Temas mais buscados em julho de 2021: HIV

Ryan Syrek

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30 de julho de 2021

A cada semana nós identificamos um termo mais buscado, procuramos descobrir o que causou a sua popularidade e fazemos um infográfico sobre uma doença ou quadro clínico relacionado. Se você tiver alguma ideia sobre o que está sendo uma tendência e por que razão, compartilhe com a gente no Twitter ou Facebook!

Recentemente, foram apresentados estudos sobre novos tratamentos contra o HIV, riscos importantes e passos para uma potencial cura no congresso de 2021 da International AIDS Society (IAS). A análise de segurança de um novo esquema com dois antirretrovirais revelou resultados encorajadores (ver infográfico abaixo). O esquema de islatravir (ISL) junto com doravirina (DOR) foi associado a efeitos adversos leves e de curta duração. A doravirina, um inibidor da transcriptase reversa não nucleosídeo (ITRNN), já foi aprovada e faz parte do esquema de três medicamentos em um único comprimido, o Delstrigo, (doravirina/lamivudina/tenofovir disoproxil fumarato). O islatravir ainda é experimental.

Junto com outros dados que mostram poucas alterações nos marcadores metabólicos, esta é uma boa notícia para as pessoas que vivem com HIV, disse o Dr. Jean-Michel Molina, Ph.D., médico francês que anteriormente apresentou dados de eficácia sobre a combinação islatravir/doravirina na ISL/DOR at the HIV Glasgow 2020 Virtual Conference. Os achados apresentados no IAS 2021 mostraram que nas primeiras 96 semanas do estudo, apenas sete eventos adversos farmacológicos foram notificados entre os pacientes no braço que recebeu islatravir/doravirina. Todos os eventos adversos ocorreram nas primeiras 48 semanas, nenhum entre a 48ª e a 96ª semana.

Mesmo assim, o valor da associação de islatravir/doravirina é confuso para a Dra. Laura Waters, médica especialista em HIV e saúde sexual no Central and Northwest London NHS Trust. Segundo a avaliação dela, os dados são preliminares e o islatravir ainda não comprovou diminuir as chances de gerar mutações virais resistentes ao tratamento. Isso é importante porque as tentativas preliminares com esquemas duplos resultaram na supressão incompleta do vírus e em resistência.

Em relação à resistência aos medicamentos, outra apresentação mostrou que o lenacapavir – de ação prolongada – demonstrou supressão viral sustentada em 26 semanas em uma pequena coorte de pacientes com história de tratamento com vários antirretrovirais e HIV multirresistente, quando associado a um esquema antirretroviral otimizado. Se aprovado, o lenacapavir seria a única opção de tratamento do HIV-1 de administração semestral.

"Esses dados corroboram o uso do lenacapavir para pacientes com vírus multirresistente e, dada sua longa meia-vida – que possibilita duas injeções subcutâneas por ano –, este medicamento poderia ajudar a reduzir a quantidade de comprimidos", disse o Dr. Jean-Michel Molina, o primeiro autor do estudo, para o Medscape.

Embora apresentando os resultados atualizados do ensaio de fase 2/3 CAPELLA no IAS 2021, o Dr. Jean-Michel reforçou a necessidade de tratamentos em longo prazo. "Os pacientes multirresistentes costumam ser os que não tiveram boa adesão ao esquema recebido", disse o pesquisador. "Poder aplicar o medicamento por via subcutânea semestralmente oferece um método terapêutico ideal para superar a resistência e a falta de adesão".

Além do tratamento, um pequeno estudo feito com macacos Rhesus pode trazer um vislumbre acerca de uma potencial cura para o HIV. Ao receber imunoterápicos para bloquear a proteína 1 da morte celular programada (PD-1, do inglês Programmed Cell Death Protein–1) e a interleucina 10 (IL-10), os macacos apresentaram redução de 10 vezes da carga viral do HIV. Isso não significa que a imunoterapia visando a IL-10 e a PD-1 irá curar o HIV em humanos, disse o Dr. Tim Schacker, médico e vice decano de pesquisa na University of Minnesota Medical School, mas abre outra porta na busca da cura funcional. Segundo ele, o esquema ainda precisa ser replicado em humanos e provavelmente terá de ser combinado com outros medicamentos para de fato controlar o HIV.

Nem todas as notícias do IAS 2021 foram positivas, já que um estudo apresentado na conferência constatou que o HIV aumenta em 6% o risco de doença grave na covid-19, e em 30% o risco de morrer de covid-19 durante a internação. Os resultados são provenientes da Plataforma Clínica da Organização Mundial da Saúde (OMS), que colige os dados de vigilância dos países membros da organização, bem como notificações manuais de casos do mundo inteiro. Até abril de 29, foram notificados dados sobre 268.412 pessoas internadas com covid-19 dos 37 países na plataforma. Destes, 22.640 vêm dos Estados Unidos.

Desta preocupante associação, no que diz respeito ao incentivo ao desenvolvimento de tratamentos e à tentativa de obter a cura, as informações sobre o HIV apresentadas no IAS 2021 resultaram no tema clínico mais buscado da semana.

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