Casos de suicídio aumentaramm significativamente nos últimos 30 anos, mostra pesquisa

Erik Greb

Notificação

10 de setembro de 2021

O total de mortes por suicídio no mundo aumentou em quase 20 mil casos nos últimos 30 anos, mostram dados de uma nova pesquisa.

O aumento ocorreu apesar de uma significativa queda nas taxas de suicídio específicas por idade de 1990 a 2019, de acordo com dados do estudo Global Burden of Disease (GBD) de 2019.

O crescimento, o envelhecimento e as mudanças na estrutura etária da população poderiam explicar o aumento das mortes por suicídio, observaram os pesquisadores.

“Como as taxas de suicídio são mais altas entre os idosos (a partir de 70 anos) de ambos os sexos em quase todas as partes do mundo, o rápido envelhecimento da população em todo o mundo representará enormes desafios para a redução do número de suicídios no futuro”, escreveram os pesquisadores, liderados pelo Dr. Paul Siu Fai Yip, Ph.D., do HKJC Center for Suicide Research and Prevention, University of Hong Kong, na China.

Os achados foram publicados on-line em 16 de agosto no periódico Injury Prevention.

Um problema mundial de saúde pública

Aproximadamente 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo, e muitas outras tentam fazê-lo. No entanto, o suicídio não recebe o mesmo nível de atenção que outros problemas mundiais de saúde pública como HIV/aids e câncer, escreveram os pesquisadores.

Os autores examinaram dados do GBD 2019 para avaliar como fatores demográficos e epidemiológicos contribuíram para a quantidade de casos de suicídio nos últimos 30 anos.

Os pesquisadores também analisaram as relações entre crescimento populacional, estrutura etária da população, renda e taxas de suicídio específicas por gênero e idade.

O estudo GBD 2019 contém informações provenientes de 204 países sobre 369 doenças e lesões por idade e sexo. O conjunto de dados também apresenta estimativas populacionais para cada ano por local, faixa etária e gênero.

Na análise, os pesquisadores avaliaram as mudanças nas taxas de suicídio e o número de casos de suicídio de 1990 a 2019 por gênero e faixa etária nas quatro regiões de nível de renda definidas pelo Banco Mundial. Essas categorias incluem regiões de renda baixa, média baixa, média alta e alta.

Número de mortes versus taxas de suicídio

De 1990 a 2019, o total de casos de suicídio aumentou em 19.897. O número de mortes em 1990 foi de 738.799 e em 2019 foi de 758.696.

O aumento mais acentuado ocorreu na região de renda média baixa, na qual o número de casos de suicídio aumentou 72.550 (de 232.340 para 304.890).

O crescimento populacional (300.942; 1.512,5%) foi o principal fator para o aumento global no número de suicídios. O segundo maior fator foi a estrutura etária da população (189.512; 952,4%).

No entanto, os efeitos desses fatores foram compensados em grande medida pelo efeito da redução nas taxas globais de suicídio (-470.556; -2.364,9%).

Curiosamente, a taxa global de suicídio por 100 mil habitantes diminuiu de 13,8 em 1990 para 9,8 em 2019.

A região de renda média alta teve a queda mais acentuada (-6,25 por 100.000 habitantes), e a região de alta renda teve a queda mais discreta (-1,77 por 100.000 habitantes). As taxas de suicídio também diminuíram nas regiões de renda média baixa (-2,51 por 100.000 habitantes) e de baixa renda (-1,96 por 100.000 habitantes).

As razões para a queda em todas as regiões “ainda não foram determinadas”, escreveram os pesquisadores. Os esforços internacionais coordenados pelas Nações Unidas e pela Organização Mundial da Saúde provavelmente contribuíram para esses resultados, acrescentaram.

“Desequilíbrio de recursos”

A redução global na taxa de suicídios de -4,01 por 100.000 habitantes “foi principalmente devido” à redução nas taxas de suicídio específicas por idade (-6,09; 152%), relataram os pesquisadores.

Este efeito foi parcialmente compensado, no entanto, pelo efeito da mudança na estrutura etária da população (2,08; -52%). Na região de alta renda, por exemplo, a redução na taxa de suicídio por idade (-3,83; 216,3%) foi maior do que o aumento resultante da mudança na estrutura etária da população (2,06; -116,3%).

“A contribuição geral da estrutura etária da população veio principalmente dos grupos etários de 45 a 64 anos (565,2%) e a partir de 65 anos (528,7%)”, escreveram os pesquisadores. “Esse efeito foi observado nas regiões de renda média e alta, refletindo o efeito global do envelhecimento da população.”

Eles acrescentaram que as populações mundiais “verão um envelhecimento pronunciado e historicamente sem precedentes” em função do aumento da expectativa de vida e do declínio da fertilidade.

Houve um importante aumento de casos de suicídio entre os homens (mas não entre as mulheres). O efeito significativo do crescimento da população masculina (177.128; 890,2% vs. 123.814; 622,3% para mulheres) e da estrutura etária da população masculina (120.186; 604,0% vs. 69.325; 348,4%) foram os principais fatores que explicaram este aumento, observaram os pesquisadores.

No entanto, de 1990 a 2019, a taxa global de suicídio por 100.000 homens diminuiu de 16,6 para 13,5 (-3,09). O declínio na taxa global de suicídio foi ainda maior para as mulheres, de 11,0 para 6,1 (-4,91).

Este achado foi particularmente notável na região de renda média alta (-8,12 mulheres versus -4,37 homens por 100.000 habitantes).

“Este estudo destacou o considerável desequilíbrio de recursos na realização do trabalho de prevenção do suicídio, especialmente em países de baixa e média renda”, escreveram os pesquisadores.

“É hora de revisitar esta situação para garantir que recursos suficientes possam ser redistribuídos globalmente para enfrentar os desafios futuros”, acrescentaram.

O estudo foi financiado por uma bolsa em humanidades e ciências sociais concedida ao Dr. Paul, que informou não ter conflitos de interesses.

Inj Prev. Publicado on-line em 16 de agosto de 2021.  Abstract

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