Zanamivir parece mais rápido no alívio dos sintomas de influenza

Tara Haelle

Notificação

9 de setembro de 2021

Apesar de quatro antivirais terem sido eficazes em reduzir o tempo até o alívio dos sintomas na influenza , o zanamivir superou os demais ao aliviar os sintomas mais rapidamente, de acordo com uma metanálise publicada na edição de agosto do periódico JAMA Open Network.

O estudo comparou os quatro medicamentos mais usados para tratar os sintomas da influenza nos Estados Unidos: três inibidores da neuraminidase e o inibidor da endonuclease baloxavir marboxil.

"Os desfechos de todos os antivirais foram semelhantes em termos de tempo até o alívio dos sintomas da influenza, exceto para 10 mg de zanamivir em comparação com 40 mg ou 80 mg de baloxavir", segundo o Dr. Jen-Wei Liu, Ph.D., da faculdade de farmácia na Taipei Medical University, no Taiwan, e seus colaboradores. “Com base em evidências de qualidade moderada, a administração de 40 mg ou 80 mg de baloxavir foi associada a menos complicações associadas à influenza em comparação com o placebo.”

As conclusões do estudo, no entanto, são limitadas pelas poucas comparações diretas entre os medicamentos e pela inclusão de estudos com populações muito diferentes, apontou o Dr. Anthony Flores, Ph.D., médico do Children's Memorial Hermann e chefe de doenças infecciosas pediátricas na McGovern Medical School na UTHealth, nos EUA.

"É importante notar que nesta pesquisa, em comparação com o placebo, todos os estudos examinados mostraram reduções significativas no tempo até o alívio dos sintomas no agente testado", disse ao Medscape o Dr. Anthony, que não participou do estudo. Os poucos estudos que compararam os agentes entre si, raramente encontraram diferenças significativas, acrescentou ele.

"O tratamento precoce é a chave para o alívio dos sintomas", explicou o Dr. Anthony. “Independentemente do medicamento usado, os maiores benefícios são observados quando administrados nas primeiras 48 horas após os sintomas.”

Os pesquisadores usaram as bases Medline, Embase e o registro Cochrane de ensaios clínicos para identificar ensaios clínicos randomizados, publicados antes de janeiro de 2020, que testaram a eficácia dos inibidores de endonuclease ou neuraminidase versus placebo ou outro medicamento em pacientes com influenza. Os pesquisadores incluíram estudos que avaliaram o uso de baloxavir e dos inibidores da neuraminidase oseltamivir, peramivir e zanamivir; eles não encontraram estudos com dados de eficácia do laninamivir.

Os autores analisaram dados de 26 ensaios clínicos randomizados totalizando 11.897 pacientes; média de idade de 32 anos. Cinco ensaios incluíram apenas crianças e 12 apenas adultos. Eles se concentraram em três desfechos: tempo até o alívio dos sintomas da influenza, complicações da influenza e eventos adversos totais relacionados ao antiviral.

Entre todos os tratamentos comparados a placebo, o zanamivir em 10 mg teve o menor tempo até o alívio dos sintomas, com uma redução de 33% no risco relativo de sintomas (razão de risco ou hazard ratio, HR, de 0,67). Os outros agentes mostraram reduções semelhantes, mas com diferenças estatisticamente insignificantes: 600 mg de peramivir (HR de 0,69), 75 mg de oseltamivir (HR de 0,74), 150 mg de oseltamivir (HR de 0,75), 300 mg de peramivir (HR de 0,75) e 40 mg ou 80 mg de baloxavir (HR de 0,79).

O baloxavir (40 mg ou 80 mg) foi associado ao menor risco de complicações relacionadas à influenza, reduzindo o risco relativo em 49% (HR de 0,51). O oseltamivir reduziu o risco de complicações relacionadas à influenza em 39% com 75 mg e 35% com 150 mg, e o peramivir reduziu o risco em 33% a 35%, dependendo da dosagem. O zanamivir reduziu o risco de complicações em 18%.

O baloxavir também apresentou o menor risco global de eventos adversos, em comparação com o placebo, com probabilidade 16% menor de eventos adversos do que o placebo. No entanto, "quase não houve diferenças entre as comparações de tratamento múltiplo", observaram os autores. O peramivir em 600 mg foi o que apresentou mais eventos adversos.

O único antiviral com probabilidade estatisticamente significativa de causar náuseas ou vômitos foi o oseltamivir em 75 mg, que aumentou o risco relativo de náuseas em 82% e de vômitos em 88%. Em comparação com o oseltamivir, o zanamivir teve probabilidade 70% menor e o baloxavir 53% menor de causar náuseas.

Diferenças nas populações de estudo, vias de administração

Os pesquisadores pontuaram que seus achados foram limitados pelas várias definições de complicações nos estudos e pela escassez geral de estudos avaliando alguns dos antivirais. Mas o Dr. Anthony observou que os autores não levaram em consideração as diferenças nas populações de estudo, como o grau de doença, o que torna "as comparações diretas fora de um ensaio clínico difíceis".

"Por exemplo, no ensaio CAPSTONE-2 referenciado na análise, a maioria dos pacientes tinha doenças subjacentes, como diabetes, asma e obesidade, ou tinham mais de 65 anos. Assim, essa população de pacientes pode ter se beneficiado mais, independentemente do agente usado", disse o Dr. Anthony ao Medscape. “Além disso, não houve diferenças significativas entre baloxavir e oseltamivir em relação às complicações da influenza.

Também é importante considerar a via de administração de diferentes medicamentos, disse ele.

"Dos inibidores da neuraminidase, o oseltamivir é o único agente oral; o zanamivir é inalado e o peramivir é de dose única intravenosa (IV)", disse ele. “A maioria dos profissionais prefere o oseltamivir por conta da disponibilidade e familiaridade”. O baloxavir, por sua vez, é o mais novo, tendo sido aprovado apenas em 2018 "e, até o momento, apenas dois ensaios clínicos foram realizados, não mostrando nenhum benefício significativo sobre o uso de oseltamivir", disse ele. "O baloxavir é promissor, mas é necessário muito mais tempo para ver se é preferível ao oseltamivir."

Uma questão importante não abordada pela metanálise, disse o Dr. Anthony, são os possíveis benefícios com a terapia combinada.

“O baloxavir tem um novo mecanismo de ação e há muito interesse em saber se a combinação com oseltamivir em pacientes hospitalizados ou imunocomprometidos teria maior eficácia”, disse ele.

Por fim, o Dr. Anthony observou que há menos opções para as crianças. O oseltamivir é usado quase exclusivamente, disse ele, e o baloxavir não é aprovado para crianças menores de 12 anos ou com peso inferior a 40 kg. "O zanamivir só é aprovado para crianças maiores de cinco anos e é inalado, por isso deve ser evitado em quem tem histórico de asma", afirmou.

Os autores não informaram fontes de financiamento. Os autores e o Dr. Anthony informaram não ter conflitos de interesses.

JAMA Netw Open. 2021;4(8):e2119151. Texto completo

Tara Haelle é jornalista de ciências e medicina em Dallas.

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