KEYNOTE-564: Benefício da imunoterapia adjuvante no câncer renal ressecado

Liam Davenport

Notificação

8 de junho de 2021

Pacientes com carcinoma de células renais claras (CCRC) de alto risco submetidos a tratamento cirúrgico que receberam pembrolizumabe adjuvante apresentaram sobrevida livre de doença significativamente maior do que os que receberam placebo.

Os resultados indicam ainda que os pacientes do grupo pembrolizumabe também terão um aumento na sobrevida global, mas esses dados ainda não estão maduros, disse o líder do estudo, Dr. Toni K. Choueiri, médico e diretor do Lank Center for Genitourinary Oncology do Dana-Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos.

Esses dados são provenientes do estudo internacional de fase 3 KEYNOTE-564, cujos resultados foram apresentados em 06 de junho em uma sessão plenária na reunião virtual de 2021 da American Society of Clinical Oncology (ASCO), mas alguns detalhes já haviam sido divulgados em uma coletiva de imprensa antes do evento.

Este é o "primeiro estudo positivo de fase 3 de uma imunoterapia adjuvante para pacientes com carcinoma de células renais, e o pembrolizumabe é um possível novo padrão terapêutico para pacientes com carcinoma de células renais claras no cenário adjuvante", disse o Dr. Toni.

Imunoterapias adjuvantes já foram aprovadas para tratar pacientes com melanoma. Essas aprovações foram baseadas no aumento da sobrevida livre de recidiva em estudos de fase 3, observou a Dra. Suzanne L. Topalian, portanto, o "precedente foi definido" em relação ao pembrolizumabe neste cenário.

"Assim, é razoável antecipar que os resultados do KEYNOTE-564 também podem levar a um novo padrão terapêutico para o carcinoma de células renais claras", explicou a Dra. Suzanne, médica e professora de imunoterapia do câncer na Johns Hopkins University School of Medicine, nos EUA.

Ela disse ao Medscape que, assim como as imunoterapias para outros tipos de câncer, as terapias "consideradas seguras e eficazes para o tratamento do câncer irressecável avançado também podem ser eficazes como terapias adjuvantes".

Consequentemente, "além da monoterapia anti-PD-1 descrita no KEYNOTE-564, essas terapias que são candidatas a uma avaliação como adjuvante incluem" combinações de medicamentos anti-ligante 1 da morte celular programada (PD-L1, sigla do inglês Programmed Death-Ligand 1) com anti-CTLA-4 ipilimumabe "ou com inibidores específicos da tirosina quinase".

A Dra. Suzanne também observou que "cada vez mais dados sugerem que a imunoterapia neoadjuvante pode ser superior à terapia adjuvante no aumento da imunidade antitumoral sistêmica e, portanto, na sobrevida livre de doença e global", e esta é uma área de pesquisa muito ativa.

Cirurgia no câncer renal

A cirurgia é o tratamento padrão para o carcinoma de células renais claras locorregional, observou o Dr. Toni, mas, quase metade dos pacientes eventualmente apresenta recorrência da doença "e eles se tornam incuráveis", disse.

Além disso, não há "terapia adjuvante padrão globalmente aceita" para esse grupo de pacientes cujo uso seja "embasado em evidências de alto nível", observou ele.

Os pesquisadores, portanto, conduziram o estudo de fase 3, duplo-cego, multicêntrico KEYNOTE-563, que incluiu pacientes diagnosticados com carcinoma de células renais claras que haviam feito nefrectomia há até 12 semanas.

Eles incluíram pacientes com doença metastática, desde que tenha sido ressecada e que não houvesse evidência de doença após a cirurgia.

Os pacientes que não receberam terapia sistêmica antes foram aleatoriamente distribuídos (proporção de 1:1) para receber 17 ciclos de pembrolizumabe (N = 496) ou placebo (N = 498) a cada três semanas, o que equivale a aproximadamente um ano de tratamento. A randomização foi realizada entre 30 de junho de 2017 e 20 de setembro de 2019.

Após uma mediana de 24,1 meses de acompanhamento, o estudo atingiu o desfecho primário de aumento significativo da sobrevida livre de doença de acordo com a avaliação do pesquisador.

A mediana de sobrevida livre de doença não foi alcançada no braço pembrolizumabe ou placebo, mas o medicamento ativo foi associado a uma razão de risco (HR, sigla do inglês Hazard Ratio) de progressão em comparação com o placebo de 0,68 (P = 0,0010).

No 12º mês, a taxa sobrevida livre de doença estimada foi de 85,7% com pembrolizumabe versus 76,2% com placebo e no 24º mês foi de 77,3% e 68,1%, respectivamente.

Houve também uma melhora significativa no principal desfecho secundário de sobrevida global com pembrolizumabe.

Embora a mediana de sobrevida global não tenha sido alcançada, em comparação com o placebo, o uso de pembrolizumabe foi associado a uma razão de risco de morte de 0,54 (P = 0,0164).

No 24º mês, 96,6% dos pacientes que receberam imunoterapia com inibidor do ponto de controle ainda estavam vivos, em comparação com 93,5% dos que receberam placebo.

No entanto, o Dr. Toni apontou que "ocorreram apenas 26% dos eventos de sobrevida global necessários para a análise final". Ele observou que os dados são, "portanto, muito imaturos".

Ele também destacou que o valor de P para a sobrevida global não cruzou o limite pré-especificado para significância estatística.

"Há um acompanhamento adicional previsto para analisar esse importante desfecho secundário", enfatizou o Dr. Toni.

A análise de segurança mostrou, como esperado, que eventos adversos de grau 3 a 5 foram mais comuns com pembrolizumabe do que com placebo (32,4% versus 17,7%).

Da mesma forma, foram observados eventos adversos de grau 3 a 5 associados ao tratamento em 18,9% dos pacientes que receberam imunoterapia vs. 1,2% dos que receberam placebo.

Nenhum evento adverso foi letal.

O estudo foi financiado pela Merck Sharp & Dohme Corp, uma subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, New Jersey. O Dr. Toni informou relações financeiras com diversas empresas farmacêuticas e que possui diversas patentes (listadas no Abstract).

American Society of Clinical Oncology (ASCO) 2021: Abstract LBA5. Apresentado em 06 de junho de 2021.

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