Menos risco de demência aos 80 do que aos 50? Pratique exercícios!

Megan Brooks

Notificação

18 de agosto de 2021

A prática leve a moderada de atividades físicas na velhice reduz significativamente risco de demência associado ao avanço da idade, sugere nova pesquisa.

Novos dados do English Longitudinal Study of Aging (ELSA) mostram que pessoas a partir de 80 anos que praticavam atividade física de intensidade moderada a vigorosa tinham menos risco de demência por todas as causas do que sedentários nos seus 50 ou 60 anos de idade.

"Esses achados têm importantes implicações em termos de saúde pública, pois sabemos que a idade é o maior fator de risco de demência por todas as causas e que o sedentarismo vem aumentando tanto entre as pessoas mais jovens como entre as mais velhas, que podem ter dificuldade de alcançar os níveis recomendados de atividade física, disse o líder do estudo, Dr. Natan Feter, Ph.D., da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

"Até mesmo a prática semanal de atividade física de intensidade moderada pode reduzir o risco de demência. Já havíamos demonstrado esse efeito em pessoas com comprometimento cognitivo leve. Aqui, mostramos esse efeito para a população idosa em geral", disse Dr. Natan para o Medscape.

Os achados foram apresentados na Alzheimer's Association International Conference (AAIC) 2021.

Atenuando e eliminando riscos

Como parte do estudo ELSA, participantes a partir de 50 anos de idade foram acompanhados entre 2002 e 2019. De acordo com suas respostas a um questionário validado, foram classificados como sedentários ou praticantes de atividade física de intensidade leve ou moderada a vigorosa.

O Dr. Natan apresentou os dados de 8.270 participantes do ELSA (média de idade de 64 anos; 56% mulheres).

Em mais de 17 anos de acompanhamento, cerca de 8% destes participantes tiveram demência. O risco de demência aumentou 7,8% para cada ano de vida a mais.

No entanto, o risco de demência por todas as causas foi menor entre os que praticaram atividade física de intensidade leve (razão de chances ou odds ratio, OR, de 0,30; intervalo de confiança, IC, de 95% de 0,25 a 0,36) e moderada a vigorosa (OR de 0,13; IC de 95% de 0,10 a 0,16), em comparação aos seus pares sedentários.

O Dr. Natan disse que é particularmente notável que idosos de 80 anos ou mais praticantes de atividade física de intensidade moderada a vigorosa tenham apresentado menos risco de demência do que sedentários de 50 a 69 anos de idade.

"Em nossa opinião, esse é o principal achado do estudo", disse o pesquisador.

Embora o envelhecimento seja o maior fator de risco de demência, "mostramos que a prática de atividade física de intensidade moderada uma vez por semana pode atenuar ou mesmo eliminar o risco de demência associado ao envelhecimento", observou o Dr. Natan. "Na verdade, idosos que praticam atividades físicas regulares têm menos risco de demência do que pessoas até 30 anos mais novas."

Entretanto, o pesquisador pontuou várias limitações do estudo, como a forma de avaliação da atividade física e da demência, e o fato de causalidade reversa e confusão residual "não poderem ser descartadas dos nossos achados".

Bom para o coração, bom para o cérebro

Convidada a comentar para o Medscape, a neurocientista Dra. Claire Sexton, Ph.D., diretora de programas científicos e de atividades de divulgação da Alzheimer's Association, disse que os resultados estão "muito alinhados com outros achados" que mostraram uma ligação entre a atividade física e a redução do risco de demência.

"O exercício já comprovou seus efeitos benéficos no sistema cardiovascular, e o que é bom para o coração é bom para o cérebro", disse Dra. Claire, que não participou do estudo.

"Precisamos de mais estudos, inclusive estudos intervencionistas, olhando não somente para a atividade física, como combinando o exercício com outros fatores associados à redução do risco de demência, como atividades cognitivas e alimentação", acrescentou a comentarista.

Tais estudos, como o estudo US Pointer, já começaram. "Estamos meio que aguardando ansiosamente para ver estes resultados divulgados nos próximos anos", disse Dra. Claire.

O estudo não teve financiamento comercial. O Dr. Natan Feter e a Dra. Claire Sexton informaram não ter conflitos de interesses financeiros.

Alzheimer's Association International Conference (AAIC) 2021: Session 1-HO-10. Apresentado em 26 de julho de 2021.

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