Relato de caso de uma paciente idosa com episódio de mania

Dr. Sivan Mauer

Notificação

31 de agosto de 2021

Neste artigo

Dr. Sivan Mauer

Nesta seção o psiquiatra Dr. Sivan Mauer seleciona e comenta estudos relevantes no campo da psiquiatria. O Dr. Mauer é especialista em transtornos do humor. Tem residência em psiquiatria da infância e adolescência e tem experiência em psicogeriatria. É mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine e doutor em psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além da prática privada exercida em São Paulo e Curitiba, o Dr. Mauer é clinical assistant professor na Tufts University School of Medicine, Boston (EUA).

1. Qualidade de vida de pacientes com depressão resistente tratados com eletroconvulsoterapia

Os transtornos depressivos são o maior contribuinte individual para a perda de saúde não fatal em todo o mundo, conforme medido por anos perdidos por invalidez. Apesar de tratamentos psicoterápicos e farmacológicos serem eficazes na maioria dos casos, muitos indivíduos desenvolvem depressão resistente ao tratamento de primeira linha.

Um estudo indicou que 33% dos participantes com depressão resistente não responderam a até quatro antidepressivos seguidos. Em longo prazo, pesquisas mostram que a persistência dos sintomas compromete a vida social desses pacientes e que há um aumento na mortalidade.

Tradicionalmente, estudos sobre depressão resistente focam na gravidade dos sintomas como desfecho primário, mas trabalhos recentes têm enfatizado a qualidade de vida. Revisões sobre a qualidade de vida têm mostrado importante impacto psicológico (p. ex., bem-estar) e no funcionamento social desses pacientes. Este mesmo grupo reportou recentemente que pessoas com depressão resistente apresentam grave comprometimento físico e psicológico associado à qualidade de vida, de acordo com os parâmetros do instrumento World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-BREF).

Pacientes com depressão resistente normalmente consideram a eletroconvulsoterapia (ECT), que é efetiva em dois terços dos casos. Um estudo usando o WHOQOL-BREF para avaliar os efeitos imediatos da ECT em pacientes com depressão resistente mostrou melhora na qualidade de vida dos participantes. Além disso, estudos de curto prazo sugerem importante ganho em qualidade de vida logo após as sessões de ECT.

Pouco se sabe sobre a qualidade de vida seis meses após a ECT em pacientes com depressão resistente. Até o momento, não foi publicado nenhum estudo relatando desfechos em longo prazo associados à qualidade de vida desta população.

O estudo em pauta teve dois objetivos: (1) descrever os desfechos físicos, sociais e ambientais associados à qualidade de vida observados ao longo de dois anos na coorte de pacientes com depressão resistente a partir da primeira sessão de ECT e (2) identificar características dos pacientes que possam predizer uma qualidade de vida duradoura. A hipótese do estudo era que os desfechos psicológicos e físicos associados à qualidade de vida seriam melhores entre os pacientes que tivessem uma resposta imediata melhor.

Os pesquisadores incluíram 79 pacientes com diagnóstico de depressão uni ou bipolar resistente ao tratamento neste estudo observacional e longitudinal. Os desfechos físicos, psicológicos, sociais e ambientais associados à qualidade de vida foram avaliados de acordo com os critérios do WHOQOL-BREF. A partir da primeira sessão de ECT, o instrumento foi aplicado ao início do estudo e então a cada seis meses, por dois anos.

Foram disponibilizados dados de longo prazo de 49 participantes. Em torno de 40% a 50% apresentaram melhora clínica significativa. Pacientes com melhor resposta imediata apresentaram melhor qualidade de vida ao longo desses dois anos. Pacientes casados, sem deficiência, com crises depressivas mais breves e sem sintomas psicóticos ao início do estudo também tiveram uma qualidade de vida melhor em longo prazo.

Para lembrar:

É sempre importante lembrar que a principal causa de depressão resistente não é o tratamento e sim o diagnóstico. Em algumas situações, a retirada do antidepressivo pode até fazer com que o paciente melhore do quadro crônico com sintomas depressivos ou ansiosos. Entre as opções aos antidepressivos está a ECT, que, como vimos no estudo em tela, apresenta bons resultados para pacientes com depressão resistente.

Referência:
Lex, H., Nevers, S., Jensen, E., Ginsburg, Y., Maixner, D., & Mickey, B. (2021). Long-term quality of life in treatment-resistant depression after electroconvulsive therapy. Journal Of Affective Disorders291, 135-139. doi: 10.1016/j.jad.2021.05.012

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