Fotobiomodulação: possível uso em várias especialidades médicas

Doug Brunk

Notificação

8 de julho de 2021

Avanços na fotobiomodulação impulsionaram o uso terapêutico deste recurso em várias especialidades médicas, de acordo com a Dra. Juanita J. Anders.

Dra. Juanita J. Anders

Durante a conferência anual da American Society for Laser Medicine and Surgery, a Dra. Juanita, Ph.D., professora de anatomia, fisiologia e genética da Uniformed Services University of the Health Sciences, nos Estados Unidos, definiu fotobiomodulação como o mecanismo pelo qual a radiação óptica não ionizante na faixa espectral entre o visível e o próximo ao infravermelho é absorvida por cromóforos endógenos para desencadear eventos fotofísicos e fotoquímicos em várias escalas biológicas. A terapia de fotobiomodulação envolve o uso de fontes de luz, incluindo laser, diodo emissor de luz (LED, do inglês Light-Emitting Diode) e luz intensa pulsada, que emitem luz visível e/ou próxima do infravermelho para causar mudanças fisiológicas em células e tecidos e resultam em benefícios terapêuticos.

Em dermatologia, os dispositivos de terapia de luz LED são comumente usados para terapia de fotobiomodulação em comprimentos de onda que variam desde azul (415 nm) e vermelho (633 nm) até próximo do infravermelho (830 nm).

"Frequentemente, quando a terapia de fotobiomodulação é referida por dermatologistas, é chamada de terapia com LED ou terapia com luz de LED", observou a Dra. Juanita.

"Algumas pessoas acham que isso é diferente da terapia de fotobiomodulação, mas lembre-se: não é o dispositivo que produz os fótons que é clinicamente relevante, mas os próprios fótons. Em ambos os casos, estão sendo usados os mesmos níveis de irradiância e fluência, e os mecanismos são os mesmos – então é tudo terapia de fotobiomodulação."

O tratamento é usado em uma ampla gama de questões de saúde e estéticas como acne vulgar, psoríase, queimaduras e cicatrização de feridas e para procedimentos cirúrgicos estéticos e de resurfacing, sendo descrita como capaz de reduzir eritema, edema, hematoma e tempo de cicatrização. Foi demonstrado que a terapia de fotobiomodulação estimula a proliferação de fibroblastos, síntese de colágeno e matriz extracelular, resultando em maior firmeza e distensão da pele flácida.

De acordo com a Dra. Juanita, as dermatologistas francesas, Dras. Linda Fouque e Michele Pelletier, realizaram uma série de estudos in vivo e in vitro nos quais testaram os efeitos da luz amarela e vermelha no rejuvenescimento da pele quando usadas individualmente ou em combinação.

"Elas descobriram que fibroblastos e queratinócitos in vitro tiveram grande melhora em sua morfologia tanto com a luz amarela quanto com a luz vermelha, mas a melhora mais proeminente foi observada com a terapia combinada", explicou a Dra. Juanita.

"Isso se manteve verdadeiro em seu trabalho de análise de marcadores epidérmicos e dérmicos na pele, onde elas encontraram a melhor regulação positiva na síntese de proteínas de marcadores como colágeno e fibronectina, produzidos quando uma combinação de comprimentos de onda de luz foi usada."

Mucosite oral e dor

A terapia de fotobiomodulação também vem sendo usada para tratar a mucosite oral, uma resposta adversa comum à quimioterapia e/ou radioterapia, que causa dor, dificuldade de deglutição e ulceração oral, frequentemente interrompendo o curso do tratamento. Os autores de uma revisão publicada recentemente sobre os riscos e benefícios da terapia de fotobiomodulação concluíram que há evidências consistentes, provenientes de um pequeno número de estudos de alta qualidade, de que a terapia de fotobiomodulação pode ajudar a prevenir a mucosite oral induzida por terapia oncológica, a reduzir a intensidade da dor, bem como a promover cura e melhorar a qualidade de vida do paciente.

"Eles também alertaram que, devido ao acompanhamento limitado de longo prazo dos pacientes, ainda há preocupação com os potenciais riscos de longo prazo da terapia de fotobiomodulação na mutação e amplificação de células cancerosas", disse a Dra. Juanita. "Eles aconselharam que a terapia de fotobiomodulação deve ser usada com cuidado quando o feixe de irradiação está na direção da zona do tumor."

