Situação da covid-19 na América Latina e na Espanha

Matías A. Loewy; Carla Nieto Martínez; Pablo Hernández Mares

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29 de julho de 2021

Neste artigo

Realidades contrastantes

Nota da editora: Veja as últimas notícias e orientações sobre a covid-19 em nosso  Centro de Informações sobre o novo coronavírus SARS-CoV-2.

Na madrugada do dia 09 de maio, milhares de jovens saíram às ruas da Espanha para comemorar o fim do estado de alerta (equivalente à emergência sanitária no Brasil), que vigorava no país desde 2020. Em muitas cidades, o evento foi celebrado “como uma grande festa, um réveillon antecipado para maio, com botellones (em tradução livre: garrafonas. São encontros de jovens para consumo de álcool), muitas vezes barulhentos e sem medidas de segurança, nas principais praças”, segundo descreveu o jornal El País. [1]

No outro lado do Atlântico, os Estados Unidos seguiam com a campanha de vacinação contra a covid-19 a toque de caixa – em 13 de maio, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA chegaram a desobrigar o uso de máscara nas ruas por quem tivesse totalmente vacinado contra o vírus. Por outro lado, no sul do continente americano, a Argentina não estava pronta para relaxar: o país vivia um novo surto da doença, com uma média de infecções diárias três vezes maior do que a registrada em fevereiro de 2021. Em 20 de maio, o presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou nove dias de confinamento nacional para enfrentar o que definiu como "o pior momento da pandemia".

Esse é apenas um exemplo dos contrastes de uma pandemia que até 16 de julho de 2021 respondia por mais de 188 milhões de casos de covid-19 e mais de quatro milhões de mortes pela doença, e cujas dinâmicas de transmissão são distintas nas diferentes regiões, estando atreladas a fatores como cobertura vacinal, clima, adoção de medidas de saúde pública e circulação de novas variantes do vírus. A pandemia é apenas uma, mas abrange "um mosaico de situações epidemiológicas", afirmou em diversas ocasiões o Dr. Sylvain Aldighieri, Gerente de Incidentes da covid-19 da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Apesar de a 48ª edição do relatório semanal da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicar uma recente tendência de queda na incidência de casos de covid-19 e mortes pela doença nas Américas, em contraste com o aumento registrado no restante do mundo (de 05 a 11 de julho), de acordo com a OPAS, a América Latina e o Caribe hoje são o epicentro global da pandemia. [] 2 ] O documento da OMS informa que foram notificados 962.280 novos casos e 23.715 mortes de 05 a 11 de julho no continente americano, o que representa 32% das infecções e 42% das mortes pela doença no mundo, superando de longe os números registrados da Europa.

“Continuamos em um período de transmissão extremamente alta”, disse o Dr. Ciro Ugarte, diretor do Departamento de Emergências de Saúde da OPAS, em 30 de junho. Ele atribuiu a situação na América Latina e no Caribe a diferentes fatores, como desigualdade, informalidade, dificuldade de sustentar as medidas sanitárias diante da grande quantidade de pessoas que dependem de remuneração diária e impossibilidade de os países realizarem fechamentos completos por tempo prolongado. A ameaça das novas variantes levanta mais dúvidas.

Com a aproximação da marca de 500 dias desde a declaração de pandemia de covid-19 pela OMS, este artigo atualiza o relatório colaborativo publicado pelo Medscape em 20 de abril de 2020, e agora coleta, analisa e compara a evolução das curvas, as campanhas de vacinação, o impacto na educação e outros aspectos da gestão desta crise sanitária na Espanha, no México, e na Argentina, bem como uma breve revisão de outros países ibero-americanos.

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