativamente a favor do tanezumabe na primeira, segunda, quarta e sexta semanas.

No entanto, "as diferenças entre os grupos não eram estatisticamente significativas na oitava semana", observou Marie, "embora o estudo não tenha sido elaborado para testar a durabilidade da eficácia analgésica".

Ela também mostrou que os eventos adversos (inclusive os considerados graves e preocupantes) foram "mais frequentes" com tanezumabe do que com placebo, embora o abandono do tratamento ou do estudo tenha sido mais comum no grupo do placebo.

Os eventos adversos mais comuns foram anemia (8,3% com tanezumabe vs. 12,3% com placebo) e artralgia (8,3% com tanezumabe versus 8,2% com placebo).

A proporção de pacientes que apresentaram um evento de segurança articular pré-especificado durante o estudo foi de 2,8% com tanezumabe, compreendendo duas fraturas patológicas perto do local das metástases ósseas, versus 0,0% com placebo.

Não foi relatado nenhum caso de osteoartrite rapidamente progressiva.

Apesar das 21 mortes no braço do tanezumabe e 23 no grupo do placebo, nenhuma foi associada ao tratamento.

O estudo foi financiado pela Pfizer e Eli Lilly. Marie informou relações financeiras com a Pfizer. O Dr. Florian informou relações com a Leo Pharma, AMGEN, MSD, Pierre Fabre, Mylan, Thermofisher, Viforpharma, Helsinn, BMS, Pfizer, MundiPharma, Tilray, Chugai.

Congresso de 2021 da ESMO: Abstract LBA62. Apresentado em 17 de setembro.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE

processing....