Mulheres na ciência: elas estão virando o jogo

Dra. Aline Serfaty; Dr. Sivan Mauer

Notificação

13 de agosto de 2021

Em 2005 o economista norte-americano Lawrence Summers, à época servindo como reitor da Harvard University, disse publicamente que a pouca representatividade das mulheres na ciência e na engenharia era mais uma questão de falta de aptidão do que de discriminação de gênero. A opinião, que gerou um problema brutal de relações públicas em uma das mais prestigiosas instituições de ensino do planeta e terminou por influenciar o pedido de demissão de Summers do cargo, soa como uma ofensa à capacidade das mulheres, mas é a desculpa mais usada para desmerecer minorias.

De acordo com o relatório A jornada do pesquisador pela lente de gênero, publicado pela Elsevier em 2020, a participação de mulheres, nos mais diversos campos da ciência, oscila entre 20% e 49% nos 15 países estudados para compor o relatório. O Brasil está entre os pesquisados, e figura entre os países mais equânimes na proporção entre homens e mulheres na autoria de artigos científicos, com 0,8 mulher por homem – um desempenho superior ao do Reino Unido (0,6), dos Estados Unidos e da Alemanha (ambos com 0,5).

Neste episódio do Conversa de Médico, a Dra. Aline Serfaty, radiologista, e o Dr. Sivan Mauer, psiquiatra, apresentam os números mais atualizados sobre como essa falácia perpetuada para a manutenção do status quo está cada dia mais longe de corresponder à verdade. Discutindo como a desigualdade de gênero na ciência acarreta redução na criatividade e no potencial de inovação de um país, a dupla de médicos elenca algumas questões intrínsecas os desafios a serem superados para igualar a representatividade de homens e mulheres na formação e na produção científica brasileira.

Leia mais sobre o tema na bibliografia recomendada pelos dois especialistas:

1. Jayabalasingham, B., Collins, T., Kuiper, L., Zhang, J. & Roberge, G. The researcher journey through a gender lens. in (2020).

2. Scheffer, M. C. & Cassenote, A. J. F. A feminização da medicina no Brasil. Rev. Bioética 21, 268–277 (2013)

3. Saini, A. (2017). Inferior: How science got women wrong—and the new research that's rewriting the story. Beacon Press.

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