Prebiótico em desenvolvimento parece promissor na redução de sintomas da DRGE

Jennifer Lubell

Notificação

11 de junho de 2021

Uma terapia prebiótica em desenvolvimento reduziu significativamente o número de dias por mês que pessoas com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) apresentavam pirose.

Dr. John Selling

O tratamento prebiótico, maltosil-isomalto-oligossacarídeos (MIMO, ISOT-101), em desenvolvimento pela ISOThrive Inc, também foi associado a redução da gravidade dos sintomas e melhora da qualidade de vida, disse o Dr. John Selling, médico e diretor clínico da ISOThrive, durante a apresentação de seu estudo na Digestive Disease Week (DDW) de 2021.

O ISOT-101 é um carboidrato prebiótico não digerível e não absorvível produzido pela fermentação bacteriana de sacarose e maltose. Foi "possivelmente um alimento básico da dieta bacteriana que estava presente na dieta humana há 10.000 anos", disse o Dr. John. Ele é professor associado de medicina e gastroenterologia na Stanford Medical School, nos EUA.

O prebiótico, entretanto, "está fora da nossa dieta há cerca de 50 a 100 anos, por conta das mudanças na agricultura, produção e preservação de alimentos, e preferências alimentares", acrescentou.

Os tratamentos de supressão de ácido, como os inibidores da bomba de prótons (IBP), há muito tempo são a base do tratamento da DRGE. No entanto, cerca de 40% das pessoas que tomam IBP ainda apresentam sintomas, disse o Dr. John. Ele observou que existem preocupações sobre os riscos para a saúde associados ao uso de IBP em longo prazo.

Um prebiótico pode funcionar porque o microbioma esofágico distal em pessoas com DRGE "difere muito" do de pessoas saudáveis, explicou o Dr. John. O prebiótico pode ajudar a reduzir um aumento anormal de bactérias gram-negativas nesses pacientes, por exemplo. Essas cepas bacterianas expressam lipopolissacarídeos em suas membranas celulares externas, que, por sua vez, alteram a sinalização de citocinas. Esse mecanismo pode levar ao estado hiper inflamatório associado à DRGE.

Dr. John e colaboradores levantaram a hipótese de que este tratamento poderia ajudar a resolver os sintomas da DRGE de duas maneiras: (1) alimentando seletivamente as bactérias gram-positivas benéficas no esôfago distal e ajudando assim a restaurar um equilíbrio saudável das bactérias e (2) produzindo bacteriocinas que ajudam a eliminar as bactérias gram-negativas nocivas e controlar a inflamação.

Para avaliar a eficácia e a tolerabilidade do ISOT-101, Dr. John e colaboradores planejam avaliar o uso do agente em 110 pessoas com DRGE. Os dados apresentados na DDW deste ano são baseados nos primeiros 44 participantes a completar o protocolo do estudo.

Os participantes deveriam ter sintomas ativos pelo menos quatro dias por semana. Eles relataram verbalmente os sintomas aos pesquisadores e preencheram um questionário diário de sintomas de DRGE validado pelo ReQuest.

Após uma semana de triagem inicial, os participantes consumiram aproximadamente um quarto de colher de chá de ISOT-101 como a última substância ingerida antes de dormir. Os pesquisadores pediram aos participantes que avaliassem seus sintomas gastrointestinais e bem-estar geral, incluindo qualquer distúrbio do sono e qualidade de vida, por meio do questionário de saúde Short Form 36 (SF-36). Os participantes também registraram o uso de outros medicamentos durante o estudo de quatro semanas.

"Achei este estudo muito interessante, pois propõe uma abordagem alternativa para o tratamento de pacientes com DRGE", disse ao Medscape a Dra. Richa Shukla, que não participou da pesquisa, quando convidada a comentar. "Vemos muitos pacientes com sintomas típicos de DRGE que não respondem à terapia com IBP, e talvez considerar uma causa e tratamento alternativos possa ajudar com esses pacientes."

A Dra. Richa compartilhou algumas ressalvas. "Este é um estudo relativamente pequeno e ainda não completou sua meta de inscrição, então será útil ver os resultados com o estudo completo." Além disso, seria útil saber quantos participantes também tomaram IBP durante o estudo, disse.

"Essencialmente, ainda não se sabe muitas coisas, mas o estudo é promissor para os pacientes", acrescentou a Dra. Richa, que é professora assistente da Seção de Gastroenterologia e Hepatologia do Baylor College of Medicine, nos EUA. "Acho que há muito interesse no microbioma e em como a sua modulação pode afetar as doenças inflamatórias."

Principais achados

O aumento de dias livres de pirose se traduziu em mais de oito dias adicionais por mês nos quais os pacientes não tinham queixa de pirose. A diferença em relação ao início do estudo foi estatisticamente significativa (P < 0,001).

Cerca de dois terços dos participantes (66%) foram classificados como "fortes respondedores" ao tratamento, o que significa que tiveram uma melhora > 50% no que tange a pontuação de sintomas no ReQuest ao longo de quatro semanas. A diferença em relação ao início do estudo também foi estatisticamente significativa (P < 0,001).

Os pesquisadores também referiram melhora estatisticamente significativa nos indicadores de qualidade de vida, como bem-estar e sono (P < 0,001).

O desfecho primário do estudo foi tolerabilidade. O prebiótico foi definido como tolerável se as pontuações dos sintomas ReQuest e SF-36 permanecessem constantes ou melhorassem até a quarta semana; 89% dos participantes registraram melhores pontuações no ReQuest.

Dois participantes referiram náuseas. Não foi relatado nenhum outro evento adverso relacionado ao ISOT-101. Para cinco participantes, as subescalas do ReQuest GI pioraram com o tempo. Para quatro participantes, a pontuação total de sintomas do ReQuest piorou com o tempo; essa pontuação representa a soma das pontuações de sintomas gastrointestinais e bem-estar geral.

Perguntas não respondidas

A inflamação na DRGE provavelmente ocorre devido à disbiose bacteriana e lesão induzida por ácido, explicou o Dr. John.

Se o desenvolvimento do prebiótico seguir bem-sucedido, isso pode representar uma mudança de paradigma nesta área, disse ele. "Isso sugere mudar da redução de ácido para também reduzir a disbiose como uma modalidade de tratamento."

Mas ainda não está claro se o ISOT-101 seria indicado como monoterapia ou para adjunto a outras terapias para DRGE.

Outra questão sem resposta é se o agente pode ser usado para tratar doenças progressivas. "Este tipo de disbiose bacteriana permanece ao longo da progressão da doença, de DRGE ao esôfago de Barrett e adenocarcinoma esofágico", disse John.

Os pesquisadores relataram que mais estudos controlados estão em andamento.

O Dr. John é cofundador e chefe clínico da ISOThrive Inc. A Dra. Richa informou não ter conflitos de interesses. O Dr. David Johnson, um dos autores do Abstract, é colaborador do Medscape.

Digestive Disease Week (DDW) 2021: Abstract Su537.

Damian McNamara é jornalista da equipe de Miami. Ele cobre uma ampla variedade de especialidades médicas, incluindo infectologia, gastroenterologia e terapia intensiva. Siga Damian no Twitter: @MedReporter.

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