Temas mais buscados em agosto de 2021: Doença inflamatória intestinal (DII)

Ryan Syrek

Notificação

20 de agosto de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook!

 

Uma grande análise confirmando uma antiga suspeita de fator de risco de doença inflamatória intestinal (DII), bem como boas novas sobre a imunização contra a covid-19, preocupações com tromboembolia venosa e achados sobre o tratamento, resultaram no tema clínico mais buscado da semana.

Uma nova pesquisa identificou associação entre consumo de alimentos ultraprocessados e aumento do risco de doença inflamatória intestinal (ver infográfico). Alimento ultraprocessado foi definido como toda comida ou bebida embalada e desidratada contendo aditivos como aromatizante ou corante artificiais, ou outros ingredientes químicos. As categorias foram carne processada, cereais matinais, vários molhos, refrigerantes e sucos de fruta e alimentos adoçados com açúcar refinado (p. ex., bala, chocolate, geleia, gelatina e brownie). O estudo incluiu dados de mais de 100.000 pacientes obtidos entre 2003 e 2016. No total, 467 participantes apresentaram DII, contando com 90 que tiveram doença de Crohn e 377 que tiveram colite ulcerativa. Esses achados são de especial interesse, visto que um novo estudo constatou que a maior parte das calorias consumidas pelos jovens norte-americanos é proveniente de alimentos ultraprocessados.

Em outro contexto, temos boas novas: a eficácia da vacinação anticovídica completa foi superior a 80% em pessoas com doença inflamatória intestinal em uso de imunossupressores. O estudo avaliou as taxas de infecção após o recebimento da vacina em uma coorte do Veterans Affairs e validou a eficácia da imunização. Dos quase 15.000 pacientes com doença inflamatória intestinal da pesquisa, 3.561 receberam as duas doses da vacina anticovídica da Moderna e 3.017 receberam as duas doses da vacina anticovídica da Pfizer. Em comparação com pacientes não vacinados, ter recebido a vacinação completa foi associado a uma redução na razão de risco (HR, sigla do inglês Hazard Ratio) de infecção de 69% (0,31). As taxas de eficácia da vacina foram de 25,1% para a vacinação parcial e 80,4% para a vacinação completa, respectivamente. Uma importante limitação deste estudo foi o fato de a população ter sido majoritariamente composta de homens brancos e mais velhos (80,4%), o que pode limitar a generalização dos achados para mulheres, pessoas trans e/ou de outras raças/etnias.

Em relação a outros riscos associados à doença inflamatória intestinal, um novo estudo concluiu que a trombofilia não aumenta o risco de tromboembolia venosa. O pequeno estudo de caso-controle descobriu que, ao contrário da imobilização e da cirurgia, a trombofilia não parece ser um fator de risco de tromboembolia venosa. Segundo os pesquisadores, os achados não respaldam a investigação exaustiva de trombofilia em pacientes com doença inflamatória intestinal; no entanto, a anamnese desses indivíduos deve considerar a história pessoal e familiar de trombose e o uso de pró-trombóticos. Outros dados sugerem que esses pacientes também devem ser rastreados para fatores de risco de tromboembolia venosa especificamente relacionados com a doença inflamatória intestinal, como hospitalização, imobilização, cirurgia e uso de medicamentos (passado e presente).

Sobre o tratamento da doença inflamatória intestinal em si, os medicamentos podem se tornar mais direcionados no futuro. Pesquisadores estão desenvolvendo uma forma de concentrar a ação dos medicamentos diretamente na mucosa do cólon, o que pode aumentar a precisão da ação do medicamento na região comprometida e, ao mesmo tempo, reduzir a exposição sistêmica ao medicamento. Embora os atuais sistemas de entrega direcionada de medicamentos ao cólon sejam melhores do que os medicamentos sistêmicos, eles costumam ser limitados pela dependência da fisiologia do paciente, que varia e pode levar a uma absorção errática. O sistema de ação dos medicamentos, criado pela empresa Progenity, é atualmente conhecido como DDS2, e se vale da anatomia, em vez da fisiologia, para a ação direcionada dos medicamentos. De fatores de risco a novas opções terapêuticas, diversas notícias sobre a DII fizeram deste o termo mais popular da semana.

Reveja aqui as principais informações clínicas sobre DII.

Siga o Medscape em português no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comente

3090D553-9492-4563-8681-AD288FA52ACE
Comentários são moderados. Veja os nossos Termos de Uso

processing....