Homem de 52 anos com alcoolismo e um ‘buraco’ na mandíbula

Laith Mahmoud Abdulhadi, DDS

Notificação

22 de julho de 2021

Nota da editora: A série Casos Clínicos aborda doenças difíceis de diagnosticar, algumas das quais não são vistas com frequência pela maioria dos médicos, mas é importante poder reconhecer com precisão. Teste a sua capacidade diagnóstica e terapêutica com o caso deste paciente e as perguntas correspondentes.

Contexto

Um homem de 52 anos com edentulismo procura atendimento após a colocação de uma prótese dentária integral. Há muito ele refere alta sensibilidade e intolerância à leve pressão na crista mandibular residual, bem como desvio mandibular do lado acometido. À inspeção, seu dentista encontrou uma grande abertura localizada na área retromolar esquerda, com descolamento das partes moles. O paciente refere secreção purulenta abundante, sobretudo pela manhã.

A história patológica pregressa mais relevante foi uma fratura do corpo mandibular na junção com o ramo da mandíbula, ocorrida quatro anos antes e tratada sem êxito. O paciente informa ter tomado vários antibióticos sem resultado. A anamnese revela hipertensão arterial sistêmica, diabetes e alcoolismo.

Além disso, o paciente fez tratamento para depressão, causada pela dor contínua e pela incapacidade de se alimentar. Ele informa nunca ter sido hospitalizado, nem ter nenhuma outra doença crônica além das mencionadas. Perdeu 15 kg no último ano e tem história de febre vespertina e sudorese noturna.

Exame físico e propedêutica

Ao exame temos um paciente de compleição robusta, febril e com linfonodos cervicais palpáveis. Na cavidade oral, existe um grande orifício na região retromolar esquerda, perto do ramo da mandíbula, com erosão por elevação da mucosa.

A radiografia da mandíbula revela a uma extensa área radiotransparente, localizada na parte posterior da mandíbula, que se estende para todo o ramo mandibular esquerdo, poupando o segmento ósseo que contém o processo condilar e o processo coronoide (Figuras 1 e 2). A borda da lesão no osso remanescente era definida, porém irregular.

A baciloscopia de amostras da lesão é negativa para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR). Os exames laboratoriais revelam velocidade de hemossedimentação (VHS) elevada e PPD (sigla do inglês, purified protein derivative) reator. A cultura da secreção para micobactérias é positiva após cinco semanas.

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