Temas mais buscados em agosto de 2021: Esclerose múltipla

Ryan Syrek

Notificação

27 de agosto de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook.

O fato de uma atriz ter compartilhado que está em remissão da esclerose múltipla (EM), junto com relevantes dados sobre pesquisas de tratamento, resultaram no tema clínico mais buscado desta semana.

Selma Blair, que foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2018, divulgou que sua agressiva estratégia de tratamento foi bem-sucedida. Depois de anos lidando com graves crises, durante as quais apresentou dificuldade na articulação da fala e perdeu a função plena da perna esquerda, o transplante de células-tronco, disse ela, a “colocou em remissão”.

Um estudo examinando o transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas em pacientes com esclerose múltipla identificou benefícios duradouros (ver infográfico abaixo). Pacientes com esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR) tiveram resultados melhores do que aqueles com outras formas da doença, com 85,5% sem piora da incapacidade física em cinco anos e 71,3% em 10 anos. Entre os pacientes com esclerose múltipla progressiva, 71% não tiveram piora da incapacidade física em cinco anos e 57,2% em 10 anos. A autora do estudo, Dra. Matilde Inglese, Ph.D., afirmou: "Os melhores candidatos a este procedimento são os pacientes com esclerose múltipla altamente ativa que não respondem a medicamentos de alta eficácia, como alemtuzumabe ou ocrelizumabe."

A escolha do tratamento em pacientes com esclerose múltipla pode ser ainda mais relevante do que se pensava. A prevalência de depressão ao longo da vida neste grupo é de aproximadamente 50%. Uma nova pesquisa constatou que os pacientes que usaram rituximabe de venda livre para tratar EMRR tiveram um risco 28% menor de depressão do que aqueles que usaram algum interferon. O estudo incluiu quase 4.000 pacientes inscritos no registro sueco de esclerose múltipla. O tempo médio entre o início da terapia modificadora da doença e a suspensão do tratamento foi de 1,81 ano. O risco de suspensão do uso de interferon foi maior entre os pacientes com depressão.

Uma opção de tratamento mais barata e mais conveniente pode ser disponibilizada nos Estados Unidos em breve. Os resultados de dois novos estudos de fase 3 mostraram que o ublituximabe, um novo anticorpo monoclonal anti-CD20 modificado por glicoengenharia, reduziu significativamente a taxa de recidiva anual e os parâmetros de ressonância magnética, em comparação com a teriflunomida, em pacientes com formas recorrentes de esclerose múltipla. O desfecho primário do estudo ULTIMATE I foi a taxa de recidiva anual. Os resultados mostraram que essa taxa foi de 0,076 no grupo do ublituximabe e de 0,188 no grupo da teriflunomida, resultando em uma redução relativa de 60%. No estudo ULTIMATE II, a taxa de recidiva anual foi de 0,091 no grupo do ublituximabe e 0,178 no grupo da teriflunomida, com uma redução relativa de 49%. Os achados foram apresentados no congresso virtual de 2021 da European Academy of Neurology. Atualmente, há dois agentes anti-CD20 aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento da esclerose múltipla; ambos exigem infusões de quatro horas.

Outro estudo avaliou a relação entre a esclerose múltipla pediátrica e outras doenças autoimunes. A prevalência dessas doenças, contando com as que acometem a tireoide, foi maior entre as famílias com crianças com esclerose múltipla. Este achado reforça a ideia de que “provavelmente existem fatores genéticos de risco de autoimunidade em geral sobrepostos, mas que a doença autoimune especificamente apresentada pela pessoa é baseada no tempo de exposição", disse ao Medscape o primeiro autor do estudo, Dr. Benjamin M. Greenberg. Em análises não ajustadas, a prevalência de história familiar de doença autoimune foi significativamente maior entre crianças com esclerose múltipla do que entre seus pares saudáveis (68,1% versus 49,5%). As doenças nas quais a prevalência foi significativamente maior entre o grupo de caso vs. o grupo de controle foram diabetes de início na infância (6,3% vs. 2,7%), diabetes de início na idade adulta (44,6% vs. 29,8%), distúrbios da tireoide (20% vs. 13,4%), artrite reumatoide (15,6% vs. 9,25%), esclerose múltipla em parentes que não eram de primeiro grau (13,7% vs. 4,1%) e lúpus eritematoso sistêmico (5,7% vs. 3,1%).

Boas novas sobre a remissão alcançada por meio do transplante de células-tronco, notícias sobre novas opções terapêuticas e pesquisas potencialmente preocupantes, indicando a associação com outras doenças, fizeram com que esclerose múltipla fosse o tema clínico mais popular desta semana.

Faça um Teste Rápido sobre os sinais e sintomas da esclerose múltipla.

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