Estatísticas do Fitbit mostram a continuidade do impacto fisiológico após a covid-19

Megan Brooks

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21 de julho de 2021

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As pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 podem apresentar persistência dos efeitos fisiológicos da infecção após a recuperação, de acordo com dados iniciais de um estudo em andamento que está avaliando a capacidade do Fitbit e de outros rastreadores portáteis de avaliar os efeitos tardios da covid-19.

“Pelo que sabemos, este é o primeiro estudo examinando dados de sensores portáteis de longa duração. Encontramos um impacto fisiológico prolongado da infecção pelo SARS-CoV-2, com duração de aproximadamente dois a três meses, em média, mas com importante variabilidade intraindividual”, informou a bióloga Dra. Jennifer Radin, Ph.D., e colaboradores do Scripps Research Translational Institute, nos Estados Unidos.

O estudo foi publicado on-line em 07 de janeiro no periódico JAMA Network Open.

O estudo DETECT está recrutando adultos de todos os estados nos EUA e coletando seus dados de saúde a partir de diferentes dispositivos portáteis para compreender melhor as alterações associadas a doenças virais, inclusive a covid-19.

A análise em tela concentra-se em um subconjunto de 875 usuários de dispositivos que referiram sinais e sintomas de alguma doença respiratória aguda, e fizeram testes para o SARS-CoV-2. No total, 234 tiveram resultado positivo; 641 tiveram diagnóstico presuntivo de infecção viral (pacientes sintomáticos negativos para infecção pelo SARS-CoV-2).

Os pesquisadores descobriram que, entre as pessoas com covid-19, a recuperação ao estado inicial foi mais lenta, no que diz respeito ao ritmo cardíaco em repouso (RRC), ao sono e à atividade, em comparação aos que tiveram sinais e sintomas de doença viral, mas que não tiveram covid-19.

“Essa diferença foi mais acentuada para o ritmo cardíaco em repouso entre os pacientes com resultado positivo para SARS-CoV-2, apresentando inicialmente bradicardia transitória seguida de relativa taquicardia prolongada, que não retornou à linha de base, em média, até 79 dias após o início do quadro”, informaram Dra. Jennifer e colaboradores.

A contagem de passos e o tempo de sono retornaram aos valores iniciais antes do ritmo cardíaco em repouso, no 32º e no 24º dias, respectivamente.

Entre as pessoas com covid-19, durante a recuperação, as trajetórias diferiram em relação ao retorno do ritmo cardíaco em repouso ao normal em comparação às pessoas que não tiveram covid-19.

O ritmo cardíaco em repouso de 32 participantes positivos para SARS-CoV-2 (13,7%) permaneceu cinco batimentos por minutos (bpm) acima do ritmo cardíaco em repouso inicial, durante mais de 133 dias, em média. Durante a fase aguda da covid-19, esses pacientes tiveram maior probabilidade de referir tosse, mialgia e dispneia, em comparação aos outros grupos.

Limitações

Os pesquisadores afirmaram que a limitação dessa análise é que os dados dos sinais e sintomas foram obtidos somente durante a fase aguda da infecção, o que limita a capacidade de comparar as alterações fisiológicas e comportamentais tardias com os sinais e sintomas tardios.

“No futuro, com maiores tamanhos de amostra e resultados mais abrangentes informados pelos participantes, será possível compreender melhor os fatores associados à variabilidade interindividual na recuperação da covid-19”, concluíram os pesquisadores.

Dados preliminares do estudo DETECT mostraram que o emparelhamento dos dados do rastreador portátil com os sinais e sintomas referidos pelos pacientes pode melhorar a previsão da covid-19.

Como informado anteriormente pelo Medscape, os pesquisadores do DETECT descobriram que a associação dos sinais e sintomas informados pelos participantes com dados de sensores pessoais, como o desvio da duração normal do sono e do ritmo cardíaco em repouso, resultou em uma área sob a curva de 0,80 para diferenciar entre os pacientes sintomáticos positivos e negativos para o SARS-CoV-2.

O financiamento do estudo em pauta foi feito por meio de uma bolsa do National Center for Advancing Translational Sciences do National Institutes of Health. Os autores informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

JAMA Netw Open. Publicado on-line em 07 de julho de 2021. Texto completo

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