Novo imunoterápico aumenta sobrevida no carcinoma nasofaríngeo

M. Alexander Otto

8 de junho de 2021

O toripalimabe, um novo imunoterápico, tem o potencial de mudar a conduta no tratamento do carcinoma nasofaríngeo, dizem especialistas.

Trata-se de um anticorpo monoclonal que bloqueia a proteína 1 de morte celular programada (PD-1, do inglês Programmed Cell Death Protein 1) produzido e recém-aprovado na China para o tratamento de terceira linha do carcinoma nasofaríngeo, entre outras indicações. A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos concedeu-lhe a designação de terapia inovadora para carcinoma nasofaríngeo recorrente ou metastático, assim como a condição de medicamento de via rápida e sem interesse comercial para outros tipos do tumor.

Novos resultados mostram que, ao ser acrescentado à quimioterapia com gemcitabina e cisplatina na primeira linha de tratamento para o carcinoma nasofaríngeo recorrente ou metastático, o toripalimabe demonstrou melhora significativa na sobrevida livre de progressão da doença e na sobrevida global.

Os resultados são provenientes do ensaio clínico de fase 3 JUPITER-02 e foram apresentados na sessão plenária da reunião anual de 2021 da American Society of Clinical Oncology (ASCO); os detalhes foram divulgados em uma coletiva de imprensa antes do evento.

O ensaio clínico designou aleatoriamente 146 pacientes para o grupo toripalimabe e 143 para o grupo placebo. Todos os participantes do estudo já estavam sendo tratados com gemcitabina + cisplatina, o atual padrão terapêutico para carcinoma nasofaríngeo recorrente e metastático.

A mediana da sobrevida livre de progressão da doença foi de quase 12 meses com o toripalimabe versus oito meses com o placebo, uma melhora significativa (razão de risco ou hazard ratio, HR, de 0,52; intervalo de confiança, IC, de 95% de 0,36 a 0,74; P = 0,0003). Os dados a respeito da sobrevida global ainda não estavam suficientemente maduros no momento da divulgação dos dados, mas favoreceram o toripalimabe, que teve 25 mortes vs. 39 no grupo do placebo, uma redução de risco de 40% (P = 0,0462).

Os resultados “apoiam o uso de toripalimabe junto com gemcitabina + cisplatina como o novo padrão de tratamento de primeira linha do carcinoma nasofaríngeo recorrente ou metastático”, disse o líder do estudo, Dr. Rui- Hua Xu, Ph.D., oncologista do Sun Yat-sen University Cancer Center, na China.

Potencial para mudança de conduta

A importância do estudo consiste no fato de a imunoterapia ter sido usada como primeira linha terapêutica para o carcinoma nasofaríngeo, em vez de segunda linha, como é frequentemente usada hoje, comentou o Dr. Jared Weiss, médico, professor-adjunto de oncologia e especialista em câncer de cabeça e pescoço da University of North Carolina, nos EUA.

Se a FDA aprovar o toripalimabe para essa indicação, isso irá "mudar o padrão de tratamento de primeira linha para o esquema triplo", disse o médico ao Medscape.

A palestrante dessa apresentação, a médica Dra. Julie Gralow, concordou. “Este é um dos primeiros estudos de carcinoma nasofaríngeo metastático ou recorrente que mostra um benefício” na combinação do inibidor PD-1 com a quimioterapia.

"Com a aprovação da FDA, esses achados devem aprovar uma mudança na conduta", disse a Dra. Julie, professora de oncologia da mama na University of Washington, nos EUA, e diretora médica-chefe da ASCO.

No ensaio clínico, os participantes receberam 240 mg de toripalimabe ou de placebo além da gemcitabina + cisplatina a cada três semanas por até seis ciclos, seguido pela manutenção do toripalimabe ou do placebo a cada três semanas até a progressão da doença, toxicidade ou conclusão de dois anos do tratamento.

A taxa de resposta global foi de 77,4% com o toripalimabe e de 66,4% com o placebo, e a duração mediana da resposta no grupo toripalimabe foi de 10 meses e de quase seis meses no grupo placebo.

A sobrevida livre de progressão em um ano foi de 49,4% com o toripalimabe e de 27,9% com o placebo; uma melhora na sobrevida livre de progressão foi observada com o toripalimabe na análise dos subgrupos PD-L1.

Eventos adversos de grau ≥ 3 ocorreram em pouco menos de 90% dos participantes de ambos os grupos, com eventos adversos fatais ocorrendo em pouco menos de 3% em ambos os grupos.

Os eventos adversos que levaram à suspensão do tratamento ocorreram em 7,5% dos participantes no grupo toripalimabe e em 4,9% no grupo placebo. Como esperado com a imunoterapia, os eventos adversos relacionados ao sistema imunitário, como hipotireoidismo, foram mais comuns com o toripalimabe (39,7% vs. 18,9%), assim como os eventos adversos relacionados ao sistema imunitário grau ≥ 3 (7,5% vs. 0,7%).

Na análise interina feita em maio 2020, a duração mediana do tratamento foi de 39 semanas no grupo toripalimabe e 36 semanas no grupo placebo.

O ensaio clínico foi realizado na China, em Taiwan e em Cingapura.

O estudo JUPITER-02 foi financiado pela Shanghai Junshi Biosciences. As declarações de conflitos de interesses dos pesquisadores não foram publicadas. O Dr. Jared informou não ter conflitos de interesses relevantes. A Dra. Julie presta consultoria para diversas empresas, inclusive para a Genentech, Novartis e Roche.

Reunião anual de 2021 da American Society of Clinical Oncology: Abstract LBA2. Apresentado em 06 de junho de 2021.

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