O uso de terapia de fotobiomodulação para controle da dor é outra área de pesquisa ativa. Com base no trabalho do laboratório da Dra. Juanita e outros, existem dois métodos para controlar a dor.

O primeiro é usado no tecido-alvo com irradiância < 100 mW/cm². "Em meu laboratório, com base em modelos animais pré-clínicos in vivo de dor neuropática, usamos um laser de comprimento de onda de 980 nm a 43,25 mW/cm² transmitido de forma transcutânea no nervo por 20 segundos", explicou a Dra. Juanita, ex-presidente da ASLMS. "Essencialmente, descobrimos que a dor foi modulada pela redução da sensibilidade à estimulação mecânica e por causar uma mudança anti-inflamatória microglial e no fenótipo do macrófago no gânglio da raiz dorsal e medula espinhal dos segmentos afetados".

A segunda maneira de controlar a dor, ela continuou, é usar no tecido irradiância > 250 mW/cm². Dra. Juanita e colaboradores conduziram estudos in vitro e in vivo, que indicam que o tratamento com uma taxa de irradiância/fluência ≥ 270 mW/cm² no nervo pode bloquear rapidamente a transmissão da dor.

"In vitro, descobrimos que, se usarmos uma luz de comprimento de onda de 810 nm a 300 mW/cm², temos uma interrupção dos microtúbulos nos neurônios do gânglio da raiz dorsal em cultura, especificamente os neurônios pequenos, as fibras nociceptivas, mas não afetamos as fibras proprioceptivas, a menos que aumentemos a duração do tratamento", disse ela. "Essencialmente, encontramos a mesma coisa in vivo em um modelo de roedores com dor neuropática."

Em um estudo-piloto, Dra. Juanita e coautores examinaram a eficácia da irradiação a laser do gânglio da raiz dorsal do segundo nervo espinhal lombar para pacientes com dor lombar crônica.

Eles descobriram que a terapia de fotobiomodulação reduziu efetivamente a dor lombar de forma semelhante aos efeitos da lidocaína.

Com base nessas duas abordagens de irradiação direcionada ao tecido, a Dra. Juanita recomenda que uma terapia combinada seja usada para modular a dor neuropática no futuro. "Esta abordagem envolveria o uso inicial de um tratamento de alta irradiância (≥ 250 mW/cm²) no nervo para bloquear a transmissão da dor", disse ela. "Esse tratamento seria seguido por uma série de tratamentos de baixa irradiância (10 a 100 mW/cm²) ao longo do curso do nervo envolvido para alterar a patologia crônica e a inflamação".

Aplicações potenciais em neurologia

A Dra. Juanita também discutiu os esforços de pesquisa em andamento envolvendo terapia de fotobiomodulação transcraniana: o fornecimento de luz próxima a infravermelha através dos tecidos do couro cabeludo e do crânio para regiões cerebrais específicas para tratar lesões e distúrbios neurológicos. "Houve alguns resultados empolgantes em trabalhos pré-clínicos com animais e em pequenos trabalhos clínicos piloto, que mostram que pode haver possíveis efeitos benéficos na doença de Parkinson, doença de Alzheimer, depressão e melhora na cognição e memória após uma lesão cerebral, como uma lesão traumática cerebral", ela disse.

"No início, porém, havia uma série de dúvidas sobre se seria possível efetivamente fornecer luz ao cérebro através do couro cabeludo. Em meu laboratório, usamos fatias de cérebro não fixadas e descobrimos que os sulcos dentro do cérebro humano agem como guias para ondas de luz. Usamos um comprimento de onda de luz próxima ao infravermelho de 808 nm, para que a luz pudesse penetrar mais profundamente". Usando crânios de cadáveres não fixados, onde a luz foi aplicada na superfície do couro cabeludo, Dra. Juanita e colaboradores conseguiram medir fótons até a profundidade de 4,0 cm.

"É geralmente aceito agora, porém, que é a uma profundidade máxima de 2,5 cm a 3,0 cm, que fótons suficientes são liberados para causar um efeito terapêutico benéfico", disse ela.

A Dra. Juanita informou ter recebido equipamentos da LiteCure, fundos do Departamento de Defesa e participação no comitê consultor da LiteCure e da Neurothera. Ela também já ocupou cargos liderança na Optical Society e possui direito de propriedade intelectual da Henry M. Jackson Foundation for the Advancement of Military Medicine.

Este conteúdo foi originalmente publicado em MDedge.com – Medscape Professional Network.

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