Vacina de Pfizer/BioNTech protege menos contra variante indiana: estudo

Carolyn Crist

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8 de junho de 2021

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A vacina anticovídica produzida por Pfizer/BioNTech produz níveis mais baixos de anticorpos contra a variante Delta, conhecida como B.1.617.2 e inicialmente identificada na Índia, de acordo com um novo estudo publicado no dia 3 de junho no periódico The Lancet.

Os níveis de anticorpos também parecem ser mais baixos em pessoas mais velhas e parecem diminuir com o tempo, o que significa que alguns indivíduos vacinados poderão precisar de uma dose de reforço no próximo outono do hemisfério Norte.

"Este vírus provavelmente ficará por aqui por algum tempo, então precisamos permanecer ágeis e vigilantes", disse da Dra. Emma Wall, Ph.D., principal autora do estudo e especialista em doenças infecciosas do Francis Crick Institute, em Londres, em um comunicado à imprensa.

"O mais importante é garantir que a proteção da vacina permaneça alta o suficiente para manter o maior número possível de pessoas fora do hospital", disse ela. "E nossos resultados sugerem que a melhor maneira de fazer isso é administrar rapidamente segundas doses e fornecer reforços para aqueles cuja imunidade pode não ser alta o suficiente contra essas novas variantes".

A equipe de pesquisa analisou anticorpos no sangue de 250 pessoas saudáveis, com idades entre 33 e 52 anos, até três meses após receberem a primeira dose da vacina BNT162b2, produzida por Pfizer/BioNTech. A equipe procurou por anticorpos neutralizantes. Os pesquisadores testaram cinco cepas: a original, descoberta na China, a cepa dominante na Europa durante a primeira onda em abril de 2020, a variante B.1.1.7 identificada no Reino Unido, a variante B.1.351, detectada pela primeira vez na África do Sul, e a mais recente variante de atenção, a B.1.617.2, descoberta na Índia.

A equipe comparou as concentrações de anticorpos neutralizantes entre as variantes e descobriu que as pessoas que foram totalmente vacinadas com duas doses da BNT162b2 tinham taxas de anticorpos seis vezes mais baixas contra a variante B.1.617.2, cinco vezes mais baixas contra a B.1.351 e 2,6 vezes mais baixas contra a variante B.1.1.7 quando comparadas às taxas de anticorpos formados contra a cepa original.

A resposta de anticorpos foi ainda mais baixa em indivíduos que receberam apenas uma dose. Após uma única dose de BNT162b2, 79% das pessoas tinham anticorpos neutralizantes contra a cepa original, um número que caiu para 50% contra a variante B.1.1.7, 32% contra a B.1.617.2 e 25% para a variante B.1.351.

O grupo de estudo planeja continuar sua pesquisa sobre anticorpos neutralizantes e as variantes, inclusive em pessoas que foram vacinadas com a vacina de Oxford/AstraZeneca.

"Novas variantes ocorrem naturalmente e aquelas que têm uma vantagem se espalharão. Agora temos a capacidade de adaptar rapidamente nossas estratégias de vacinação para maximizar a proteção onde sabemos que as pessoas são mais vulneráveis", disse em comunicado o Dr. David Bauer, Ph.D., autor sênior do estudo e líder de um dos grupos de pesquisa do Laboratório de Replicação de Vírus de RNA do Francis Crick Institute.

"Acompanhar as mudanças evolutivas é essencial para manter o controle sobre a pandemia e retornar à normalidade. Este trabalho pode nos ajudar a navegar pelas mudanças nesta nova fase da pandemia."

Fontes:
The Lancet: "Neutralizing antibody activity against SARS-CoV-2 VOCs B.1.617.2 and B.1.351 by BNT162b2 vaccination."
The Francis Crick Institute: "Pfizer-BioNTech vaccine recipients have lower antibody levels targeting the Delta variant first discovered in India."

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