Oftalmologistas alertam para aumento de casos de miopia entre crianças e adolescentes durante isolamento

Clarinha Glock

Notificação

6 de julho de 2021

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O isolamento promovido para evitar a disseminação do SARS-CoV-2, levou ao aumento de casos de miopia entre crianças e adolescentes, segundo estudos feitos na Argentina e na China.

A falta de exposição a luz solar durante o período de reclusão em casa e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos com telas (com o acréscimo das aulas on-line) contribuíram para o agravamento do problema. A constatação coincide com a previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que até 2050 metade da população mundial terá miopia. Para prevenir e evitar esse avanço, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou, junto com a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul, a campanha #15minutosOFF. O objetivo é ajudar os médicos a conscientizarem a comunidade escolar, familiares, crianças e adolescentes sobre a importância de fazer pausas de 15 minutos para descansar das telas a cada uma hora e ter contato com a luz natural diariamente por duas horas.

Embora 70% dos casos de miopia tenham origem genética, há evidências de que fatores ambientais e comportamentais têm influência sobre a sua progressão, anunciou o Dr. Milton Ruiz Alves, presidente do CBO, no lançamento da campanha. Dr. Milton citou o estudo feito na China [1] com 123.535 crianças, que mostrou como a prevalência de miopia na faixa de seis a oito anos de idade cresceu até três vezes mais em 2020 no pós-confinamento, em comparação com os cinco anos anteriores.

Na Argentina, onde 16 médicos avaliaram 134 jovens entre seis e 18 anos de idade, [2] foi constatada uma progressão 50% maior de miopia em 2020 (período em que aconteceu o distanciamento social) em relação a 2018 e 2019. A Dra. Carolina Picotti, especialista em oftalmologia infantil e uma das autoras da pesquisa, enfatizou que a maior progressão da miopia se dá nos três primeiros anos após o diagnóstico, daí a necessidade de interferir nos fatores ambientais que podem impedir o seu aparecimento. “As crianças têm que estar ao ar livre duas horas ao dia para que tenham acesso à luz solar, porque, mesmo entre nuvens, a luz do sol propicia a liberação de dopamina, que age sobre o globo ocular, impedindo o aumento de tamanho do olho que causa a miopia”, explicou.

No Brasil, o aparecimento de miopia entre crianças e adolescentes que não tinham esse problema antes de 2020, ou que tiveram um crescimento no grau a partir do confinamento da pandemia, vem chamando a atenção de oftalmologistas pediátricos, disse a Dra. Gabriela Unchalo Eckert, especialista em oftalmopediatria e estrabismo.

“Principalmente entre crianças com idade pré-escolar e escolar, a partir dos cinco anos. Em alguns casos, houve aumento também do estrabismo pelo uso de celular”, constatou a médica.

Embora existam recursos ópticos como lentes de contato e tratamento medicamentoso com colírio de atropina a 0,01% para diminuir a progressão da miopia, o ideal é evitar chegar a um grau elevado.

“Quanto mais alto o grau de miopia, maiores as chances de descolamento de retina, catarata, glaucoma degeneração macular miópica e até cegueira”, afirmou a Dra. Gabriela.

Iluminação adequada em ambientes fechados, exposição à luz natural, pausas para descanso de telas e para olhar ao longe e espelhar o conteúdo do celular ou tablet na televisão para as aulas on-line são dicas que podem ser dadas pelos médicos para prevenir e evitar o agravamento do problema. Os pediatras podem colaborar, indicando a consulta a oftalmologistas pediátricos desde o primeiro ano de vida. Em 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria já havia lançado um alerta sobre o uso das telas. [3] 

Composta por um e-book com informações sobre o que é miopia e vídeos coloridos, com linguagem acessível, a campanha #15minutosOFF traz depoimentos de médicos, crianças, adolescentes e inclusive alguns de seus ídolos, com mensagens para que deixem de lado as telas e computadores por 15 minutos a cada uma hora e aumentem o tempo de contato com a luz natural. Todo o material está disponível gratuitamente no site da SORIGS. [4]

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