Convulsão pode ser primeiro sinal de covid-19 em crianças?

23 de setembro de 2021

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Diferentemente de em adultos, crises convulsivas (incluindo o estado de mal epiléptico) podem ser a primeira e principal manifestação da covid-19 em crianças, sugere nova pesquisa.

As crises podem ocorrer mesmo em crianças sem história de epilepsia, febre ou doença grave, exigindo um "alto índice" de suspeita do vírus para que o diagnóstico precoce seja feito e as devidas medidas de controle de disseminação implementadas, disseram os pesquisadores.

"Esperamos aumentar a conscientização entre os médicos sobre as apresentações da covid-19 em crianças que não coincidam com a da influenza. Em regiões com alta prevalência de covid-19, sugerimos que crianças com crises convulsivas sejam testadas para a infecção", disse ao Medscape a Dra. Tal Gilboa, médica, diretora da unidade de neurologia infantil e codiretora de epilepsia, Hadassah Medical Center, em Israel.

O estudo foi publicado on-line em 27 de agosto no periódico Seizure.

Apresentação da doença

Em 2020, entre 175 crianças diagnosticadas com infecção aguda por SARS-CoV-2 em um pronto-socorro ao longo de 10 meses, 11 (6%) apresentavam convulsões. Estudos feitos com adultos com covid-19 descreveram crises convulsivas em 0% a 2% dos casos, observaram os pesquisadores.

As 11 crianças (sete meninos) tinham entre 6 meses de vida e 17 anos de idade (idade mediana: 11,5 anos). Todas apresentaram convulsões como sinal de infecção e nenhuma tinha covid-19 grave com necessidade de suporte ventilatório ou hemodinâmico. Seis das 11 crianças apresentaram febre.

Sete das 11 crianças tinham história de distúrbio neurológico: cinco tinham epilepsia, uma tinha história de uma única crise não provocada três anos antes da internação e uma tinha deficiência intelectual. Três crianças tiveram crises convulsivas não controladas apesar do tratamento adequado com anticonvulsivantes.

Nove das 11 crianças apresentaram crises tônico-clônicas generalizadas. Uma criança com história de epilepsia não controlada com vários tipos de crises teve uma crise tônica focal. O paciente mais jovem, um lactente de cinco meses, apresentou convulsão tônico-clônica bilateral assimétrica.

Vale destacar, disseram os pesquisadores, que 5 das 11 crianças apresentaram estado de mal epilético, e nenhuma tinha história anterior deste quadro ou de convulsão.

Embora a idade jovem, especialmente abaixo de 12 meses, seja um reconhecido fator de risco de estado de mal epilético, quatro dos cinco pacientes com o quadro tinham entre 5 e 17 anos. As cinco crianças com estado de mal epilético responderam ao tratamento com anticonvulsivantes.

As 11 crianças tiveram recuperação completa durante a hospitalização, embora um acompanhamento adicional seja essencial para determinar os resultados de longo prazo, relataram os pesquisadores.

“Crianças sem história de epilepsia ou com epilepsia bem controlada que apresentam crises convulsivas, independentemente de sua temperatura corporal, devem ser consideradas como potencialmente infectadas pelo SARS-CoV-2,” disse a Dra. Tal.

“É possível, embora improvável, que uma criança, especialmente com história de epilepsia, tenha uma crise convulsiva não provocada durante o curso da infecção assintomática pelo SARS-CoV-2; de todo modo, medidas de controle de infecção devem ser tomadas”, acrescentou a médica.

Necessidade de replicação

Comentando o estudo para o Medscape, o Dr. Carl E. Stafstrom, Ph.D., médico e professor de neurologia e pediatria, Johns Hopkins University School of Medicine, nos Estados Unidos, disse que é importante observar que "cerca de metade das crianças já havia tido epilepsia e por um motivo qualquer tiveram uma convulsão, o que exigiu um ida ao pronto-socorro, e então a covid-19 foi diagnosticada".

"No entanto, este artigo é interessante e surpreendente no que eles descobriram, porque ninguém mais encontrou uma apresentação de convulsão tão frequente", disse o Dr. Carl, diretor do John M. Freeman Pediatric Epilepsy Center, Johns Hopkins Medicine.

“Gostaríamos de ver uma replicação de outras instituições e em outras populações”, acrescentou.

O estudo não teve financiamento específico. A Dra. Tal e o Dr. Cark informaram não ter conflitos de interesses.

Seizure. Publicado on-line em 27 de agosto de 2021. Texto completo

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