Salário, satisfação profissional, desafios no trabalho e impacto da pandemia na renda: pesquisa internacional do Medscape

Naomi Shammash

Notificação

6 de setembro de 2021

Médicos e médicas ganham mais nos Estados Unidos, assim como referem maior satisfação com a remuneração e têm um patrimônio líquido maior, em comparação com médicos e médicas dos outros países analisados no International Physician Compensation Report de 2021 do Medscape.

Os dados também mostram que, independentemente do país, as médicas ganham muito menos do que os médicos – em alguns casos até 75% a menos.

Para elaborar o relatório, o Medsacape pesquisou seus médicos membros nos EUA e em sites internacionais. A ideia era saber mais sobre salário, satisfação com a medicina, desafios diários de trabalho e o impacto da covid-19 na renda. O relatório reuniu e comparou informações de pesquisas de remuneração e satisfação médica realizadas pelo Medscape em: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Brasil, México e Itália.

Comparativamente, em 2020, médicos e médicas norte-americanos ganharam melhor (316 mil dólares/ano) e médicos e médicas mexicanos ganharam pior (12 mil dólares/ano). O poder de compra real está relacionado ao custo de vida no país. Os EUA e a França têm o maior índice de custo de vida (70,1 e 74,6, respectivamente). Os salários são bem mais baixos no México e na Espanha, onde os índices de custo de vida também são menores (34,3 e 54,7, respectivamente).

Há disparidade salarial entre os sexos no mundo todo. Os médicos ganharam mais do que as médicas em todos os países analisados pelo Medscape. A desigualdade de renda foi maior no México (75%) e menor nos EUA e na Espanha (35%). Em relação às especialidades médicas, a maior disparidade salarial entre os sexos ocorreu na França, onde os homens ganharam 63% a mais do que as mulheres; os EUA registraram a menor diferença, com homens ganhando 33% a mais do que mulheres (376 mil e 283 mil dólares/ano, respectivamente); e o Reino Unido e a Espanha se aproximaram dos EUA neste quesito (42% e 43%, respectivamente).

Médicos e médicas da atenção primária ganham melhor nos EUA (242 mil dólares/ano) e na Alemanha (200 mil dólares/ano), como já indicavam os resultados do International Physician Compensation Report de 2019 do Medscape, que também mostravam que a remuneração nesta linha de atendimento é mais baixa no México (7 mil dólares/ano). Tal como na atenção primária, especialistas ganham melhor nos EUA e na Alemanha.

Muitos referiram impacto da pandemia na renda

Os casos de covid-19 e mortes pela doença tiveram um impacto esmagador sobre os médicos e outros profissionais de saúde, tanto em termos pessoais como na renda, visto que muitos consultórios fecharam por um tempo e os médicos tiveram dificuldade de atender os pacientes.

"A Espanha vem sendo o país com o maior número de profissionais de saúde infectados no mundo (cerca de 20%), bem acima de outros países europeus", disse o Dr. Javier Cotelo, médico e advisor do Medscape em espanhol.

"Isso acarretou o isolamento ou quarentena de um grande número de profissionais, causando uma sobrecarga para os médicos em atividade".

No total, pelo menos um quarto (26%) dos médicos em todo o mundo viram sua renda cair em 2020, em comparação com o ano anterior, com os médicos norte-americanos registrando o maior declínio (41%). Muitos relataram que a renda permaneceu a mesma. O Reino Unido teve um dos maiores percentuais de médicos (34%) que tiveram aumento na renda. Os médicos do Reino Unido citaram progressão na carreira, incrementos (aumentos salariais por meio de faixas baseadas em anos de serviço) e um aumento salarial nacional. Mais de 75% dos médicos de cada país participante do levantamento, que relataram queda na renda, culparam a pandemia pelo declínio.

A popularidade da telemedicina disparou no ano passado por causa da covid-19, e muitos médicos são gratos, pois isso manteve a remuneração. Mais de um terço dos médicos em todos os países relatam o uso da telemedicina. Nos EUA, na Alemanha, na Itália e no México, os médicos ainda não voltaram a atender o mesmo número de pacientes por semana que antes da covid-19. No entanto, os médicos no Brasil e na França parecem estar atendendo o mesmo número de pacientes por semana que antes da pandemia.

Médicos dos EUA têm o maior patrimônio líquido por uma grande margem

Os EUA têm uma porcentagem muito maior de médicos satisfeitos com sua remuneração (59%), seguidos por Alemanha, Brasil e Reino Unido. Entre os norte-americanos, oncologistas, psiquiatras, cirurgiões plásticos e dermatologistas foram mais propensos a referir satisfação com a própria remuneração. Na Itália, Espanha e França, a probabilidade de insatisfação foi maior, com cada país registrando pelo menos 75% de insatisfação com a renda.

Os médicos norte-americanos também estão muito à frente dos de outros países em termos de patrimônio líquido (soma de todos os ativos menos as dívidas). A média geral dos médicos nos EUA é de pouco mais de 1,7 milhão de dólares. Nos EUA, o patrimônio líquido médio de todas as famílias era de 746.820 dólares e o patrimônio líquido mediano era de 121.760 de dólares, de acordo com um relatório do Federal Reserve .

A hipoteca da casa principal de uma pessoa é a dívida mais comum para médicos nos EUA, no Reino Unido, na Espanha, na Alemanha e na Itália. Dívida no banco (cartão de crédito) é a principal no México (52%). No Brasil, gastos com os filhos (35%) foi a mais citada. A pergunta não foi feita na França. Pagamentos de empréstimo de carro, despesas médicas, mensalidades de pós-graduação e mensalidades para crianças também foram citados como gastos principais.

O que motiva e atormenta os médicos em todo o mundo

Ser muito bom no que faz é um dos principais motivadores para médicos no Reino Unido, na Espanha, na Alemanha e no México. Para os médicos na França e na Itália, é gratidão e relacionamento com os pacientes, e para os médicos brasileiros é ganhar bem exercendo um trabalho do qual gostam. Os médicos norte-americanos também mencionaram gratidão, relacionamento com os pacientes e o fato de tornar o mundo um lugar melhor como motores.

Ter uma quantidade excessiva de regras e regulamentos é algo que irrita mais os médicos na Alemanha, na Itália, na França e nos Estados Unidos, enquanto as longas horas atormentam os médicos espanhóis, brasileiros e mexicanos. Todos tiveram queixas sobre o pesadelo de uma burocracia interminável. Aproximadamente metade (40% a 60%) dos médicos em todos os países relatou gastar entre 10 e 24 horas por semana com burocracia e administração.

“Isso se tornou uma escravidão administrativa, com total desrespeito e humilhações diárias”, escreveu um médico francês.

Outros importantes desafios para os médicos são lidar com pacientes difíceis, dificuldades de reembolso com planos de saúde e preocupação em ser processado.

Mais de 70% dos médicos em todos os países escolheriam a medicina novamente – exceto no Reino Unido, onde apenas 60% disseram isso.

"Ainda é o melhor e o pior emprego do mundo", disse um entrevistado do Reino Unido.

A maioria dos médicos também escolheria a mesma especialidade novamente, com os EUA e o Reino Unido tendo a maior porcentagem de respondentes escolhendo essa opção – cerca de 80%. As respostas de cada país foram muito semelhantes às de 2019.

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